Wagner e Lídice:desencontros

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DEU NO PORTAL A TARDE

O governador Jaques Wagner (PT) disse esta sexta-feira, 9, estranhar a reação da senadora Lídice da Mata (PSB) à tese de consenso entre os partidos da base de que o candidato à sucessão estadual deveria ser do PT.

Lídice disse que, na medida em que existem as pré-candidaturas dela e do deputado Marcelo Nilo (PDT), não haveria ainda acordo entre os partidos que dão sustentação a Wagner. “Eu tive uma conversa muito boa e recente com ela. O que eu disse é que há um reconhecimento da legitimidade de como o PT vem conduzindo o processo e tem nomes para apresentar”, disse o governador, ponderando que o partido vem conduzindo o processo desde 2007.

PSB e a conjuntura

Wagner lembrou, por outro lado, que na política a cada dia “o cenário conjuntural é outro” e, além do mais, “há uma dúvida em relação ao PSB por conta da posição do governador (Eduardo Campos). Se ele sair candidato à Presidência, ela tem que fazer um caminho próprio”.

O PT é o maior partido da base, insistiu, “tem nomes, mas não está batido o martelo”. Wagner fez as declarações após participar do “Fórum de oportunidades de investimentos da Bahia” promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais da Bahia (Lide Bahia) em parceria com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb).

No mesmo evento, o secretário de Planejamento do Estado, José Sérgio Gabrielli, um dos quatro pré-candidatos petistas, reforçou a ideia de que o PT é o favorito para indicar o nome da base à sucessão de Wagner. “Os aliados têm legitimidade para pleitear candidaturas, mas o PT sem dúvida teve o maior número de votos na última eleição, tem o maior número de prefeitos e vereadores, de deputados estaduais e federais, além de ser o centro das articulações da base, que tem um governo de sucesso”.

Os acenos mútuos de petistas e o prefeito de Salvador ACM Neto (DEM), de petistas e o prefeito de Salvador ACM Neto (DEM), também no fórum, fizeram o governador Jaques Wagner cobrar, em tom de brincadeira perante jornalistas, uma definição. “Ele está me perguntando aqui, prefeito, sobre parceria política. Estou dizendo que, por enquanto, é só administrativa, mas tudo na vida é possível”. Neto reagiu com bom humor sobre os “acenos”. “Vocês querem que a gente brigue? Outro dia vocês escreveram que (as relações) estavam estremecendo. Não sei o que estremeceu”. Sobre a troca de ataques entre vereadores do PT e do DEM, Neto disse que isso “é coisa dos outros”.

O prefeito reiterou que, como tem “juízo”, está preocupado este ano apenas em governar a cidade, que está cheia de problemas. “Minha agenda é só administrativa. Tenho procurado, como todos sabem, ter a melhor relação possível com os governos estadual e federal. Tenho discutido projetos para o futuro. Tudo que a gente está pensando para mobilidade de Salvador é num plano casado, portanto está sendo construído a seis mãos”.

Indagado sobre o que achava das declarações de, pelo menos, dois pré-candidatos do PT ao governo (Rui Costa e Luiz Caetano), que não teriam a menor dificuldade de receber seu apoio, Neto disse que isso se deve “aos novos ares da política baiana. A política é feita de conversa, de diálogo. Erra quem trabalha com veto. Nunca trabalhei com veto. Trabalho sempre procurando agregar e agora o momento é de pensar na cidade”.


Elevador desabou na obra: nove mortos

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Sem julgamento, completa-se nesta sexta-feira (9) dois anos de um dos maiores acidentes de trabalho já ocorridos no setor da construção civil na Bahia, que deixou nove mortos em uma obra no bairro Caminho das Árvores, em Salvador. O caso motivou uma ação civil pública do Ministério Público do Trabalho (MPT) contra a Construtora Segura e seus sócios-proprietários que já cumpriu toda a fase de instrução e aguarda sentença da juíza Lucyenne Amélia de Quadros Veiga, titular da 18ª Vara do Trabalho de Salvador.

Uma missa na Igreja do Mosteiro de São Bento foi celebrada a pedido do Sindicato dos trabalhadores da Construção Civil (Sintracon) hoje pela manhã em memória dos mortos na tragédia.

O MPT já obteve a primeira vitória na disputa judicial, que foi a liminar concedida pela desembargadora Marizete Menezes Corrêa em novembro passado em mandado de segurança. Ela determina que Construtora Segura cumpra rigorosamente as normas de saúde e segurança do trabalho estabelecidas pela Norma Reguladora do Ministério do Trabalho e Emprego em todas as suas obras no estado da Bahia. Caso seja flagrada descumprindo a medida judicial, a empresa está sujeita a multa diária de R$1 mil.

“Estou confiante que a Justiça do Trabalho irá condenar a empresa pelas incontestáveis falhas na segurança que levaram a esse gravíssimo acidente. A condenação neste caso terá um caráter emblemático num momento em que toda a sociedade discute as melhorias das condições de saúde e segurança no meio ambiente de trabalho, afirmou a procuradora Cleonice Moreira, autora da ação. A última audiência do processo ocorreu dia 26 de julho. Além da empresa, são réus os sócios-proprietários Maria Dolores Martinez Perea, Manuel Segura Martinez e Saturnino Segura Martinês.

O acidente ocorreu por volta das 7h18 do dia 09/08/2011 e resultou na morte dos nove trabalhadores – Antônio Elias da Silva, Antônio Reis do Carmo, Antônio Luiz Alves dos Reis, Hélio Sampaio, Jairo de Almeida Correia, José Roque dos Santos, Lourival Ferreira, Manoel Bispo Pereira e Martinho Fernandes dos Santos. Eles morreram após o elevador em que estavam despencar de uma altura aproximada de 80 metros. Todas as vítimas trabalhavam na construção do edifício Comercial II, uma torre de 103 metros de altura com 299 salas, localizada na Rua Saturnino Segura, Pituba, Salvador-BA.


Braulio Tavares

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Artigo publicado originalmente no Jornal da Paraíba e o Mundo Fantasmo (publicação online). Com os agradecimentos do BP ao autor.

MIDIA NINJA E PASQUIM

Braulio Tavares

A entrevista no “Roda Viva” (TV Cultura) com os organizadores da Mídia Ninja (Bruno Torturra) e Fora do Eixo (Pablo Capilé) veio depois da ida àquele programa dos organizadores do Movimento Passe Livre, um dos responsáveis pelas manifestações dos “20 Centavos” em junho. Eram jovens desconhecidos (eu pelo menos não sabia direito quem eram) sabatinados por velhas raposas da imprensa, que lhes pediram contas de seus atos com aquele ar meio paternal e meio sobranceiro com que um bedel entediado interpela estudantes que flagrou reunidos no banheiro, cochichando entre si, em atitude suspeita. “Bora, bora, o que diabo vocês andam aprontando?”. Este, aliás, seria um bom título para esses programas, em que jovens na faixa dos 30 anos explicam aos profissionais da informação o que está acontecendo no mundo. Como disse Dylan: “Porque alguma coisa está acontecendo aqui, mas você não sabe o que é, não é mesmo, Mr. Jones?”.

Alberto Dines, no último bloco, evocou uma semelhança que a cada minuto me vinha à mente, a semelhança dessa nova TV-de-Rua com a imprensa alternativa dos anos 1960-70. Quando O Pasquim surgiu eu tinha 19 anos e via os jornais comentando com desdém aquele jornaleco que já começava esculhambando a si mesmo a partir do nome. Comentários tipo: “Eles mesmos não sabem se é um jornal de humor, de política, de cultura ou de mulher pelada”. Para a imprensa da época, as gírias, os palavrões (inclusive os censurados, que davam origem a expressões saborosas como “vai pra asterisca que asterisquiu!”), a bagunça gráfica, a salada ideológica, tudo isso era uma afronta à grande imprensa da época, que era tão penteadinha, barbeada e cheirando a loção quanto a de hoje.

Fala-se no mundo da ciência que se um cientista velho diz que alguma coisa é impossível ele provavelmente está errado. No mundo da cultura, quando um crítico velho diz que alguma coisa é ininteligível é porque não sabe mais onde pôs os óculos (que estão na testa). Não conheço as atividades do Fora do Eixo (um coletivo de produção de eventos por todo o Brasil), mas tenho acompanhado transmissões da Mídia Ninja há um mês, madrugada adentro. Um celular na mão, um computador (e sua bateria) na mochila, uma conexão 3G, um saite para distribuir. Para quem só tinha as TVs abertas e a GloboNews, virou uma maneira diferente de ver os fatos públicos. Não sei no que vai dar isso tudo. O que os distingue da imprensa velha (a da minha geração) não é o fato de que saibam, porque eles também não sabem. É o mergulho nas novas tecnologias, que geram novas relações, que geram novas idéias. Se são boas (e para quem são boas), o tempo dirá. Vamos ligar e assistir.

ago
09
Posted on 09-08-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-08-2013


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Aroeira, hoje, no Brasil Econômico (RJ)

ago
09

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OPINIÃO POLÍTICA

Fora de controle

Ivan de Carvalho

No Velho Oeste americano, uma quadrilha chegava a uma pequena cidade, seus integrantes amarravam seus cavalos e, calmamente, sob os olhares distantes de um xerife e dois ou três auxiliares, entravam em um banco, símbolo máximo do capitalismo nascente e impulsivo. Mas não havia qualquer viés ideológico na ação daqueles ladrões que vinham de fora roubar, talvez não muito raramente, os ladrões de dentro.
Pegavam, os que vinham de foram, o que lhes interessava do que já haviam antes pegado os que estavam dentro, então saíam, desamarravam e montavam seus cavalos, abandonando a cidade brindada com o espetáculo de tiros para cima – imagino que menos para amedrontar possíveis perseguidores, mais para comemoração e exibicionismo. Os tiros para cima eram as caxirolas (se de revólveres) e as vuvuzelas (se de rifles e carabinas) daqueles cenários dos saudosos grandes filmes de western.

Habitualmente, talvez para não parecerem uns molengas para suas mulheres e namoradas e querendo mostrar algum serviço, por mais ineficaz que fosse, para os donos do banco ou representante deles, o xerife e seus dois ou três auxiliares juntavam um grupo de cidadãos “corajosos” e saíam todos em perseguição ao bando, dissimuladamente cuidando de manter prudente distância, de modo a que este não se sentisse ameaçado e tentado a reagir.

E assim voltavam à cidade: desânimo estampado nas faces, cabeças baixas, mãos abanando. Mas salvos, inteiros, graças a Deus. Como toda regra tem exceção, às vezes uma quadrilha dava de cara com John Wayne, Wyatt Earp, Randolph Scott e o desfecho era outro para os ladrões de fora. Principalmente se o encontro ocorresse na cidade de Tombstone.
Mas o Velho Oeste quase nada tem a ver com Salvador, nem com o bairro de Tancredo Neves, a não ser a violência, que desse bairro não é uma exclusividade, por estar disseminada, com maior ou menor intensidade, nos outros todos.

Aí, reporta o noticiário, a polícia fez uma operação em Tancredo Neves, um bairro inquestionavelmente heroico, pois quem mora lá é herói, ressalvados, claro, os traficantes de drogas e sua “entourage” voluntária. Há, é claro, uma “entourage” involuntária, mas esta, ainda que não seja heroica, é vítima – e vítima por causa da ausência do Estado, da distância em que se põem o xerife e seus auxiliares, deixando o campo entregue aos bandidos.

Mas auxiliares do xerife – da Polícia Civil e da Rondesp – acabaram indo lá ontem e fizeram uma operação, que acabou pouco depois das 15 horas. Era uma ação de combate ao tráfico de drogas. Um total de 310 agentes participou. Não era, portanto, uma operação de brinquedo, era uma ação de porte que varreu a Estrada das Barreiras, e as localidades de Buracão, Vila dois Irmãos, Alto do Macaco e Lages, com o objetivo de cumprir 17 mandados de prisão por crimes ou suspeita de crimes de homicídio e tráfico de drogas e 22 mandados de busca e apreensão. Tudo que foi preso ou aprendido (pessoas, drogas e armas) foi encaminhado à Delegacia de Repressão a Tóxicos e Entorpecentes (A assessoria de comunicação da polícia não deu números).

Fim? Nem pensar. Aí foi que começou. Os donos do bairro, bravos, mostraram que ninguém vai lá, prende e arrebenta, sem que haja uma retaliação. Às 15:30h, mal a polícia deu por encerrada sua operação e ingenuamente foi embora, os bandidos, até o momento em que a polícia divulgou esta notícia, não identificados, deflagraram a deles. No “fim de linha”, incendiaram cinco ônibus e uma motocicleta e fizeram um arrastão. Unidades da PM foram enviadas ao local da rebelião.

A situação, assim, está bem complicada. O Estado perdeu o controle. Os bandidos cometem os crimes e dominam amplos espaços da cidade. Uma hora dessas a polícia monta uma operação e vai lá, conquista o espaço, cumpre parcialmente seu objetivo e, achando que tudo vai ficar na mais completa paz, vai embora. Então os bandidos saem das tocas, arrepiam, incendeiam, fazem arrastão, a polícia volta correndo e interrompe a retaliação. Aí… aí chega um momento em que acaba indo embora, quando abre a oportunidade para que comece tudo outra vez, a depender do humor dos bandidos donos da casa.

Acho que no Velho Oeste era melhor. Depois de entrar numa cidade e roubar um banco, os bandidos de fora ficavam cabreiros, desconfiados em relação ao lugar e davam um tempo antes de voltar a agir ali.

BOM DIA!!!

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