Chaeles Bronson no cult de suspense dos anos 70…

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…E Serra na entrevista a Mario Kertész
esta semana na Metrópole.

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ARTIGO DA SEMANA

Serra, o passageiro da garoa baiana

Vitor Hugo Soares

De repente, não mais que de repente, o ex-governador e ex-prefeito de São Paulo, José Serra, estrela oscilante desde as últimas refregas eleitorais em disputas ao Palácio do Planalto e Prefeitura de São Paulo mas ainda de inegável fulgor na constelação nacional de líderes do PSDB, desembarcou em Salvador. Chegou com a corda toda no começo desta semana, que em seguida se revelaria nada tranqüila para ele e outros maiorais do ninho paulista dos tucanos.

Ainda sem os bombardeios, com munição pesada, de suspeitas e acusações de “malfeitos” que explodiram, na quinta-feira,sobre sua cabeça, Serra circulou intensamente na capital baiana. Às vezes bem à vista, no palco com platéia. Outras vezes, com holofotes desligados, andou sob as sombras dos bastidores da cidade da Bahia, segundo preferia chamar Jorge Amado, ou a terra de todos os santos e de quase todos os pecados, das cronicas de Nelson Gallo.

De um ou outro modo, a capital brasileira de múltiplos cenários, um deles quase sempre perfeito e disponível para o desenrolar de uma trama de amor, de histórias de suspense, de uma novela de realismo mágico, ou insuspeitos enredos de grandes paixões e traições amorosas ou políticas.

O ex-ministro da Saúde do Governo Fernando Henrique Cardoso chegou por estas bandas do Nordeste (espécie de Meca atual de quem pretende se manter no comando do poder em Brasília, ou ocupar o lugar da presidente Dilma Rousseff ) na terça-feira chuvosa e fria de inverno, na semana quase insossa, se comparada aos dias recentes tão empolgantes, de tantas vibrações nas ruas e de muita ansiedade.

José Serra, mal comparando, desceu no aeroporto de Salvador ao feitio e semelhança daquele misterioso personagem vivido pelo ator Charles Bronson, no filme “Passager de la Pluie” (O Passageiro da Chuva, título no Brasil), ao desembarcar do ônibus em uma cidade do interior da França, sabe-se lá com que desígnios, debaixo de chuva, frio e neblina.

O filme, realizado em 1969, virou um cult nos cinemas do Brasil nos anos 70, e não esqueço a primeira vez que o assisti, no Cine Condor, quando andava pelo Rio de Janeiro. Não contarei a trama, pois recomendo o filme ainda hoje. Para contextualizar estas linhas de opinião, no entanto, devo acrescentar que O Passageiro da Chuva é uma trama de suspense, dirigida pelo grande René Clement e estrelada pelo durão Bronson e Marlene Jobert, esta no começo da carreira e no esplendor da beleza e sensualidade exigidas pelo papel. A trilha sonora, belíssima, é de Francis Lai. O filme é detentor de vários prêmios internacionais,

Mais não conto. E retorno ao périplo do misterioso político paulista, passageiro da “garoa baiana”,como ele próprio definiu, no começo da semana em Salvador.

Apesar do aguaceiro, Serra produziu fogo e levantou muita fumaça em sua rápida passagem, cujo motivo de agenda mais visível e mais proclamado, foi a visita ao Hospital Santo Antonio, na Cidade Baixa, sede das obras assistenciais de Irmã Dulce, “a mãe dos pobres da Bahia”, a caminho da santificação pelo Vaticano. Serra considera a experiência um modelo de atendimento hospitalar, a ser seguido em âmbito federal por qualquer governo sério e com planejamento para o setor.

“Eu faria isso”, afirmou o tucano, na entrevista exclusiva na Radio Metrópole ao apresentador Mario Kertesz.

No mais foi pauleira pura na cabeça do governo Dilma Rousseff, que o derrotou no pleito passado. Principalmente nas pastas comandadas por ministros paulistas, como a da Educação, de Aloísio Mercadante, e da Saúde, Alexandre Padilha. “O esquisito é ter o ministro da Educação metido com a saúde. Ele (Mercadante) devia estar cuidando da educação”, atacou Serra na conversa radiofônica com Kertész, no programa de maior audiência, no horário, na capital baiana.

Na movimentada exclusiva, no Jornal da Cidade, da Rádio Metrópole, aliás, Serra falou praticamente de tudo: Da garoa inclemente e do frio de Salvador naquela noite, dos engarrafamentos monstruosos à moda de São Paulo, da violência, dos protestos de rua,que segundo ele, “mostram o cansaço com os políticos e com governos marqueteiros”, da “vergonha” das obras do metrô de Salvador, que se arrastam há 13 anos, já engoliram mais de R$ 1 bi, sem transportar um único passageiro até hoje.

“Se o governo federal tivesse planejamento e prioridades isso já teria se resolvido, porque nenhuma prefeitura do país pode concluir, sozinha, uma obra dessa envergadura”, atacou de novo Serra, que chegou ao estúdio da rádio acompanhado do secretário municipal dos Transportes, José Carlos Aleluia, ex-deputado e presidente do DEM na Bahia, e políticos locais do PPS. Os tucanos da Bahia, desta vez, ficaram na moita durante a visita do ex-governador de São Paulo.

No mais, Serra trocou abraços e elogios com o prefeito ACM Neto (DEM), de Salvador, até aqui líder disparado de todas as pesquisas de nomes preferidos para o lugar do petista Jaques Wagner no governo do estado. Além disso, demonstrou a mais profunda indiferença todas as vezes em que o nome do senador Aécio Neves foi citado como provável candidato, do seu partido, a presidente da República em 2014. “O Aécio é sempre candidato”, limitou-se a comentar com desdém. Para acrescentar em seguida .

“Aliás, no primeiro turno, quanto mais candidatos melhor, para oferecer opções ao eleitor. Até o Joaquim Barbosa (ministro presidente do Supremo) eu acho que seria bom disputar”, disparou.

Depois de tudo, o passageiro da garoa, na Bahia, pediu tempo – pelo menos mais uns dois meses – antes de responder se será candidato mais uma vez à presidência da República em 2014.

Precisa? Responda quem souber.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

Graça Azevedo on 10 agosto, 2013 at 9:28 #

Vou ficar aguardando as respostas, meu caro VH! Mas, acredito que ainda tem muita pergunta a ser feita.


luís augusto on 10 agosto, 2013 at 10:13 #

Ele vai ter de procurar outro partido, porque no PSDB não vai dar. O lugar é de Aécio, que, aliás, na época devida, terá de responder por que não fez o teste de bafômetro em blitz no Rio.


jader on 10 agosto, 2013 at 12:08 #

Parabens Vitor . Mais uma vez , um belo presente para o domingo!!!!


rosane santana on 10 agosto, 2013 at 14:48 #

Caro Vitor,

Na verdade, na verdade, depois das conversas com marqueteiros de projeção nacional, que tive esta semana, inclusive lhe contei, pode dar qualquer coisa nas eleições de 2014. Os marqueteiros, segundo me confidenciaram alguns, estão atônitos, não sabem o que fazer depois das caminhadas de junho. Então, uma figura pouco carismática, como Serra, embora um técnico da maior competência, pode de repente emplacar. Daí porque o próprio disse: o marketing acabou. Essa é a sensação dos profissionais da área. Dilma, como todo mundo sabe, foi um produto de marketing da lavra do nosso querido Patinhas. E daí porque o PT preparou uma tropa de choque para a desconstrução do tucanato. E parece, a princípio, que a estratégia está dando certo, pois Dilma subiu 6% na pesquisa Datafolha, com ET de Varginha e tudo.


jader on 11 agosto, 2013 at 15:46 #

..pouco carismático?????? Tecnico da maior competência !!!??
Vide :
O Conversa Afiada reproduz post afiado do Miguel do Rosario sobre o “de que vive o Cerra ?”:

DEFESA DE SERRA NÃO COLA

A Folha divulgou a seguinte notícia, na última quarta-feira:

O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) sugeriu à multinacional alemã Siemens um acordo em 2008 para evitar que uma disputa empresarial travasse uma licitação da CPTM, de acordo com um e-mail enviado por um executivo da Siemens a seus superiores na época.

O ex-governador se defendeu assim:

Serra disse à Folha que não se encontrou com executivos das empresas interessadas no contrato da CPTM e afirmou que a licitação foi limpa, com vitória da empresa que ofereceu menor preço.

O ex-secretário Portella disse que as acusações são absurdas e que não houve irregularidades na licitação.

Nos dias seguintes, nunca vimos um político receber tanto espaço para se defender. O blogueiro da Veja (…) passou o dia inteiro vociferando contra a imprensa pela petulância de acusar Serra. Merval Pereira, colunista da Globo Overseas Investment BV, inicia seu texto de sexta-feira reproduzindo a defesa de Serra como se tratasse de um documento assinado por todos os auditores fiscais da Receita Federal.

Aí eu fui ler os documentos disponibilizados pelo repórter Bryan Gibel no site da Universidade de Berkeley, entre eles o email que um executivo da Siemens enviou à sede da empresa, na Alemanha, relatando a corrupção generalizada nas licitações com os governos de São Paulo e Distrito Federal.

A linha de defesa de Serra está totalmente comprometida pelo histórico comprovado de corrupção da cúpula de seu partido no esquema do metrô em São Paulo.

O executivo diz que a conversa se deu em Amsterdam. De fato, Serra esteve em Amsterdam. A blogosfera até já encontrou foto dele por lá.

Entendam. Só aqui já temos duas fontes diferentes. Dois executivos distintos relatando o esquema de propinas. Um deles citando textualmente uma conversa criminosa com José Serra.

Clique aqui para ler a tradução do email, que apesar de anônimo, tem seu autor é conhecido por diversos jornalistas, como o próprio Bryan Gibel, que conversou pessoalmente com ele.

A blogueira Jussara Seixas havia criado um blog específico para o tema PSDB e Alstom já em 2010. Para vocês entenderam o quanto tempo a sociedade teve que pressionar para o caso chegar com peso à grande mídia.

http://tucanoalstom.blogspot.com.br/


rosane santana on 12 agosto, 2013 at 10:11 #

Jader, passou da hora de falar pela sua boca. Chega de ficar citando artigo alheio e, muitas vezes, de gente que recebe a caixinha das descentralizadas. Este é um espaço pra quem tem opinião! Ainda não vi uma sua. Só vejo citação em sua boca.


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