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Coração Imprudente (versão acústico MTV)

Composição: Paulinho da Viola e Capinan

O quê que pode fazer
Um coração machucado
Senão cair no chorinho
Bater devagarinho pra não ser notado
E depois de ter chorado
Retirar de mansinho
De todo amor o espinho
Profundamente deixado

O que pode fazer
Um coração imprudente
Se não deixar um pouquinho
De seu bater descuidado
E depois de cair no chorinho
Sofrer de novo o espinho
Deixar doer novamente

ago
08

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DEU NO JORNAL O ESTADO DE MINAS

A noite dos rebeldes [Capinan]

Walter Sebastião

O Brasil tem um poeta muito especial: o baiano José Carlos Capinan, de 71 anos, que coloca toda a sua arte a serviço da música popular. São dele letras de clássicos da MPB como Papel machê (parceria com João Bosco), Soy loco por ti América (com Gilberto Gil), Ponteio (com Edu Lobo), Coração imprudente (sucesso de Paulinho da Viola) e Gotham City (com Jards Macalé).

Capinan é também autor de celebrados livros de poesia, que permanecem injustamente distantes do público. Seja na música ou na folha de papel, ele escreve textos densos e poemas singulares. Sua palavra interpela e celebra a vida. Hoje à noite ele estará em Belo Horizonte, ao lado dos parceiros Jards Macalé e Roberto Mendes, para apresentar o show Conta, poeta.

O repertório traz canções como Farinha do desprezo (escrita com Macalé), Aos portugais e Flor da memória (com Roberto Mendes, baiano de Santo Amaro da Purificação e autor de hits de Maria Bethânia). O homenageado pensa em ler fragmentos de seu poema “Uma canção de amor às árvores desesperadas”. A beleza do título traduz a verve desse baiano.

“Sinto-me bem em espaços onde a poesia é respeitada”, afirma Capinan, creditando esse prazer à generosidade dos parceiros. “É muito bom estar no palco na companhia de dois intérpretes de alta performance”, acrescenta.

A origem de Roberto Mendes são as formas musicais do Recôncavo Baiano, explica Capinan. É o caso da chula, “gênero anterior ao samba, que está com o povo desde a senzala”, diz. E elogia Macalé, tropicalista com linha de produção própria, que se encontra tanto com Moreira da Silva como Maria Bethânia. “Ele é filho da bossa nova”, observa Capinan.

Três rebeldes subirão ao palco, avisa o homenageado. Mendes traz a rebeldia cultivada por meio de manifestações tradicionais. Macalé cultiva a independência pessoal, underground. “Também sou rebelde. Acredito que qualquer verdade tem o seu ponto de quebra, de relatividade. Em minhas criações, dou margem para não ser tão exatamente de acordo com o que a teoria quer”, resume Capinan.

Há muito tempo, ele e Macalé não compõem. “Vivemos juntos momentos difíceis nos anos 1970, quando a ditadura militar esvaziou o Brasil de inteligência”, recorda Capinan. Esse clima se faz presente em parcerias como Movimento dos barcos e Gothan City. Ele adora também Massemba e Beira-mar, escritas com Roberto Mendes.

ago
08
Posted on 08-08-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 08-08-2013

Aroeira, hoje, no Brasil Econômico

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OPINIÃO POLÍTICA

A privacidade em xeque

Ivan de Carvalho

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Carmen Lúcia, também integrante do Supremo Tribunal Federal, disse ontem que o fornecimento de informações sobre eleitores brasileiros a uma empresa privada é inaceitável.

Desde 23 de julho vigora um acordo firmado entre o TSE e a empresa de proteção ao crédito Serasa Experian. O acordo prevê fornecimento e validação de dados que pode alcançar os 144 milhões de eleitores brasileiros. De posse desses dados, o que a empresa Serasa Experian poderá fazer deles, além do combinado com o TSE, é um mistério.

Aos poucos, o cidadão vai perdendo – às vezes voluntariamente e sem se dar conta da importância do fato, às vezes por imposição legal (que simultaneamente pode ser inconstitucional), ou necessidade de ter acesso a um serviço ou bem público ou fornecido por empresa privada – a privacidade.

As situações se multiplicam e vão se tornando parte do cotidiano. Esta rotina induz o cidadão a considerar “normal” a cada vez mais avassaladora invasão de sua privacidade. Aqui na Bahia, por exemplo, o Estado adotou (como devem ter adotado muitos outros Estados que tenham planos de saúde para seus funcionários) a identificação digital, com impressões digitais (sem trocadilho) inclusas. É para dificultar fraudes, mas é um avanço a mais. Antes, as cédulas de identidade já tinham as digitais das pessoas. Há três anos, recebia-se uma Carteira Nacional de Habilitação sem impressões digitais. Agora, estas são uma imposição.

O Conselho Nacional de Trânsito decidiu, depois andou atrasando, a obrigatoriedade (inconstitucional) de colocação de chips de identificação e rastreamento nos vidros dianteiros dos veículos. Rastreando o carro, normalmente rastreia-se seu proprietário ou familiares seus. Os objetivos proclamados de organização do trânsito e regularidade dos veículos e os dissimulados relacionados com a tributação, seguro obrigatório e multas vêm de braços dados com a bisbilhotice oficial.

Há câmaras nas ruas e casas comerciais explicadas geralmente pelo terrorismo, onde ele se manifesta, ou pela violência comum, onde aquele não emergiu ainda ou simplesmente para evitar furtos em supermercados, shopping-centers e outras casas comerciais, quando ainda não se haja instalado a rotina dos assaltos. Há sempre um motivo, uma explicação. Um londrino é filmado, em média, 300 vezes por dia.

Nos Estados Unidos, a NSA – na coordenação geral de agências como a CIA, o FBI – comanda a espionagem dos telefonemas (denunciada por Edward Snowden a monitoração dos telefones da Verizon, a segunda maior telefônica dos EUA) e uma amplíssima e global (no território e americano e fora dele, de cidadão americanos e estrangeiros) espionagem voltada para o terrorismo, a economia, os negócios de estado e o que mais for julgado importante. E então se sabe que governos estrangeiros, como os da Alemanha, da França, do Reino Unido e até do Brasil entram, cada um, naturalmente, com sua capacidade e mérito específicos, para o êxito desse Big Brother global.

O presidente Barack Obama fica muito zangado porque o governo russo, que, cumpre advertir, não é flor que se cheire, porque fede e vai feder muito mais, deu asilo temporário (de um ano, prorrogável) ao corajoso Edward Snowden. E cancela um encontro com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Mas na campanha eleitoral, o candidato que mereceu a confiança da maioria dos eleitorais americanos e a simpatia da maior parte da opinião pública mundial (inclusive do Brasil) prometeu acabar essa espionagem, pondo-a nos limites legais e considerados indispensáveis. Mentiu.

E até, ao criar normas de acesso à assistência médica gratuita estatal (o SUS de lá), incluiu uma que obriga a pessoa a ter, a partir do ano que vem, um chip subcutâneo, com seus dados de identificação e todo o seu histórico de saúde. Depois disso, para aquele misterioso “sinal” da Besta “na fronte ou não mão direita” previsto no livro do Apocalypse (escrito há mais de 1900 anos) sem o qual ninguém poderá “comerciar, comprar ou vender”, faltará muito pouco. O que mais tal chip será capaz de fazer? Será o cidadão sob controle, totalmente monitorado, o homem-robot ou, se preferirem, o escravo.

http://youtu.be/5YNt0uIaWF8

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BOM DIA !

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