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O ator Wagner Moura fará sua estreia como diretor de cinema em um filme sobre Carlos Marighella, ex-deputado, poeta e guerrilheiro baiano morto por agentes do regime militar em 1969. O anúncio foi feito pelo jornalista carioca Mário Magalhães, que esteve em Salvador nesta terça (13), para participar de um debate lançar o livro “Marighella – O Guerrilheiro Que Incendiou o Mundo”, obra que servirá como base para a adaptação do roteiro.

Moura já conseguiu autorização da família do ativista político para iniciar as filmagens. A produção ficará a cargo da O2 Filmes, do diretor Fernando Meirelles, e contará com o apoio da atriz Maria Marighella, neta do líder comunista. O anúncio oficial sobre a realização do longa será feita nesta quarta-feira (14), no Rio de Janeiro.

Estreia no exterior

O anúncio vem em um momento bastante movimentado da carreira de Moura, que acaba de ter seu primeiro filme internacional, “Elysium”, lançado no exterior (no Brasil, a estreia é prevista para 20 de setembro. “Gosto de filmes que tenham um público grande e algo a dizer”, disse o ator durante passagem pelo Festival de Gramado. No momento, o ator está filmando “Trash”, longa de Stephen Daldry, no Rio.

Legado
Em sua passagem pela capital baiana, Magalhães, que também edita um blog no UOL Notícias, contou que levou dez anos para escrever o livro, laureado com o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) como a melhor biografia de 2012. Para ele, a discussão da herança deixada por Marighella é oportuna neste momento em que o ativista baiano é frequentemente reverenciado nas manifestações estudantis ocorridas no Brasil.

“É curioso que quase 48 anos depois de sua morte, Marighella pareça suscitar mais amor e mais ódio do que no auge da sua trajetória política. Desconfio de que isso tem a ver não só com as ideias pelas quais ele combateu, mas pelo seu estilo de priorizar a ação nos seus últimos anos”, destacou o escritor.

Reparação
As famílias dos baianos Carlos Marighella e do escritor Jorge Amado, bem como de 12 ex-políticos cassados pela ditadura militar receberam nesta terça-feira os mandatos deles, que foram revogados quando o Partido Comunista foi declarado ilegal pelo Tribunal Superior Eleitoral , durante o governo Dutra. “A Câmara tomou uma posição justa, em contradição à aberração de espírito ditatorial que foi a cassação em 1948 dos 14 deputados do PCB eleitos pelo povo.”, comemorou Magalhães.

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