Covilhã: incêndios devastadores na Serra da Estrela

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Portugal em chamas

Washington José de Souza Filho

O calor que nesta época do ano no Hemisfério Norte, em função do Verão, faz com que muitos europeus, os portugueses, naturalmente, incluídos, sonhem com um período de férias na praia, mesmo em um período de dificuldades como o que vive Portugal, estabelece em paralelo outra marca: a sucessão de incêndios em áreas florestais. Um levantamento do jornal Público indica a ocorrência de uma quantidade que destruiu, este ano, em relação às florestas do país – que corresponde a um terço do território de Portugal –, o equivalente a uma área quatro vezes igual à de Lisboa, que tem 85 quilômetros quadrados de extensão.

Mais do que a extensão destruída do que foi considerada pelo mesmo jornal, minas de diamantes de Portugal, pela capacidade produtiva decorrente da silvicultura, com participação nas exportações do país, através da pasta de papel e cortiça, os incêndios causam perdas que afetam as pessoas, como as mortes de três bombeiros, desde o início de agosto.

“Está tudo a arder” é a frase mais ouvida, nas entrevistas dos telejornais dos moradores das regiões atingidas e nas conversas nos vários pontos de uma cidade, como Covilhã, na região da Beira Interior.

No período de uma semana, a cidade foi atingida por dois registros de incêndio, nesta fase. Os dias têm sido marcados pelo som das sirenes das viaturas dos bombeiros e ambulâncias, providenciando o combate ao fogo e socorro aos feridos. Os bombeiros, as maiores vítimas, tem uma parte deles formada por voluntários. Muitos são jovens que recebem, como todos os voluntários, menos de dois euros por hora trabalhada.

Um valor, por certo, de grande utilidade para vida deles, com a crise econômica de Portugal.

A rotina de trabalho dos bombeiros tem superado a média de 24 horas por dia. A forma de convocação dos voluntários, através uma sirene, transmitido para vários pontos da cidade atingida, lembra o som que era ouvido nas áreas sob o fogo da aviação alemã, no período da Segunda Guerra – da qual Portugal, pela engenhosa ação do ditador Oliveira Salazar, se manteve afastada.

O paradoxo é que o maior auxílio para o combate aos incêndios, nas regiões de difícil acesso, é a utilização de aviões e helicópteros. Eles fazem, por todo o dia, um vai e vem constante, atravessando o espaço aéreo das cidades, trazendo a água necessária para controlar o fogo.

Os motivos para a sucessão de incêndios são os mais diversos. Há reclamações contra a falta de prevenção, por parte das autoridades, em relação às áreas baldias, principalmente perto das encostas em regiões montanhosas, como na parte central do país, na qual está a Beira Interior, assim como o abandono das áreas pelos proprietários.

Até um dos tipos das árvores plantadas é considerada como um agente dos incêndios, pela sua constituição, em parte resina, de fácil combustão. Outro fato é a identificação de acusados como incendiários. O que coloca mais lenha nas conversas, de acordo com o perfil, de acordo com as características dos presos: homens, viúvos ou separados, em estado depressivo, dependente de álcool e sem emprego.

A terra, um dos símbolos da Revolução dos Cravos, que em 2014 completa 40 anos, tem sido abandonada, progressivamente, pelos proprietários. Na época da Revolução, a desapropriação das grandes propriedades, para a distribuição entre os trabalhadores, foi um dos atos mais significativos da transformação estabelecida em Portugal, com o fim da ditadura de Salazar. Nem a cobrança de multas pelo Governo faz quem tenha a posse ter o interesse em cuidar, principalmente os mais jovens. O trabalho na agricultura é uma atividade dos mais velhos.

O calor que leva às praias mostra a realidade das dificuldades de um país como Portugal. Uma das suas fontes de economia, a riqueza das suas florestas, sob o risco de destruição, em um período em que o bom da vida para quem pode, é ir para a praia, aproveitar o Verão, mas que contribui para provocar os incêndios, com a baixa umidade e as altas temperaturas. Um clima que, literalmente, incendeia a vida do país.

Washington José de Souza Filho , jornalista, é professor da Faculdade de Comunicação da UFBA, está em Covilhã, Portugal, em cuja universidade realiza estudos de especialização.

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O inesquecível Nélson Gonçalves, em “Meu nome é ninguém”,composição de Haroldo Barbosa e Luis Reis.

Puro deleite!

(Gilson Nogueira)


Festa marca chegada de médicos cubanos em Recife
Foto: O Globo
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DEU EM O GLOBO

BRASÍLIA e RECIFE – Duzentos e seis médicos chegaram ao Brasil neste sábado para participar do Programa Mais Médicos do Ministério da Saúde. Eles vieram em voo fretado da Cubana de Aviación e desembarcaram no Aeroporto dos Guararapes, em Recife, de jalecos e, em clima de festa, com bandeiras do seu país e do Brasil. De Recife, a maioria segue para Brasília. Até domingo, chegam ao país 644 profissionais formados no exterior, entre eles 400 cubanos. Eles começam na segunda-feira treinamento de três semanas para atuar na saúde básica no interior do país e na periferia das grandes cidades.

Diante de contestações judiciais de corporações médicas, o ministro Alexandre Padilha (Saúde) afirmou, na manhã deste sábado, que o governo federal tem segurança jurídica em relação ao programa Mais Médicos e acusou seus críticos de ameaçarem a saúde da população. Na sexta-feira, a Associação Médica Brasileira (AMB) protocolou Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão do Mais Médicos.

Os cubanos foram recepcionados no aeroporto com faixas por um grupo de 20 pessoas ligadas à União da Juventude Socialista (UJS). Elas levantaram cartazes com frases como “O Brasil precisa de médicos, não importa a nacionalidade”, ou “bem-vindos, médicos, mais saúde para o Brasil”. Segundo a estudante Thiara Milhome, os médicos podem “ajudar o Brasil a construir uma saúde melhor”. Também foi distribuída uma carta aberta cujo texto afirma que os cubanos “são exemplo vivo da solidariedade internacional”, e lembra que eles se somam a 30 mil médicos cubanos que “atuam junto às populações pobres de mais de 50 países”.

Os médicos estrangeiros ficarão em alojamentos militares, onde receberão treinamento para atuar no país. Além de aulas de legislação e ética, eles farão curso de aperfeiçoamento da Língua Portuguesa. Os profissiionais também passarão por avaliação para verificar se podem começar a trabalhar no país. Após esta etapa, a partir de 16 de setembro, eles serão encaminhados para atender a população nas unidades básicas de saúde. Os cubanos vão trabalhar em um dos 701 municípios que não foram selecionados por nenhum médico brasileiro nem estrangeiro inscritos na primeira etapa do programa.

No domingo, outro grupo de 194 médicos cubanos chega em voo que fará escalas em Fortaleza e Recife antes de chegar a Salvador. Até o fim deste ano, outros 3.600 médicos cubanos devem chegar ao Brasil para atuar no Mais Médicos. Um dos argumentos do governo brasileiro para rebater as críticas à presença desses profissionais é a de que eles já participaram de outras missões internacionais, sendo que 42% deles já estiveram em pelo menos dois países dos mais de 50 com que Cuba já estabeleceu acordos desse tipo. Além disso, todos têm especialização em Medicina da Família.


Primeiros médicos cubanos desenbarcam em Recife

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DEU NO UOL/FOLHA

Durante a abertura da campanha contra a paralisia infantil em São Paulo, realizada na manhã deste sábado (24), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rebateu as críticas feitas ao programa Mais Médicos ao afirmar que a iniciativa do governo federal está cercada de “segurança jurídica”.

Padilha pediu ainda que os críticos não “ameacem a saúde da população”. “O governo já ganhou todas as medidas judiciais. Nós temos muita segurança jurídica do que estamos fazendo e eu acho que quem tem crítica pode fazer sugestões, mas não venham ameaçar a saúde da nossa população que não tem médico”.
A declaração é uma resposta à medida da AMB (Associação Médica Brasileira), que entrou com uma ação na última sexta-feira (23) no Supremo Tribunal Federal para pedir a suspensão da medida provisória que criou o programa do governo federal.

Segundo o órgão, a dispensa de revalidação do diploma de medicina de profissionais graduados no exterior “coloca a população em risco”. Também justifica o pedido com a “falta de garantias de que os estrangeiros tenham conhecimentos de língua portuguesa”.

O programa foi alvo de cinco ações judiciais, três na Justiça Federal em Brasília e duas no STF. O Mais Médicos foi questionado pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) em mandado de segurança sob relatoria do ministro Marco Aurélio Mello. Além da ação de Bolsonaro, havia outro questionamento da Associação Médica Brasileira que foi negado pelo ministro plantonista Ricardo Lewandowski antes mesmo de ouvir as partes envolvidas.

Sobre as críticas de que os médicos cubanos vão receber menos (entre R$ 2,5 e R$ 4 mil) do que os outros médicos do programa, que vão ganhar R$ 10 mil, o ministro destacou que não é possível fazer comparação por serem realidade diferentes.

“Os médicos cubanos têm uma carreira e vínculo permanente com Cuba, o fato de virem em uma missão internacional faz com que os salários deles aumente, é um bônus no salário além da remuneração que vão ter aqui, diferentemente de outros médicos estrangeiros que vêm para cá [Brasil] e não têm emprego no país de origem”, disse Padilha.

“Esses médicos terão moradia e alimentação garantidas pelos municípios que assumiram o compromisso de participar do programa. O Ministério da Saúde vai acompanhar de perto as condições de vida desses profissionais para que tenham tranquilidade para atuar e atender bem a nossa população”, declarou. De acordo com o Ministério da Saúde, serão repassados R$ 10 mil por médico cubano à Opas, que fará o pagamento ao governo cubano. Em acordos como esse, Cuba fica com uma parte da verba.
Chegada dos cubanos

Os primeiros médicos cubanos que vieram ao Brasil para integrar o programa desembarcaram no Aeroporto Internacional de Recife, em Pernambuco, por volta das 13h55 deste sábado (24). Após a parada na capital pernambucana, o voo fretado seguiu para Brasília, com pouso previsto para as 18h. Esse primeiro grupo é composto por 206 médicos cubanos.

No domingo (25), outro grupo de 194 médicos de Cuba chega em voo que fará escalas em Fortaleza e Recife antes de chegar a Salvador.

ago
24


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http://youtu.be/UZBE5AeOQ0M

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PANELAS, MÚSICA E POESIA

Maria Aparecida Torneros

Tem barulho e tampas de panelas em todas as cozinhas da vida. Ali, onde se processa a transformação magica que dá sabor aos alimentos e repassa energia aos corações estomacais. Um oásis de satisfação, um porto seguro onde o cais ancora cheiros e temperos, musica para os narizes e línguas, lugar de conferencias e provadores. A gula, o enfeite extasiante para o amargor das dores. Produzir delícias que vão encher barrigas e fazer viajar almas necessitadas de boas ilusões. Cantam as cozinheiras, sorriem, conversam, fofocam, trocam receitas, alegram os mundos onde há fome de amor e bom gosto. Amores que se conquistam e se mantem através da boa mesa. Fantastica poesia do encontro em torno do jantar ou do almoço. Quanto moço apaixonado pelas gostosuras que hábeis mãos vão criando com maestria. Ritmo dos deuses, lembro do filme A festa de Babete, naquela comunidade endurecida pelos preconceitos, a mulher convida ao jantar que transforma seres, a cada garfada, um diluvio de prazer que a boa cozinha pode inundar, com certo batuque.

Na cozinha brasileira, o som do samba combina com feijoada de intenso salivar do banzo africano. Sinhá quer encantar e aprende o que consegue com as mucamas extrovertidas. Mulatas assanhadas que sambam enquanto mexem as comidas, numa ginga especial e inesquecível. Meninos que entram e roubam os bolinhos, saem correndo, degustando e queimando dedos e beiços. Chefes que comandam cozinhas de grandes restaurantes, sussurram óperas, talvez, ou, em seus momentos de grande inspiração, evocam feitiços para seus caldeirões ferventes.

Haja batuque em cada cozinha, haja sabor e amor, mas reaja ao pecado, ora, ora…pequenas porções, moderação, saboreie petiscos, embale-se na obra vagarosamente, coma com parcimônia, observe como comem os passarinhos. Pouco a pouco, para que cantem muito e voem mais!

A música que ressoa desde a cozinha, esse tal batuque, é tambor alvissareiro. Anuncia que o mundo gira em torno do calor que faz comida e faz canção em cada estômago carente de alimento e de amor!

Cida Torneros, jornalista, escritora, poeta, moradora do território livre e sagrado de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, onde ela edita o Blog da Cida, que abrigou originariamente o texto publicado no BP.

ago
24
Posted on 24-08-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 24-08-2013


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Miguel, hoje, no Jornal do Comércio (PE)


Joaquim Barbosa:”O País e a sociedade têm pressa”

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ARTIGO DA SEMANA

APRENDIZADO COM JOAQUIM

Vitor Hugo Soares

Ao tempo em que toca adiante a fase final e definitiva, que deverá desaguar no cumprimento das sentenças dos réus, condenados no julgamento do processo do Mensalão – com afinco, rigor necessário e sem titubeios ou meias palavras no trabalho a cumprir, “porque o país e a sociedade têm pressa” – o ministro presidente do STF, Joaquim Barbosa, continua a demonstrar sua enorme e inesgotável capacidade de surpreender.

Nas últimas duas semanas, retomadas as atividades na Suprema Corte do Brasil, em ambiente minado por velhos truques de astúcias judiciais protelatórias, além de novas armadilhas, o ministro Joaquim segue aparentemente inabalável em sua missão de magistrado. E vai além, na invejável conduta política e pessoal, como demonstrado nos mais recentes e duros embates.

Joaquim Barbosa tem suprido com sobras, dentro e fora do Tribunal que ele comanda (com alcance muito além das fronteiras nacionais) duas das carências mais sentidas do Brasil destes tempos temerários que atravessamos: a de firmeza nas atitudes e a de exemplos significativos dos homens públicos.

Com o andar da locomotiva reposto aos trilhos, depois dos trancos e abalos dos últimos dias, estou cada dia mais convencido do relevante papel do presidente do STF no aclaramento de questões essenciais da Justiça e do Jornalismo. Principalmente no enfrentamento das desconfianças e medos recíprocos de um lado e do outro.

Na historicamente complexa e intrincada relação com juízes, nas coberturas jornalísticas de processos judiciais (comecei minha carreira de repórter cobrindo o Fórum Rui Barbosa para o jornal A Tarde, na Bahia), um dos principais ensinamentos do caso Mensalão se dá exatamente nesse ponto. Isso, sem dúvida, a partir do jeito próprio e especial de ser e de atuar do presidente Joaquim.

O julgamento que corre no Supremo, despido dos salamaleques entre pares (jornalistas também), que o ministro Barbosa abomina e não suporta declaradamente, exibe, com todas as nuances e contrastes, uma realidade que durante décadas e décadas se manteve intocada. Nos julgamentos nos fóruns e nas coberturas da imprensa, para regozijo e gozo intelectual das duas partes, em suas respectivas feiras de vaidades.

O presidente do STF mostra com palavras e ações práticas, no seu trabalho no comando (repita-se) do processo Mensalão, aquilo que o experiente jornalista argentino Claudio Andrada, do Clarin, já havia apontado em 1993, no lúcido depoimento no livro “Entre Periodistas”, editado por Teódulo Dominguez.

Um guia de como pensar e fazer jornalismo que não canso de ler, reler e citar, pois a cada dia parece mais atual e verdadeiro em cada uma de suas 228 páginas e mais de uma dezena de entrevistas-depoimentos. Tudo com estilo e arte de quem sabe fazer perguntas e de quem sabe dar boas respostas.

Ali está dito que justiça tem duas partes: a da justiça em si e, logo, a da política: “A política está presente em todas as resoluções tomadas pela justiça, em qualquer nível, seja um juiz da primeira instância ou um juiz da Corte Suprema”, assinala Andrada.

Isso fica muito mais evidente na Corte Suprema. Aí fica delineado o rol político jogado pelo juiz. Política, porque ao ter como função o controle das leis, a aplicação da lei e sua implementação, além do zelo essencial pelo cumprimento da Constituição, o magistrado está cumprindo uma função eminentemente política.

“Além disso, porque às vezes deve sentenciar sobre assuntos que tem fundo político e que não é de maneira alguma uma simples questão judicial”, resume Claudio Andrada em “Entre Periodistas”.

E acerta na mosca, na Argentina ou no Brasil.

O resto é a velha desconfiança e medo recíprocos decorrentes da relação de juízes e jornalistas, não apenas nos seus respectivos e específicos campos do conhecimento, técnicas e práticas profissionais, mas também no campo pessoal.

A sociedade brasileira, com o julgamento do Mensalão, parece entender cada dia melhor esta realidade, à medida que o processo se aproxima do desfecho.

Até lá, vale prestar sempre mais atenção nos ensinamentos que saem da Corte comandada pelo ministro Joaquim, neste julgamento histórico e sem precedentes. Vale para magistrados e jornalistas.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta.

E-mail:vitor_soares1@terra.com.br

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ESTA MELODIA

Marisa Monte

Quando vem rompendo o dia
eu me levanto, começo logo a cantar
Esta doce melodia que me faz lembrar
Daquelas lindas noites de luar,
eu tinha um alguém sempre a me esperar
Desde o dia em que ela foi embora
eu guardo esta canção na memória
Desde o dia em que ela foi embora
eu guardo esta canção na memória
Laiá laiá lalaiá, laiá laiá lalaiá
Laiá laiá, lalaiá lalaiá, lalaiá laiá
Eu tinha esperança que um dia ela voltasse
para a minha companhia
Deus deu resignação
ao meu pobre coração
Não suporto mais tua ausência,
já pedi a Deus paciência
Não suporto mais tua ausência,
já pedi a Deus paciência.
Quando vem…
—————————

BOM DIA!!!


Sonia, médica espanhola, chegou de
Portugal para atuar em Rio Negro(AM)

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OPINIÃO POLÍTICA

Judicialização dos cubanos

Ivan de Carvalho

Devem chegar neste fim de semana os primeiros dos 4 mil médicos que o governo brasileiro decidiu importar do governo cubano, já sob a suspeita ou pelo menos insinuação de formar médicos como um produto comercial de exportação. O principal contrato do governo cubano nesse item foi celebrado com o governo do ex-ditador-presidente Hugo Chaves, da Venezuela. Foram 25 mil médicos. Esse contrato está para findar-se no agora país do presidente Nicolás Maduro e o governo brasileiro já vinha há meses planejando compensar o governo cubano com a importação de aproximadamente dez mil médicos, o que, ao preço de R$ 10 mil cada médico (esse valor traduzido em dólar), carrearia para o governo comunista de Cuba R$ 10 milhões por mês, o que, para um governo que está matando cachorro a tapa e tartaruga a beliscão, não chega a ser uma pechincha.
Na quinta-feira, antes de ter a informação completa, escrevi neste espaço que os médicos cubanos que vierem ficarão felizes com a “bolsa” de 10 mil reais por mês. Mas o ministro da Saúde, o petista Alexandre Padilha, explicou depois que o governo brasileiro não pagará nada aos médicos. Pagará ao governo de Cuba e este decidirá quanto, dos R$ 10 mil mensais que receberá por cada médico, pagará aos médicos cubanos no Brasil. Trata-se, portanto, na prática, de uma evidente terceirização de parte da saúde pública brasileira ao governo de Cuba.
O governo brasileiro exige, para alocar um médico cubano em uma cidade carente de médicos (os números devem ser maiores na Bahia, Maranhão e Piauí) que o município forneça casa e alimentação. Não há esclarecimento a respeito de que tipo ou nível de habitação nem de alimentação. Quanto ao dinheiro que o governo cubano pagará a cada médico exportado para ao Brasil, o Ministério da Saúde diz não saber, mas estar informado que o governo de Cuba costuma pagar entre 25 e 40 por cento do que recebe. Isto, no caso do contrato brasileiro, corresponderia a R$ 4 mil, no máximo.
Diz o governo brasileiro ter certeza de que nenhum médico importado de Cuba receberá menos que seus subordinados profissionalmente, vale dizer, do que uma enfermeira, que ganha, no máximo R$ 3 mil. O médico, portanto, poderá ficar aí com uns R$ 3 mil e pouco. E vão trabalhar no Programa de Saúde da Família, principalmente, mas, é claro, não exclusivamente, pois se em um município só houver um médico, o cubano, ele será chamado para tudo. Vai ser o que o médico Ariston Andrade, ex-deputado estadual e federal pela Bahia e ex-prefeito de Monte Santo disse certa vez ao presidente João Figueiredo, quando perguntado sobre sua especialidade: “Eu sou interiorista, faço parto, conserto osso…”.
A questão da importação dos médicos cubanos tende a ser judicializada. Essa probabilidade pipocou no noticiário de ontem. O procurador José Ramos Pereira, que comanda, no Ministério Público do Trabalho, a Coordenadoria Nacional de Combate às Fraudes nas Relações de Trabalho, disse que a forma de contratação fere a legislação trabalhista e a Constituição. “O MPT vai ter que interferir, abrir inquérito e chamar o governo para negociar.” O procurador-geral do Trabalho, Luiz Camargo, botou panos quentes: o Ministério Público não pode (ainda) tomar esta posição, pois não dispõe das informações necessárias, que disse irá pedi-las à Advocacia Geral da União. O acerto dos governos cubano e brasileiro também foi questionado juridicamente por auditores fiscais do Ministério da Saúde em São Paulo e pelo presidente da comissão da OAB-SP que trata de assistência médica. Já o presidente da seção mineira do Conselho Federal de Medicina, João Batista Gomes Soares, disse que serão considerados “ilegais” os médicos cubanos que não apresentarem o Revalida, exame para revalidação de diplomas entrangeiros. No programa Mais Médicos, por medida provisória, o governo brasileiro dispensou o Revalida (onde a aprovação é tradicionalmente difícil) e adotou uma “avaliação” facilitária. O presidente do Cremeb mineiro disse que a medida provisória não revoga a lei e que, caso um médico com diploma estrangeiro exerça a medicina sem passar pelo Revalida, o Cremeb, que não reconhecerá um médico nessas condições, “chamará a polícia” para registrar boletim de ocorrência e dar a partida a um processo judicial pelo “crime de exercício ilegal da medicina”. Já o ministro Padilha, da Saúde, disse que “vamos até o fim”. Tudo vai até o fim, naturalmente.

DEU NO ESTADÃO

O jornal britânico The Guardian afirmou na sexta-feira que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) pagou milhões de dólares para grandes empresas de informática e internet com o intuito de compensá-las pelos custos adicionais que tiveram para poder colaborar com o sistema de vigilância da central de inteligência americana.

Segundo dados fornecidos pelo ex-agente de espionagem Edward Snowden ao diário, Yahoo, Google, Microsoft e Facebook estão entre as companhias que, após colaborar com o sistema de vigilância Prism, receberam compensação pelos custos da operação. O Guardian afirmou que os pagamentos foram ordenados após o tribunal da Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (Fisa, na sigla em inglês) determinar que algumas das atividades conduzidas pela NSA eram inconstitucionais – de acordo com os dados secretos obtidos pelo jornal britânico. A corte tem o intuito de fornecer o embasamento legal para operações de inteligência.

O julgamento, ocorrido em outubro de 2011 – e tornado público pelo governo americano na quarta-feira -, determinou que o fato de a NSA não ter capacidade de distinguir as comunicações domésticas de internacionais, dentre as informações que interceptava com a ajuda das empresas, violava a 4.ª Emenda à Constituição americana. Para atender aos novos requisitos de certificação exigidos pelo tribunal da Fisa, as empresas que colaboravam com a NSA tiveram que gastar. “A lei federal requer que o governo dos EUA reembolse provedores por custos incididos para responder processo legal compulsório”, declarou a Yahoo.

O Facebook negou ter recebido “qualquer compensação respondendo a um pedido de dados do governo”. O Google negou participação no Prism. A Microsoft não comentou o caso.”O material fornece a primeira prova de uma relação financeira entre empresas de tecnologia e a NSA”, afirmou o Guardian, que já foi obrigado por autoridades britânicas a destruir computadores onde as informações secretas reveladas por Snowden estavam armazenadas – a alternativa seria entregar os discos rígidos a Londres, o que o jornal se recusou a fazer. O Guardian afirmou na sexta que compartilhou parte das informações com o New York Times para evitar a pressão do governo britânico.

Alan Rusbridger, editor do Guardian, disse nesta semana que o jornal foi ameaçado de um processo judicial se não destruísse ou entregasse todos os arquivos fornecidos por Snowden. Dois agentes de inteligência supervisionaram a destruição dos discos rígidos na sede do jornal, mas o editor disse que isso não impedirá o jornal de continuar fazendo revelações, já que havia cópias no exterior.

Espionagem. O jornal britânico The Independent revelou nessa sexta que a “Grã-Bretanha opera uma estação secreta de monitoramento de internet no Oriente Médio, para interceptar e processar vastas quantidades de e-mails, chamadas telefônicas e tráfego na web” para obter dados para agências de inteligência ocidentais. Segundo o diário, que afirma também ter obtido as informações com Snowden, a base de espionagem britânica extrai as informações diretamente do cabos submarinos de fibra óptica que passam pela região. O Independent afirma que os dados são processados e, após a triagem inicial, são repassados à Sede de Comunicações do Governo (britânico) e compartilhados com a NSA. /

EFE

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