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OPINIÃO POLÍTICA

Oposição sem estratégia

Ivan de Carvalho

De acordo com pesquisas do Instituto Datafolha, em março a presidente Dilma Rousseff chegara ao auge – 65 por cento dos eleitores brasileiros consideravam seu governo “bom ou ótimo”.

Tenho a impressão pessoal de que uma grande parte dos eleitores brasileiros é extremamente generosa na avaliação de um governo.

Ou de que não entende muito do assunto, talvez devido à qualidade (ou ausência de qualidade) da educação e informação que recebe nas escolas, especialmente as do ensino fundamental e do segundo grau do sistema público.

Ou de que avaliações tão bisonhas como aquela de aprovação do governo com 65 por cento de “ótimo e bom”, apurada em março pelo Datafolha, também resulta, em grande parte, da deficiência da maioria da mídia, no que seria a sua tarefa de levar à sociedade, de uma maneira objetiva e clara, as informações que realmente importam, preferindo dedicar um tempo enorme a informar abobrinhas inúteis que tanto fascinam o apetite de grande parte do público e não irritam o poder estatal, superdimensionado no Brasil.

Ou se deixa – essa parte do eleitorado que, como já disse, segundo minha impressão, não consegue avaliar sensatamente um governo – talvez enrolar facilmente pelo marketing político e pela propaganda mais ostensiva, ambas exploradas além de quaisquer limites, como mostram números divulgados no último fim de semana sobre os gastos do governo com publicidade.

Mas às vezes a generosidade na avaliação do governo é abalada, apesar de tudo. Foi o que aconteceu depois da pesquisa Datafolha de março até a pesquisa do mesmo instituto na primeira semana de junho. A avaliação do governo Dilma Rousseff caíra oito por cento. E o governo percebera o declínio antes do Datafolha divulgar sua pesquisa do começo de junho. O governo tem pesquisas como rotina.

Percebeu o movimento negativo e entrou em campo pisando nos cascos, com a presidente toda hora na televisão e esforçando-se também para consolidar as alianças eleitorais com os partidos antes que viesse a público a tendência de baixa. Mas foi aí que vieram as manifestações populares de rua nas três últimas semanas de junho e uma queda de 27 por cento na aprovação do governo Dilma – o que resultou em 35 por cento, quando somados àqueles oito por cento que, depois ficou claro, tanto alarmaram o governo e seu partido, o PT.

Com os 35 por cento, houve uma pane total nas estratégias políticas do governismo. Não digo que o fenômeno também ocorreu no campo da oposição, porque esta não tem estratégia alguma até agora. Pior que, além de não ter estratégia, também não tem um líder natural, a um tempo conhecido nacionalmente, com bom conceito na sociedade e com carisma. Talvez seja possível apontar alguém com as duas primeiras qualidades, mas faltando a terceira e extremamente importante – o carisma. Talvez seja o caso de Marina Silva. Já o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que está ensaiando ser, mas ainda não é oposição (integram, ele e seu partido, formalmente, a aliança governista) pode ter carisma e bom conceito (em Pernambuco…), mas não é nacionalmente conhecido. E, por enquanto, faltam-lhe aliados e pontos nas pesquisas.
Daí que pode ser muito importante o que, tivessem as oposições um líder com aquelas três qualidades, seria apenas um dado a mais a considerar. Refiro-me à recuperação de seis pontos percentuais (a troco blá-blá-blá e que mais?) na avaliação positiva (ótimo + bom) de seu governo. Não dá para saber ainda se a recuperação é sustentável ou não. Mas os partidos notam essa pequena reconquista de seis por cento, enquanto são chamados, os governistas, para conversas que antes não existiam e recebem agrados (rapapés e dinheiro de emendas parlamentares) que antes eram negados. Do outro lado, nota-se que as oposições não conseguiram aproveitar o grande espaço popular aberto até o fim de junho e em sua quase totalidade ainda disponível. Pode-se dizer até que, sem uma estratégia, com pouco poder e com o drama dos tucanos no caso do cartel do metrô paulista, as oposições conseguiram perder espaço ao mesmo tempo que o governo.

É ridículo.

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