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OPINIÃO POLÍTICA

Chantagem – está é a palavra

Ivan de Carvalho

Certamente não serei o primeiro jornalista a dizer o que vou dizer, mas faço questão de me incluir entre os que digam.

O contrato entre o governo brasileiro e o governo cubano parece muito bonitinho, com a providencial interveniência de duas entidades internacionais, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), braço da Organização Mundial de Saúde (OMS), um conhecidíssimo órgão da Organização das Nações Unidas.
Os dois governos envolvidos escondem-se por trás desse biombo das entidades internacionais e da suposta seriedade delas (uma seriedade da qual me permito duvidar profundamente, vendo como atua a ONU e seus filhotes e os jogos de interesses que ali prevalecem).

Mas, especificamente sobre os médicos cubanos, é interessante o governo brasileiro proclamar intensamente que eles se limitarão a atuar no Programa de Saúde da Família, nas periferias das grandes cidades e nos pequenos municípios que não conseguem atrair médicos brasileiros. Então fica lá a equipe do Programa Médico da Família sob o comando de um médico cubano que não estará autorizado (imagino, não tenho outra idéia, que por não estar apto) a fazer procedimentos bastante simples, muito menos os de alguma complexidade.

Presumindo que o tal médico cubano, merecedor de todo respeito e vítima óbvia de um Estado totalitário em conluio com um Estado democrático de governo com viés autoritário (não fosse este o viés do governo brasileiro, não existiria um contrato nos termos do que foi celebrado com o governo cubano), enfrente uma situação de emergência em que precise, por exemplo, fazer uma traqueotomia para o paciente respirar enquanto é levado a um hospital regional onde, se Deus ajudar, sobreviverá, o que faria o médico meia-boca importado de Cuba? Ele faria a traqueotomia (ou outro procedimento, como injetar epinefrina (se houver) no paciente para conseguir que o coração funcione, mas enfrentando riscos sérios por causa do procedimento e da dosagem), com isto quebrando o contrato a que estará submetido, ou cumpriria o contrato e se absteria de tais procedimentos, preferindo a omissão de socorro à obediência e violando o juramento de Hypócrates?

Claro que há mais coisas estranhas, absurdas mesmo nesse contrato com os médicos cubanos, bem mais graves que as irregularidades na importação de médicos portugueses, espanhóis e argentinos, que somente serão dispensados do “revalidada” – o que já não é pouco coisa – e que receberão uma “bolsa” de R$ 10 mil por mês, mais moradia e alimentação, enquanto os cubanos receberão a moradia e a alimentação, mas não receberão tal bolsa, que será paga, em dólares, à OPAS, que repassará ao governo de Cuba, que repassará a seus servos de 25 a 40 por cento do valor dessa bolsa (a coisa deve ficar aí em R$ 3 mil e quebrados). Dissimulação ridícula da esdrúxula relação de trabalho.

De tudo o mais grave, porém, é que aos médicos cubanos não é permitido – aos demais importados, não há nenhum impedimento – trazerem suas famílias para o Brasil. Nem levá-los para alguns outros países a que têm ido, sendo deles o maior exemplo a Venezuela.

Que sentido tem isso? Separar compulsoriamente os médicos que vêm de Cuba de suas famílias? Só há uma coisa racionalmente aceitável: as famílias deles – mulher, filhos, eventualmente pai, mãe – são reféns. É com eles que o governo de Cuba, com a conivência do governo do Brasil (inclusive da presidente Dilma Rousseff, que defende intransigentemente o programa que criou junto com seu ministro da Saúde, Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo paulista) vai chantagear os médicos cubanos que vierem para cá. Chantagem – está é a palavra.

Para ficar ainda mais claro. Se algum médico cubano desejar ficar no Brasil e pedir asilo, saberá, de antemão, que não mais verá sua família. E que elas poderão ser perseguidas pela ditadura cubana, inclusive como um meio de pressão para levar um eventual rebelde a mudar de atitude e voltar para a ilha dos Castro. Como devem ter sido escolhidos a dedo, de modo que todos tenham família refém lá, será necessário quase um acesso de loucura para que algum desses médicos cubanos peça o asilo. E ainda haverá a dúvida, muito cruel, se o asilo ou refúgio será concedido ou se, como ocorreu com aqueles dois pugilistas cubanos, serão apressadamente empurrados para dentro de um avião que os devolverá à ditadura de lá.
Assim, sob chantagem, o que se espera dos médicos cubanos é que façam aqui o que lhes mandarem, inclusive esse discurso amestrado a respeito de sua missão com o qual desembarcaram e que vêm desdobrando, além de atuarem como cabos eleitorais do PT.

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Comentários

jader on 30 agosto, 2013 at 9:06 #

Ai que canseira!!!Que pena que a guerra fria terminou !!!!
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Sigtj8LaLV0


rosane santana on 30 agosto, 2013 at 11:51 #

Jader tem parentesco com papagaio? Só fala repetindo outros. Ufa, que canseira!


jader on 30 agosto, 2013 at 12:12 #

Pelo menos em algo vale a pena repetir os outros : a nossa amiga de Harvard nunca mais citou a instituição como gostava de fazer!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!Que canseira!!


rosane santana on 30 agosto, 2013 at 17:02 #

Ora, ora, Harvard está no meu currículo, meu caro, você goste ou não. Morra de inveja ou não. Lá estive, porque não sou papagaio como você. Papagaio em Harvard não tem vez. E escute, fui premiada no mais famoso concurso de redação daquela instituição, no verão de 2009, e considerada a melhor aluna da minha turma, concorrendo com alunos de 140 países, gênios da China, da Correia e da Europa. Um luxo, não? Pare de repetir os outros, seja corajoso e original, seja você mesmo. Essa é minha receita de sucesso. abraços.


rosane santana on 30 agosto, 2013 at 17:04 #

Correção: Coreia


rosane santana on 30 agosto, 2013 at 17:06 #

Correção 2: 140 alunos de vários países.


jader on 30 agosto, 2013 at 18:12 #

Eta bahiana porreta da esta menina Rosane!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Graça Azevedo on 31 agosto, 2013 at 9:55 #

Nunca vi Jânio de Freitas falar dos seus feitos, nem expor seu CV. Seus textos são suficientes. E, se concordo com o que ele diz, prefiro citá-lo a tentar mostrar que sou capaz de escrever a mesma coisa, de outro modo.


jader on 31 agosto, 2013 at 11:22 #

Obrigado Graça. Nada como papagaiar Santo Agostinho:
O primeiro passo na busca da verdade é a humildade. O segundo, a humildade. O terceiro, a humildade. E o último, a humildade. Naturalmente, isto não significa que a humildade seja a única virtude necessária para o encontro e gozo da verdade; mas se as demais virtudes não estiverem precedidas, acompanhadas e seguidas da humildade, a soberba abrirá caminho e destruirá suas boas intenções.


rosane santana on 31 agosto, 2013 at 12:28 #

Jader, uma vez papagaio, papagaio sempre! Santo Agostinho não é uma boa referência. Preferiria, para este caso, citar Nietzsche, em genealogia da moral: ” A humildade é uma vontade de poder”. Afinal, quem citou Harvard foi você, portanto, mereceu a resposta à altura. Certo? O resto é dor de cotovelo.


rosane santana on 31 agosto, 2013 at 12:31 #

…dor de cotovelo sua e da torcida do Bahia, para o que eu não estou nem aí.


rosane santana on 31 agosto, 2013 at 12:34 #

Sugestão: Santo Agostinho na boca de um petista soa contraditório, vá de Kant, Hegel ou, quem sabe, comece com Chauí, expert em Spinoza e musa da intelligentsia do PT.


Graça Azevedo on 31 agosto, 2013 at 13:47 #

Sabe, Jader, eu perdi um filho para a violência. Era economista, com mestrado na Unicamp e fazia doutorado na UFBa, por escolha, havia sido selecionado na França também. Era consultor da FAO e já fazia trabalhos fora do Brasil. Era a simplicidade em pessoa. E olha que pelos elogios recebidos de gente de alto nível poderia ser vaidoso! Aprendi muito com ele.
Reflito muito sobre a vida e as vaidades bobas. Mas, com toda dor, sou uma pessoa que sigo em frente.
Poderia falar do meu CV, mas tenho valores maiores. Ser bem amada, por exemplo!


Ivan de Carvalho on 31 agosto, 2013 at 14:45 #

Ué, Rosane,
Você escreveu Chauí? Chauí quem?! Algum lapso de memória? Não se trata de Chuí, aquele riacho fronteiriço?
Um abraço


rosane santana on 31 agosto, 2013 at 15:23 #

beleza, Ivan, com certeza! um abraço, tb.


Durval on 31 agosto, 2013 at 19:25 #

Belo artigo. Fotografa bem uma fato inusitado da realidade brasileira. Parabéns!


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