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DEU NO 247-BAHIA (Entrevista ao editor de Política Osvaldo Lyra, originalmen publicada na edição impressa da Tribuna da Bahia, esta segunda-feira,12. Nas bancas.)

Apesar de não condicionar sua candidatura ao Governo da Bahia à do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à presidência da República, a senadora Lídice da Mata continua a demonstrar entusiasmo com a possibilidade de o PSB encabeçar uma chapa presidencial e volta a exaltar o “potencial” do correligionário.

“Eu acho que a experiência de Eduardo como gestor de um estado nordestino, de um estado difícil, que passa as dificuldades da seca e que tem uma gestão muito bem aprovada, pode fazer sim com que ele se torne um candidato que empolgue o Brasil pela sua capacidade de dar resolução a problemas”.

A senadora lembra do nascimento do PT “radicalmente” contra alianças políticas e avalia que agora o partido é “refém” exatamente de acordos políticos para governar o país. Em entrevista ao jornal Tribuna da Bahia a socialista também rejeita tese de que as manifestações das ruas são contra a presidente Dilma Rousseff e contra o PT, mas pondera a dificuldade do governo para responder às pessoas.

Abaixo trechos da entrevista da senadora Lídice da Mata.

Senadora, acredita que os protestos recentes vão impactar na reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014?

Já impactaram no Brasil inteiro, na avaliação de todos os governadores, do governo da presidente, especialmente dos governos de São Paulo e do Rio de Janeiro. Já tiveram um papel histórico cumprido. Se elas vão impactar mais ainda, eu acho que só se elas evoluírem, se houver uma volta às ruas, com agendas que se voltem contra o governo. Por enquanto, eu acho que elas já impactaram e que há tempo para uma recuperação do prestígio dos governadores e da presidente da República até a próxima eleição.

Com a queda na avaliação de Dilma e do governador Wagner, a senhora acredita que o PT na Bahia terá condições de impor candidato à base?

Eu acho que imposição nunca é uma boa medida, mas eu não acho que o fato de haver esses desgastes queria dizer que o PT acabou. Não é isso. Nem eu coloco dessa forma. O PT é um grande partido, o maior partido de esquerda no nosso país, tem vinculação com movimentos populares, vinculações fortes com movimentos religiosos, com movimentos de trabalhadores rurais, urbanos. O que eu diria é que o PT, enquanto partido, pagou o preço de ter um certo desgaste, não apenas pelo fato de a presidente da República ser do PT e, portanto, haver esse desgaste. Houve um desgaste objetivo do PT em função de estar na Presidência da República, do que foi o PT antes, das suas promessas, da sua radicalidade, da sua apresentação como um partido da “ética pela ética”, do moralismo pelo moralismo, de um partido que tinha uma posição sectária frente às alianças e que foi obrigado a fazer concessões, obrigado a fazer alianças, alianças que eu diria heterodoxas, porque não ficou apenas num campo democrático, foi mais adiante, que eu compreendo todas, mas eu sou oriunda de partidos e de movimentos que sempre defenderam frentes políticas. Nós defendemos a frente ampla, com segmentos da chamada burguesia nacional, no tempo da ditadura militar. No período em que o PT surgiu, eu sempre estive defendendo posições democráticas para fazer avançar a nossa luta e depois aprofundá-las. O PT não, o PT cresceu na negação das alianças e é por isso que ele é cobrado agora. Há uma diferença. Há uma crítica ao PT, porque é uma crítica ao conjunto da esquerda, o PT como principal partido e é o principal partido porque se sustentou num discurso que era também de direita. Era até bem um discurso de direita. Um discurso meio Carlos Lacerda à esquerda, aquele discurso do combate à corrupção pela corrupção. Esse foi o PT que eu conheci. Nos primórdios do PT. Eu diria que o PT está bebendo um pouco do seu próprio veneno.

Como a senhora vê a afirmação do governador de que o PT tem legitimidade para encabeçar o processo de sucessão dele? Não há espaço para os outros partidos?

Veja bem, são duas coisas diferentes. O governador, o que ele disse, é absolutamente correto. O PT tem legitimidade sim. Por que não teria? É o maior partido dentro da frente, é o partido do governador, é o partido da presidente da República. O que eu digo é que isso não basta. E ele não negou que houvesse legitimidade dos outros também. Ele fala da legitimidade, da minha, da de Marcelo (Nilo), da de Otto (Alencar). Da de todos aqueles que compõem a frente. O governador Jaques Wagner é um democrata. É um democrata com um partido. Sofre a pressão do seu partido, mas ele é um democrata. É um democrata e é o líder desse processo político. Nós temos confiança na sua liderança e achamos que a imprensa gosta de explorar a palavra lá, que o cara falou, que o tom foi diferente. Não existe isso. Aliás, chegaram a colocar no jornal agora que o governador estava quase se confrontando comigo. Não há nenhum confronto entre mim e Wagner.

Há risco de rompimento?

Quem tiver apostando que eu e Wagner vamos brigar, perdem tempo. Além do nosso respeito político, além do exercício da liderança do governador no estado, de eu respeitar profundamente a sua liderança, eu sou amiga pessoal de Wagner. Eu tenho confiança pessoal nele, assim como tenho convicção que ele tem em mim. Então, eu não serei uma candidata contra o governo Wagner, porque se eu fosse uma candidata contra o governo Wagner, eu seria uma candidata incoerente, contra mim mesma. Porque eu apostei nesse projeto, o PSB apoiou Wagner antes do PT apoiar. Antes do PT apoiar a candidatura de Wagner, eu fui a Brasília pedir uma conversa com o ministro Jaques Wagner e disse: “nós vamos apoiar você. Nós tínhamos discutido na executiva do PSB e chegamos à conclusão que você é o melhor candidato. Nós estamos dispostos a lhe apoiar”. O governador deve lembrar disso. Oferecemos que nós começássemos a trabalhar com o Instituto Pensar, com instituições próximas a nossa militância, no sentido de começar a construir um programa de governo com ele. Então, nós apoiamos Wagner antes do PT. Não há nenhuma possibilidade de rompimento ou de estranhamentos entre mim e Wagner. Acabamos de ter uma ótima conversa. Tudo que eu fizer será conversado com o governador e acordado com o governador. Pode ser que o governador tome decisões que eu não concorde, como eu posso ter que tomar decisões que não sejam as que ele considerar melhor. Mas isso não quer dizer que nós tenhamos qualquer rompimento nem no plano pessoal nem no plano político ideológico.

A senhora está na disputa ou a candidatura da senhora depende da entrada de Eduardo Campos no cenário nacional?

Eu estou na disputa. Eu recebo apoio de diversos segmentos da base do governo. Não são segmentos formais, são pessoas, são eleitores que me procuram diariamente para dizer que apoiam a minha candidatura. Eu vou continuar lutando para ser candidata do governo, para ser candidatada da base. Só que eu acho que nós temos ainda um longo caminho em 2013. Eu estou trabalhando no Senado, aprovei projetos importantes no Senado este ano, aprovei uma lei de facilitação da implantação das Zonas de Processamento de Exportação no Brasil, as ZPEs, que é uma lei importantíssima. Nós precisamos. Em 2013, desde o início, desde o final do ano passado, que o PSB repete isso como um mantra: “2013 será um ano difícil para a economia, nós temos que concentrar na gestão, na administração. Em 2014 nós trataremos de 2014 e da eleição”. Eu estou muito preocupada em ajudar os prefeitos do PSB a governar. Temos feito seminários de formação, temos colocado assessorias à disposição dos prefeitos, indo até os municípios, fazendo planejamento estratégico, debatendo a realidade do município, identificando linhas de financiamento no governo federal para que os municípios possam sair dessa dificuldade, lutando em Brasília com a tese que há muito nós estamos debatendo que é a reforma urbana já. E as ruas consolidaram esse posicionamento nosso, demonstrou que o PSB está com sua sensibilidade apurada, antenada com as necessidades do povo. Discutindo a necessidade de inversão do pacto federativo. Não é possível continuar com a concentração das receitas do país na União. É preciso repensar outro modelo de Brasil. É preciso reformular as nossas políticas.

O PT está no poder há 10 anos e não demonstrou capacidade de provocar essa mudança. A senhora acredita que Eduardo Campos vai conseguir fazer essa modificação que a senhora prega?

Eu diria que o PT não demonstrou possibilidade de mudar. O PT foi um aliado de projeto. O projeto do SUS foi implantado depois da constituinte e se desenvolveu a partir do governo de Fernando Henrique para cá, e o governo Lula foi um aliado e investiu com muito vigor e o governo Dilma também, no processo de ampliação do SUS. Eu diria que cada governo respondeu a uma etapa, uma necessidade do povo brasileiro. Agora nós temos a necessidade de intensificar a nossa capacidade de gestão e de velocidade na aplicação das políticas públicas e dos investimentos necessários para o Brasil. É claro que o governo Dilma está fazendo um esforço enorme para viabilizar isso. Mas não está sendo fácil. Eu acho que a experiência de Eduardo como gestor de um estado nordestino, de um estado difícil, que passa as dificuldades da seca e que tem uma gestão muito bem aprovada, pode fazer sim com que ele se torne um candidato que empolgue o Brasil pela sua capacidade de dar resolução a problemas.

LEIA INTEGRA DA ENTREVISTA DA SENADORA LÍDICE NA EDIÇÃO IMPRESSA DA TRIBUNA DA BAHIA

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