Os videos e as imagens do massacre provocaram as primeiras declarações internacionais de que é preciso punir Assad AFP /PÚBLICOi
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DEU NO PÚBLICO, DE PORTUGAL

Os vídeos chocaram o mundo, foram citados por altos responsáveis políticos e mesmo mostrados como prova em documentos de serviços secretos. Horas depois do ataque químico de 21 de Agosto, já estavam online.

Mas os ativistas locais que os filmaram – e que conseguiram, segundo observa a revista Foreign Policy, num curto espaço de tempo o que a oposição vem tentando há meses; dispor atores internacionais a um ataque contra o regime de Bashar al-Assad – teriam pago um preço alto. Apenas um sobreviveu.

A ativista Razan Zeitouneh contou à Foreign Policy que duas equipes correram para o subúrbio de Damasco mal houve notícia de um ataque, uma do seu centro de documentação de violações e outra do comité de coordenação local. “Os ataques químicos, no primeiro dia do massacre, mataram muitos ativistas de media porque inalaram os gases tóxicos”, conta o único sobrevivente, Mudar Abu Bilal. “Foram filmar e recolher informação, mas nenhum deles voltou.”

Os vídeos deixaram várias pistas para o fato de ter sido um ataque químico. Havia os sintomas das pessoas, as pupilas constritas, espasmos e dificuldade em respirar: sinais clássicos de exposição a gás sarin. Havia restos de rockets, quase intactos: se levassem explosivos e não carga química, estariam mais danificados com o impacto.

No terreno, há uma rede de pessoas trabalhando com equipamento – na maioria, uma câmara e um computador portátil – e acesso à internet. A maioria das cidades controladas pelos rebeldes têm ligações à Internet via satélite.

O apoio de ativistas fora do país é vital: no dia do ataque, os ativistas que filmaram deixaram o material numa dropbox, programa de partilha de equipamentos pesados, e os ativistas fora trataram-nos, traduziram e colocaram-nos no YouTube.

Os vídeos servem os objetivos de propaganda dos dois lados – também o regime se beneficiou da imensa atenção dada a imagens que mostravam alegadamente um rebelde comendo o coração de um soldado leal a Assad.E também quem procura informação sobre o conflito.

Jeff White, que trabalhou nos serviços secretos durante 34 anos e é agora investigador do Washington Institute for Near East Policy, diz que os vídeos começaram a ser fonte de informação para os analistas militares e dos serviços secretos, mas só com a Síria ganharam um papel mais relevante. “Não consigo lembrar de outro caso semelhante – costumávamos ter de enviar agentes ou forças de reconhecimento para ter este tipo de dados”, nota.

Claro que é preciso ter algumas coisas em consideração, diz White: nos vídeos dos ataques de 21 de Agosto, por exemplo, as imagens eram sobretudo de mulheres e crianças, provavelmente resultado da tentativa de ganhar mais simpatia. E, termina a Foreign Policy, “se o exército dos EUA agir contra Assad, parte da razão será obra destas almas corajosas que correram em direção a um ataque de armas químicas quando toda a gente estava tentando fugir”.

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