DEU NO ESTADÃO

O jornal britânico The Guardian afirmou na sexta-feira que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) pagou milhões de dólares para grandes empresas de informática e internet com o intuito de compensá-las pelos custos adicionais que tiveram para poder colaborar com o sistema de vigilância da central de inteligência americana.

Segundo dados fornecidos pelo ex-agente de espionagem Edward Snowden ao diário, Yahoo, Google, Microsoft e Facebook estão entre as companhias que, após colaborar com o sistema de vigilância Prism, receberam compensação pelos custos da operação. O Guardian afirmou que os pagamentos foram ordenados após o tribunal da Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (Fisa, na sigla em inglês) determinar que algumas das atividades conduzidas pela NSA eram inconstitucionais – de acordo com os dados secretos obtidos pelo jornal britânico. A corte tem o intuito de fornecer o embasamento legal para operações de inteligência.

O julgamento, ocorrido em outubro de 2011 – e tornado público pelo governo americano na quarta-feira -, determinou que o fato de a NSA não ter capacidade de distinguir as comunicações domésticas de internacionais, dentre as informações que interceptava com a ajuda das empresas, violava a 4.ª Emenda à Constituição americana. Para atender aos novos requisitos de certificação exigidos pelo tribunal da Fisa, as empresas que colaboravam com a NSA tiveram que gastar. “A lei federal requer que o governo dos EUA reembolse provedores por custos incididos para responder processo legal compulsório”, declarou a Yahoo.

O Facebook negou ter recebido “qualquer compensação respondendo a um pedido de dados do governo”. O Google negou participação no Prism. A Microsoft não comentou o caso.”O material fornece a primeira prova de uma relação financeira entre empresas de tecnologia e a NSA”, afirmou o Guardian, que já foi obrigado por autoridades britânicas a destruir computadores onde as informações secretas reveladas por Snowden estavam armazenadas – a alternativa seria entregar os discos rígidos a Londres, o que o jornal se recusou a fazer. O Guardian afirmou na sexta que compartilhou parte das informações com o New York Times para evitar a pressão do governo britânico.

Alan Rusbridger, editor do Guardian, disse nesta semana que o jornal foi ameaçado de um processo judicial se não destruísse ou entregasse todos os arquivos fornecidos por Snowden. Dois agentes de inteligência supervisionaram a destruição dos discos rígidos na sede do jornal, mas o editor disse que isso não impedirá o jornal de continuar fazendo revelações, já que havia cópias no exterior.

Espionagem. O jornal britânico The Independent revelou nessa sexta que a “Grã-Bretanha opera uma estação secreta de monitoramento de internet no Oriente Médio, para interceptar e processar vastas quantidades de e-mails, chamadas telefônicas e tráfego na web” para obter dados para agências de inteligência ocidentais. Segundo o diário, que afirma também ter obtido as informações com Snowden, a base de espionagem britânica extrai as informações diretamente do cabos submarinos de fibra óptica que passam pela região. O Independent afirma que os dados são processados e, após a triagem inicial, são repassados à Sede de Comunicações do Governo (britânico) e compartilhados com a NSA. /

EFE

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