OPINIÃO POLÍTICA
Os médicos cubanos

Ivan de Carvalho

Quando anunciou, em julho, incomodado com as grandes manifestações populares de junho, que contrataria dez mil médicos, estrangeiros tantos quantos necessários para suprir necessidades para as quais não se apresentassem médicos brasileiros, o governo Dilma Rousseff explicou que, quanto aos estrangeiros, daria preferência aos médicos portugueses e espanhóis, aparentemente como uma maneira de afastar a suspeita de que o que pretendia mesmo era trazer para as regiões mais pobres do país seis mil médicos cubanos. Até já se falara antes em “importar”, coincidentemente, esses seis mil médicos cubanos, gerando forte oposição da categoria médica brasileira.

Ontem, o governo Dilma Rousseff anunciou que vem aí um magote de quatro mil médicos de Cuba, a ilha comunista do Caribe. Eles irão suprir as vagas não preenchidas no programa Mais Médicos e, de acordo com o Ministério da Saúde, o grupo pioneiro desse magote, formado por 400 médicos, devem vir imediatamente ao país. Os demais, logicamente, virão na sequência.

Os médicos cubanos serão direcionados para as cidades que não foram escolhidas por nenhum profissional cadastrado (houve muitos que tentaram cadastrar-se e não conseguiram) durante a primeira etapa do programa. Serão supostamente beneficiadas 701 cidades, das quais 84 por cento estão nas regiões Norte e Nordeste.

Citado ontem no blog de Reinaldo Azevedo, da Veja.com, o deputado Eleuses Paiva, do PSD paulista, afirmou à esse site em 20 de julho, que a Venezuela teve a importação de 25 mil médicos cubanos (parece que em Cuba ninguém fica doente, ressalvado Fidel Castro) e que “a Federação Médica Venezuelana nos disse que tinha sérias dúvidas se essas pessoas eram médicas de verdade, porque as condutas profissionais que elas adotavam eram absurdas. É justamente esse acordo que nós desconfiamos que o governo brasileiro esteja fazendo, porque esses médicos têm um contrato com o governo venezuelano que acaba agora. Eles estão retornando para Cuba e são justamente os 25 mil que estavam trazendo para o Brasil quando nós os emparedamos. Baseado nisso, o ministro [Alexandre] Padilha, que é uma pessoa muito boa para desviar a rota, diz que vai trazer profissionais portugueses e espanhóis. A notícia que nós temos, e que provavelmente o ministro dará, é que serão dez portugueses, vinte espanhóis e 25 000 médicos cubanos. O foco da discussão, na realidade, é médico cubano. É isso que ele está tentando trazer.”

Bem, deixemos o deputado Eleuses Paiva com seus maus bofes e seus preconceitos contra os médicos cubanos e suas práticas estranhas e passemos a outro ponto.
Esse negócio de importar médicos cubanos para cuidar de nordestinos e nortistas pode apresentar três vantagens talvez indiscutíveis.
1. Para os próprios médicos cubanos. Em seu país, eles são pagãos pelo Estado e conseguem ganhar algo como 25 a 30 dólares por mês. E, se a família do paciente fica grata com o serviço ou a atenção – dizem, estrangeiros que já foram atendidos por eles lá em Cuba, como um colega e amigo meu, Jadson Oliveira, que eles são muito atenciosos – podem ganhar, creio que por baixo dos panos para não serem acusados de receber suborno, uma galinha ou uma dúzia de ovos ou algumas cenouras de alguma horta de fundo de quintal, se houver quintal. Aqui no Brasil, não. Ganharão do governo (ou prefeituras?) uma “bolsa” de 10 mil reais por mês e, se a isto for acrescentada uma galinha, uma dúzia de ovos, um leitãozinho, poderão sair com o presente exposto, com alegria e sem medo de qualquer acusação.
2. Mas, na saída, com ou sem presente, tenderão a deixar uma foto do comandante Fidel Castro e do presidente Raul Castro, como uma espécie de apresentação e uma foto de Lula e Dilma, com a sugestão de que o paciente atendido e sua família votem no PT. Sim, porque esses médicos tenderão a ser, graças à privilegiada situação em que o programa Mais Médicos o coloca em relação aos seus colegas que permanecem em Cuba, eficientes cabos eleitorais do PT e seus candidatos, seja ao que for.
3. As condutas médicas “absurdas” que a Federação Médica Venezuelana viu nos médicos cubanos que talvez sejam totalmente adequadas para as condições também absurdas em que funciona ou não funciona no Nordeste e no Norte do país (e em muitos outros lugares do país) o sistema público de saúde. Com isso, o SUS ganharia, pelo

======================================================

De volta “pro” meu aconchego, mando uma maravilhosa canção em agradecimento a todos os ouvintes e leitores .

“Ao trabalho sem perda de tempo”, como recomenda o ministro presidente do do STF, Joaquim Barbosa, o País e a sociedade já esperaram demais.

“Vida que segue”, como escutei o grande João Saldanha dizer muitas vezes no velho JB.

(Vitor Hugo Soares)


Wagner:mais uma decepção com metrô de Salvador
==============================================================
DEU NA UOL/FOLHA
NELSON BARROS NETO
DE SALVADOR

Um dia após anunciar um novo atraso na inauguração do trecho inicial do metrô de Salvador, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), disse que há “certa demagogia” sobre o chamado legado da Copa do Mundo de 2014.

“O turista que vier para isso [o Mundial] não vai andar de metrô. Turista que vier para isso tem grana, vai ficar no hotel, vai pegar sua van, que vai levar direto [para o estádio] pelo corredor exclusivo, aquelas coisas todas”, afirmou o petista durante participação em um programa da TV Itapoan, afiliada da Rede Record no Estado.

“O pessoal fica com certa demagogia. O metrô é consequência da Copa, que todo mundo [o governo] se mexeu? É. Mas não é para a Copa, é para o povo. Vai ficar para 30, 40 anos”, completou.

Em maio de 2012, ao anunciar que Salvador estava garantida como uma das sedes da Copa das Confederações, Wagner havia declarado em entrevista: “A Copa tem que deixar um legado para a cidade, além da própria Fonte Nova [estádio dos dois eventos]”.

DESDE 1999

A linha 1 do metrô soteropolitano já está em obras há 13 anos, consumiu mais de R$ 1 bilhão e até hoje não entrou em funcionamento.

Desde abril, quando tomou para si o controle do sistema das mãos da prefeitura, o governo Wagner assegurava que a inauguração aconteceria em junho, a tempo da Copa do Mundo. Nesta quarta-feira, porém, admitiu pela primeira vez que não conseguirá cumprir o prazo e passou a prometer uma “operação assistida”, isto é, em caráter experimental, nos dias das partidas.

A entrega oficial da linha 1 do metrô, agora, está prevista para setembro do ano que vem. Uma de suas estações está construída ao lado da Arena Fonte Nova.

A mobilidade urbana da cidade faz parte da matriz de responsabilidades da Copa assinada pelo governador em 13 de janeiro de 2010.

Nesta quinta, Wagner ainda negou que o metrô seja um compromisso do Estado com a Fifa, pediu apoio da imprensa –“tem que botar para cima, caramba”– e se disse “retado” [arretado] com as empresas baianas OAS e Odebrecht, que desistiram da nova licitação do sistema, esta semana.

“Que eu me retei [arretei], eu me retei [arretei]. É evidente que eu to retado [arretado]”, afirmou à TV.

Na véspera, Wagner se disse “em profunda decepção” com a desistência da dupla.

“É pouco carinho com a terra onde nasceram. Conheço muito empreiteiro que vai na risca do negócio para favorecer a sua terra natal. Aqui, acharam que iam perder dinheiro”, disse o petista.

Outros dois consórcios também chegaram a formalizar interesse, mas não apresentaram ofertas: Queiroz Galvão e UTC Participações.

O vencedor da licitação foi o grupo CCR, que opera a Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo, a ponte Rio-Niterói e a via Dutra.

O consórcio apresentou proposta de R$ 127,6 milhões por ano como contrapartida do Estado, valor é 5% inferior ao teto estabelecido no edital (R$ 136 milhões).

  • Arquivos

  • agosto 2013
    S T Q Q S S D
    « jul   set »
     1234
    567891011
    12131415161718
    19202122232425
    262728293031