Luiz Paulo Horta

===============================================

Cora Ronai, no Facebook

Houve um tempo em que o sonho de todo jornalista carioca — mas TODO mesmo — era trabalhar no JB. Quem não viveu aquela época não imagina o que era a nossa relação com o jornal e, sobretudo, o que era a relação do jornal com a cidade.

Luiz Paulo Horta era editorialista, função que lhe pagava o salário, e crítico de música clássica, função que alimentava seu coração.

Um dia, fez o impensável: pediu demissão. Todo mundo levou um susto: ele tinha um ótimo salário e muito prestígio. Por que sair do jornal para o qual todos queriam entrar?!

Ora, porque a cobertura de música clássica havia sido eliminada, e o tamanho das suas críticas reduzido a haikais — e ele não se via trabalhando para um jornal com tal desdém pela cultura.

Na minha cabeça, este sempre foi o turning point do Jornal do Brasil, o momento em que um veículo até então indispensável começou a se tornar irrelevante.

===================================

Bert Kaempfert,”My Love”, para ouvir, sonhar e dançar legal nas ondas do BP!

(Gilson Nogueira)

DEU NO PÚBLICO, DE PORTUGAL

O novo proprietário do Boston Globe é John W. Henry, dono também do Boston Red Sox. O jornal foi vendido por menos de 10 por cento do valor que o New York Times gastou para o comprar, há 20 anos.

” O Boston Globe, com seus prémios de jornalismo, sua rica história e tradição de excelência é um dos media mais respeitados do país” declarou John W. Henry, de 63 anos, o novo proprietário, num comunicado publicado no jornal. Com a venda, o Boston Globe passa a ter um acionista da região, 20 anos depois de ter sido vendido ao The New York Times pela família Taylor, que o fundou em 1873.

A venda também inclui o site Boston.com, a sociedade Globo Direct e The Worcester Telegram & Gazette – um jornal local de Massachusetts. O Boston Globe é vítima da crise que atinge os jornais com a queda de circulação.

A porta-voz do New York Times, Eileen Murphy, confirmou que o novo dono pagou 70 milhões de dólares pelo jornal – menos de 10 por cento da quantia milionária que o Times pagou em 1993: 1,1 mil milhões de dólares (820 milhões de euros) – valor mais alto já pago por um jornal norte-americano. Na época, o Boston Globe era um dos jornais de maior prestígio dos Estados Unidos numa indústria que não estava em crise. Nos últimos anos, com a queda na publicidade e a migração de leitores para a internet, as receitas do jornal estavam em queda sem parar. Em Fevereiro, o New York Times anunciou que tinha colocado o Boston Globe à venda.

John Henry , que fez fortuna no mercado finaneiro, em fundos de investimentos, é o maior acionista do clube de basebol Boston Red Rox e do clube de futebol de Liverpool, da primeira liga inglesa.

O jornal não foi o único a ser vendido por um preço muito abaixo do que daquele por que foi comprado. Em Abril de 2012, o Philadelphia Inquirer foi vendido por 55 milhões de dólares depois de ter sido comprado por 515 milhões de dólares em 2006.

0

ago
03

================================

http://youtu.be/xz9C9uUfegE

CRÔNICA
Francisco, Gretchen e Dominguinhos

Janio Ferreira Soares

Rio de Janeiro, Palácio Apostólico, meia-noite. Vestindo uma camisa do San Lorenzo e com uma caixa de alfajor nas mãos, Francisco resolve dar uma zapeada nos sites cariocas para saber as novidades da Guanabara e adjacências. Mal sabe ele que este gesto lhe deixará profundas chagas na alma.

Logo na primeira estação de sua Via Crúcis digital ele se depara com a notícia de que o pagodeiro Belo trocou seu cabelo oxigenado por um penteado rastafári, finalmente se assumindo como um legítimo representante da Ilha de Alcatraz. Intrigado, Sua Santidade procura no Google mais detalhes sobre personalidade tão importante e quase desmaia ao ver uma foto de sua esposa, Gracyanne, de biquíni. Depois de uma Ave Maria e dois copos de água benta, ele respira fundo e parte para a próxima estação.

Ajeitando os óculos, ele soletra baixinho com um sotaque mezzo Maradona, mezzo Pepino Di Capri: “quién es Thammy Gretchen?”. No Google se atrapalha com os nomes e vai parar num vídeo de “su madre, la rainha del bumbum!” dançando Conga La Conga num circo de anões no interior de Pernambuco. Trêmulo, seus dedos procuram desesperadamente deletar a bizarrice, mas na confusão ele aperta uma tecla que abre vários links onde aparecem Kleber Bambam ao lado de Waleska Popozuda; mais Luana Piovanni “sensualizando”; mais Nicole Bahls fazendo um coraçãozinho com as mãos antes de dar um selinho em Anitta; mais Adriano com uma arma na mão… Naquela madrugada, um febril Francisco teve a certeza de que Deus pode até ser brasileiro, mas se mudou faz tempo.

Além de um dos nossos maiores músicos, Dominguinhos era um pacato cidadão nordestino, cuja cara de gente boa fazia jus à nobreza de seu caráter. Não creio que, mesmo na ativa, ele fosse convidado a tocar para o papa. Pior para o nosso simpático Francisco, que se tivesse a sorte de vê-lo dedilhando Lamento Sertanejo, por certo voltaria ao Vaticano com a certeza de que Deus, na sua eterna onipotência, naquele instante escolhera ser apenas uma humilde canção chorando na sanfona.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio Sâo Francisco.

ago
03
Posted on 03-08-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-08-2013

===============================

DEU NO CORREIO

Da Redação

Deborah Secco não vai mais interpretar Irmã Dulce (1914-1992), o Anjo Bom da Bahia, no cinema. De acordo com o jornal O Globo, ocorreu uma mudança no calendário das filmagens que coincide com outro compromisso da atriz.

Deborah já havia falado sobre o papel e dizia estar lisonjeada por confiarem nela a responsabilidade: “Que Deus nos ilumine nesse processo, pois, sem dúvida, ela merece um lindo filme, o melhor de mim! Será um enorme desafio, mas uma imensa alegria!”.

Dirigido por César Rodrigues e produzido por Iafa Britz, o filme começa a ser gravado em novembro, em Salvador, e estreia em 2014, ano em que Irmã Dulce completaria 100 anos. Deborah viveu, em 2011, a prostituta Bruna Surfistinha no filme homônimo de Marcus Baldini.

ago
03
Posted on 03-08-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-08-2013


===================================
Amarildo, hoje, na Gazeta Online


Papa Francisco e Dom Helder: semelhanças
notáveis de fé, coragem e sabedoria

=============================

ARTIGO DA SEMANA

Camarotti, de Helder a Francisco

Vitor Hugo Soares

Ligo a televisão na tarde do dia seguinte à entrevista, cara a cara, do papa Francisco ao repórter Gerson Camarotti, de repercussão planetária. Registre-se, por justiça e mérito, que a façanha apresentada domingo no Fantástico é, desde já, digna das menções e prêmios mais relevantes do jornalismo brasileiro em 2013, a começar pelo Esso.

A cena inicial que vejo na telinha do canal privado Globo News é comovente: modestamente sentado no sofá do Estúdio I, programa diário comandado por Maria Beltrão (que não perco por nada), o autor do feito destinado a marcar época na imprensa do País, fala sobre os bastidores da entrevista com simplicidade e despojamento de vaidades mais que franciscanos. Incomum no meio, nestes dias de soberba e arrogância.

Sintonizo o canal no momento exato em que o jornalista fala de suas dificuldades para conseguir a conversa com Francisco. A começar pelos obstáculos criados dentro do próprio Vaticano, que desaconselhava exclusividade a um profissional brasileiro, mesmo sendo ele um jornalista da maior credibilidade e larga experiência junto as melhores fontes do clero católico no Brasil e fora do País.

Escuto o repórter dizer que ficou surpreendido diante da constatação de que o papa já havia lido trechos de seu livro. “Fiquei muito surpreso, porque eu cheguei com o livro com uma dedicatória muito carinhosa para ele. Eu o comparava a um arcebispo da minha cidade, Dom Hélder Câmara, já falecido, e aí ele falou: “nossa, mas eu já li vários trechos do livro’.

O repórter conta mais: Aí eu perguntei assim: ‘mas está bom, é isso mesmo?’, e ele falou assim: ‘Como é que você sabe tanta coisa?’, então não deixou de ser um cartão de visitas para o Santo Padre”, conclui Camarotti em relato depois reproduzido em O Globo.

Devo registrar, no entanto, que foi a comparação que o repórter fez de Francisco com Dom Helder Câmara o que (por experiência própria e profissional) mais impactou o jornalista que assina estas linhas de opinião.

São perfeitas e exatas (como se requer de um bom repórter) as palavras comparativas de Camarotti. Principalmente quando alguém que viveu (pessoal ou profissionalmente) os dois momentos separados por décadas, revê discurso e ação do destemido papa argentino destes tempos temerários, com as do corajoso e revolucionário religioso brasileiro em épocas tenebrosas.

Assim, a memória me transporta para uma manhã ensolarada nos anos 70. De férias no jornal onde trabalhava então, em Salvador, estava hospedado na casa de um casal de queridos amigos numa praia de Olinda. Saímos os três, no “fusquinha” do casal, para dar um passeio em Recife, com parada obrigatória no barzinho da “Livro Sete”, então a maior, melhor e mais interessante livraria do Nordeste.

Na passagem diante de uma as igrejas de Olinda, a cena surpreendente e inusitada para mim, mas bastante comum para os dois amigos pernambucanos:

De batina ( ele não abria mão da vestimenta tradicional), próximo a um poste da rede elétrica, vejo o “Dom”, como todos os chamavam em sua diocese. No jeito de quem espera alguém conhecido ou uma carona.

“Sozinho e Deus”, penso com as palavras da minha mãe, ainda sem acreditar: estava ali bem na minha frente o religioso brasileiro mais perseguido pela ditadura, sempre vigiado e cercado por temidos inimigos de então.

“Vamos dar uma carona ao Dom”, disse o amigo ao volante do fusca, acostumado a conduzir o bispo pela diocese outras vezes. Ao ver o conhecido, o religioso se aproxima da janela da frente do fusca .”Obrigado, meu filho, mas desta vez vou dispensar a sua carona.Estou aguardando outro conhecido que vai me levar, de carro, a uma reunião distante daqui do centro de Olinda.

Meu amigo insiste: “Mas Dom, a praça aqui está bem deserta, quase ninguém por perto, o senhor não teme por sua segurança?”. E a resposta serena sem tirar o sorriso do rosto: “Medo de que, de quem. Meus diocesanos, como você agora, me alertam, me protegem , me ajudam a todo momento. Que segurança maior posso querer?”

E a despedida mais surpreendente ainda: “Vá tranqüilo para o Recife, ninguém vai me matar ou fazer mal. Os inimigos da minha ação pastoral, da minha pregação, do meu jeito de ser padre, teriam mais problemas, ainda, se algo mais violento assim me acontecesse. Obrigado, mais uma vez pela generosa oferta da carona. Vou rezar por vocês”.

Quem mais parecido com o papa Francisco? Obrigado Gerson Camarotti, pelo feito histórico no jornalismo e pela maravilhosa lembrança do Dom.

Vitor Hugo Soares é jornalista. Editor do site blog Bahia em Pauta.

E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

ago
03
Posted on 03-08-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-08-2013

==================================

DEU NO eXTRA

A cantora Beth Carvalho comemorou sua alta hospitalar, recebida no último dia 23 de julho, com roda de samba, ao lado de amigos. A festa rolou anteontem, no apartamento da cantora, em São Conrado, Zona Sul do Rio. Na ocasião também foi festejado o aniversário da sobrinha, Luciana Carvalho. Grandes nomes do samba como Almir Guineto e Martinho da Vila prestigiaram a sambista, que emocionou os convidados ao abrir a noite cantando “Água de chuva no mar”. “Beth estava fazendo falta para a família. Ela está ótima, bonita e com o cabelo pintado”, vibra Luciana.

Beth Carvalho canta em comemoração Beth Carvalho canta em comemoração Foto: Portal de Notícias Sambrasil.Net

A cantora ficou internada por um ano , chegando a ficar em coma, no mês passado. Hoje ela se movimenta com a ajuda de um andador. Gaiata, apelidou a cadeira de rodas elétrica de batmóvel. Na volta para a casa, ela vem se deliciando com pratos como lagosta e risoto de camarão, e tem recebido muitas visitas. De Zeca Pagodinho, ganhou um CD de partido alto. O afilhado chegou dos EUA e foi correndo matar a saudade da madrinha. De Arlindo Cruz, Beth ganhou belas orquídeas. Aos amigos, ela diz estar otimista com sua total recuperação e já está cheia de planos: voltar em breve aos palcos e gravar um novo DVD.

=====================================
OPINIÃO POLÍTICA

Governo insiste no aborto

Ivan de Carvalho

O líder do PMDB na Câmara dos Deputados,

Eduardo Cunha, promete inserir em todas as medidas provisórias em tramitação no Congresso “a mesma emenda” para revogar a lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff que facilita o aborto, ao determinar atendimento obrigatório e imediato nas unidades de saúde a supostas vítimas de estupro, reais ou mentirosas. Não se exigirá, como até aqui ocorria, autorização judicial baseada em provas e nem qualquer prova que seja, mesmo sem a autorização judicial, bastando a palavra da suposta vítima.

É claro que a promessa do líder do PMDB, personagem importante da bancada evangélica na Câmara, é, no máximo, como a chamou o jornalista Cláudio Humberto, “guerrilha” e, no mínimo, uma picuinha. O fato é que, se o líder cumprir a promessa – nesses tempos em que tanta gente quebra promessa, notadamente a presidente da República com seu compromisso escrito entregue aos evangélicos e aos católicos durante a campanha eleitoral, assegurando que seu governo nenhuma iniciativa tomaria para ampliar as possibilidades de aborto – isso pode ser muito aborrecido para o governo, o PT e mais alguns setores que defendem o massacre dos inocentes no ventre de suas mães.

Junto com a sanção presidencial sem vetos, na quinta-feira, veio a notícia de que seria depois enviada uma nova proposta legislativa corretiva da lei sancionada – aprovada graças a um manobra de distração pela linguagem para falar de aborto sem citar a palavra aborto e de estupro sem mencionar a palavra estupro, pois ambas chamariam a atenção.

Mas nesse tempo em que tanta gente quebra as promessas, notadamente a presidente da República, Dilma Rousseff, há que duvidar de qualquer anúncio que venha dessa fonte ou de outras fontes oficiais. Nunca será demais recordar que Rousseff, quando candidata em campanha, assinou e entregou, a evangélicos e católicos, documento em que comprometeu seu governo a não tomar qualquer iniciativa que facilitasse o aborto.

Pois seu governo teve, por intermédio do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa de articular o desarquivamento e a tramitação do projeto que, aprovado por imperdoável descuido pelo Congresso, a própria presidente sancionou, revogando com a assinatura da sanção a sua assinatura anterior no documento que produziu quando precisava de votos.

É boa nos malabarismos a redação da notícia distribuída pela oficial Agência Brasil a respeito da Lei Herodes (pensei nisso agora, já que não vi ninguém antes dando nome próprio a essa lei) e sua sanção pela presidente. Vejam só. “O governo manteve na lei a previsão de oferecer às vítimas de estupro contraceptivos de emergência – a chamada pílula do dia seguinte –, mas vai encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei alterando a forma como a prescrição está descrita na lei. De acordo com Padilha, o termo “profilaxia da gravidez” será substituído por “medicação com eficiência precoce para a gravidez decorrente de estupro”.

Viu alguma mudança substancial? Eu, não. Lembra o leitor daquele político da Praça é Nossa que fala com muita ênfase o que ninguém entende? Pois é.
A suposta vítima, com base unicamente em sua palavra e eventualmente, mas não obrigatoriamente, um achado de esperma que pode ser, inclusive, do seu amado, recebe a “pílula do dia seguinte” ou a futura “medicação com eficiência precoce para a gravidez decorrente de estupro” ou de relações sexuais consensuais. Engole a dita cuja, é amparada psicologicamente e encaminhada à delegacia para fazer o BO e ao órgão de medicina legal. Descubram o que quiserem a investigação que não haverá e diga o que disser o órgão de medicina legal, o que estiver morto, ainda que não seja resultado de estupro, não será resgatado para a vida.

  • Arquivos

  • agosto 2013
    S T Q Q S S D
    « jul   set »
     1234
    567891011
    12131415161718
    19202122232425
    262728293031