ago
08
Postado em 08-08-2013
Arquivado em (Artigos) por vitor em 08-08-2013 11:47

=========================================================


DEU NO JORNAL O ESTADO DE MINAS

A noite dos rebeldes [Capinan]

Walter Sebastião

O Brasil tem um poeta muito especial: o baiano José Carlos Capinan, de 71 anos, que coloca toda a sua arte a serviço da música popular. São dele letras de clássicos da MPB como Papel machê (parceria com João Bosco), Soy loco por ti América (com Gilberto Gil), Ponteio (com Edu Lobo), Coração imprudente (sucesso de Paulinho da Viola) e Gotham City (com Jards Macalé).

Capinan é também autor de celebrados livros de poesia, que permanecem injustamente distantes do público. Seja na música ou na folha de papel, ele escreve textos densos e poemas singulares. Sua palavra interpela e celebra a vida. Hoje à noite ele estará em Belo Horizonte, ao lado dos parceiros Jards Macalé e Roberto Mendes, para apresentar o show Conta, poeta.

O repertório traz canções como Farinha do desprezo (escrita com Macalé), Aos portugais e Flor da memória (com Roberto Mendes, baiano de Santo Amaro da Purificação e autor de hits de Maria Bethânia). O homenageado pensa em ler fragmentos de seu poema “Uma canção de amor às árvores desesperadas”. A beleza do título traduz a verve desse baiano.

“Sinto-me bem em espaços onde a poesia é respeitada”, afirma Capinan, creditando esse prazer à generosidade dos parceiros. “É muito bom estar no palco na companhia de dois intérpretes de alta performance”, acrescenta.

A origem de Roberto Mendes são as formas musicais do Recôncavo Baiano, explica Capinan. É o caso da chula, “gênero anterior ao samba, que está com o povo desde a senzala”, diz. E elogia Macalé, tropicalista com linha de produção própria, que se encontra tanto com Moreira da Silva como Maria Bethânia. “Ele é filho da bossa nova”, observa Capinan.

Três rebeldes subirão ao palco, avisa o homenageado. Mendes traz a rebeldia cultivada por meio de manifestações tradicionais. Macalé cultiva a independência pessoal, underground. “Também sou rebelde. Acredito que qualquer verdade tem o seu ponto de quebra, de relatividade. Em minhas criações, dou margem para não ser tão exatamente de acordo com o que a teoria quer”, resume Capinan.

Há muito tempo, ele e Macalé não compõem. “Vivemos juntos momentos difíceis nos anos 1970, quando a ditadura militar esvaziou o Brasil de inteligência”, recorda Capinan. Esse clima se faz presente em parcerias como Movimento dos barcos e Gothan City. Ele adora também Massemba e Beira-mar, escritas com Roberto Mendes.

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • agosto 2013
    S T Q Q S S D
    « jul   set »
     1234
    567891011
    12131415161718
    19202122232425
    262728293031