Khoury: novo comando na educação em Salvador

=============================

DEU NO CORREIO DA BAHIA

Da Redação

Nesta quarta-feira (31), vai assumir o cargo de secretário Municipal da Educação o professor, engenheiro e economista Jorge Khoury Hedaye. O atual secretário, o deputado João Carlos Bacelar, pediu para deixar o cargo para retomar o mandato na Assembleia Legislativa.

O pedido de afastamento foi acatado pelo prefeito ACM Neto, que destacou a contribuição do secretário no período em que comandou a pasta. “É um parceiro e amigo, que trabalhou com afinco e competência no exercício do cargo. Nos deixa para enfrentar os desafios do Parlamento e certamente com o sucesso que sempre obteve nos cargos que exerceu”.

O novo secretário foi professor da Faculdade de Agronomia do Médio São Francisco (Juazeiro), prefeito de Juazeiro, deputado federal (1991/2011), secretário de estado nas pastas de Indústria, Comércio e Mineração e de Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

Jorge Khoury Hedaye também foi presidente da Companhia de Transporte de Salvador (CTS) até esta ser transferida para o governo do estado. Atualmente, ele é consultor na área de sustentabilidade.

*Com informações da Assessoria Geral de Comunicação (Agecom)

====================================

O Papa e o jornalista Gerson Camarotti

Maria Aparecida Torneros

Na história de todo jornalista, sempre haverá a busca pela sonhada entrevista exclusiva, aquela reveladora, a tal que envolve aventuras e negociações para ser concedida, ou que cai do céu como milagre em dado momento e o “furo” acontece e a notícia repercute, servindo, inclusive, como pauta para novas investidas ou especulações que se incumbem de realimentar a mídia sedenta de descobertas quanto a rumos, decisões ou posturas, novas diante de velhos problemas.

O Papa Francisco, que na viagem ao Brasil, revelou-se um desenvolto comunicador de massas, atuando com generoso carisma em defesa dos pobres e injustiçados, representando o papel que lhe cabe com a santidade acrescida da moderna instrumentalização cibernetica, um pontífice tweiteiro, antenado, cordial, apreciador de tango, alem de torcedor de futebol, não se furtou em responder às perguntas oportunas do jornalista da Globo News, o atento pernambucano Gerson Camarotti.

Tendo acompanhado os passos do ainda Cardeal Jorge Mario Bergoglio, antes e durante a realização do conclave em Roma, que o elegeu novo Papa, Camarotti publicou um livro relatando os bastidores da escolha do primeiro Papa Latino Americano e, com reverente profissionalismo, realizou a entrevista que tem sido reproduzida, no todo ou em partes, oferecendo pontos dignos de análises tanto religiosas, como politicas, ou até sob o ponto de vista psicologico, pois o homem que atende agora pela denominação de Papa Francisco, deixou-se observar em opiniões e questões não somente ligadas ao seu ofício publico de bispo de Roma, mas confidenciou, com simplicidade e sinceras palavras que preferiu morar na residência Santa Marta porque não gosta do isolamento e teria que buscar um psiquiatra, para superar a solidão.

Declaração inusitada para um religioso, a priori, mas, considerando-se que a própria entrevista conduziu-se pelo ineditismo no curso da estada do Papa em terras brasileiras, durante o evento católico da Jornada Mundial da Juventude, há, consequentemente, mérito, tanto por parte do entrevistado, destemido, claro, ciente do que devia ou podia dizer a cada instante dos 45 minutos de conversa, quanto do repórter, cuja habilidade em provocar respostas não evasivas, resgata, de certo modo, o prazer da comunicação menos marqueteira e mais humano-realista.

Os desdobramentos já se fazem soar, tanto no comportamento da imprensa credenciada que, no vôo de volta a Roma, pôde questionar Francisco em coletiva também recheada de respostas diretas e incisivas, quanto foi flagrante a inteligente sucessão do próprio Papa ao acrescentar novidades que apontam para mudanças na Cúria e nos olhares da Igreja de Roma para temas como lobby gay, comunhão aos divorciados, destino do banco do Vaticano, entre outros.

No seu blog, Camarotti conta que o pedido da entrevista, por meios oficiais, havia sido negado pelo Vaticano, mas, vias e fontes, concorreram para que lhe fosse dada a oportunidade de realiza-la, sendo que ao entregar um exemplar autografado do seu livro no início do encontro naquela tarde na residência do Sumaré no Rio de Janeiro, quem o surpreendeu foi Francisco, que lhe disse que havia lido vários trechos da obra e lhe fez uma pergunta:-“Como é que você sabe tanta coisa?”

Dali em diante, o Papa Francisco demonstrou , seguramente, que já assumiu o posto de um pauteiro fomentador de notícias que demandam, em contra-ponto, um contingente de jornalistas observadores em plantões ininterruptos, tendo em vista que novos tempos e novos rumos apontam simplicidade e humildade, mudanças e inesgotáveis temas para sacudir mídias viciadas com a acomodada previsibilidade, que Francisco, delicadamente, rompeu.

Como ele se auto definiu, indisciplinado em questões de segurança fisica, mostrou-se, sobretudo, destemido, com a exposição de idéias diante da surpresa do jornalista e do público em geral, a partir da conversa com o atento Gerson.

Maria Aparecida Torneros, jornalista, escritora, mora no Rio de Janeiro, de onde colabora com o BP .Este texto foi publicado originalmente no Blog da Cida

===============================
OPINIÃO POLÍTICA

Francisco e o Estado laico

O papa Francisco, na semana passada, no Brasil, disse com a mais absoluta clareza que o Estado deve ser laico. Houve gente apressada considerando isto uma novidade, uma mudança da posição da Igreja Católica Apostólica Romana. Análise errada.

Houve tempos em que a Igreja, como Instituição, não propunha um Estado laico, antes pelo contrário, chegou a submeter Estados a seu Poder e também a, mesmo não os dominando, obter deles grandes privilégios, por exemplo, o de ser a “religião oficial”, o que acarretava, como efeitos colaterais, outros privilégios.

Numa terceira situação, a Igreja Católica Apostólica Romana não dominava o Estado, nem era a “religião oficial”, mas tinha uma enorme influência e a usava para obter favores e também vantagens quando comparado o tratamento que lhe era deferido ao dado pelo Estado a outras confissões religiosas.
Hoje, nenhuma dessas três situações é realidade, ressalvado, claro, o caso do minúsculo Estado do Vaticano e o Irã. A Igreja Católica Apostólica Romana domina o Estado do Vaticano, ele é dela. E o Irã é do ayatollah Ali Khamenei.

Há uma outra situação notória, a da Igreja Anglicana, praticamente com os mesmos cânones da Católica Romana, mas que rompeu com o Papado para colocar-se, muito por imposição deste e falta de espírito de sacrifício e de coragem do clero inglês, sob o comando do rei ou rainha da Inglaterra. Há muito tempo que este comando é meramente formal e o chefe de fato da Igreja Anglicana, seu líder espiritual, é o arcebispo de Canterbury.

No Tibet, quando este era um país, havia um Estado em que o Dalai Lama era, a um só tempo, o governante e o líder espiritual. Portanto, correto dizer que não se tratava de um Estado laico, mas de um Estado que adotava uma determinada confissão religiosa. Embora o budismo tibetano, pelo seu conteúdo, jamais oprimiu adeptos de outras religiões ou ateus. Hoje, porém, o Tibet não é mais um Estado, com seu território ocupado pelos chineses e extinto como instituição estatal, anexado à República Popular da China mediante o emprego de força militar. O Dalai Lama, ex-chefe político e líder espiritual dos tibetanos (numa situação de quase escravos do regime chinês) vive há décadas exilado na Índia.

Já na Rússia mantém-se sem grande avanço o que imperava na extinta União Soviética: a Igreja Ortodoxa Russa, inicial e longamente perseguida pelo totalitarismo comunista, não laico, mas ateu militante por doutrina e prática, transformou-se em um braço religioso absolutamente controlado pelos soviéticos (o Estado pagava os salários dos padres e estes, pode-se intuir, trabalhavam para o Estado) e hoje, embora com laços mais afrouxados, ainda é, como instituição, subserviente ao Estado russo.

O que Francisco disse no Brasil é, em relação à Igreja Católica Apostólica Romana, a afirmação de uma posição e de uma situação real já de todos conhecida. Para esta Igreja, o Estado deve ser laico e é assim que ela o quer. O Estado não tem de ser ateu nem religioso, católico, protestante, israelita, islâmico, espírita, xintoísta, hinduísta, budista, ou adotar quaisquer outras confissões religiosas aqui não citadas por serem muito numerosas.

Ao fazer clara e firme defesa do Estado laico, o papa Francisco certamente teve objetivos que vão além de uma simples afirmação da posição da instituição sob sua gerência. Um deles: quis advertir para que o Estado não se imiscua na consciência religiosa das pessoas, inclusive das pessoas contribuintes de tributos – como seria o caso, se a presidente Dilma Rousseff não vetar esse projeto há pouco aprovado pelo Congresso, que para passar despercebido nas votações, escondeu na redação dissimulada sua essência assassina contra inocentes indefesos, os seres humanos no ventre de suas mães.
Outro: quis chamar a atenção para o avanço acelerado, em países de predominância islâmica, de Estados que se entregam ao islamismo e, a partir disso, impõem à força um modo de vida regido pelas leis islâmicas aos cidadãos que tem outras crenças ou que não têm crenças religiosas. E, próximo passo que em vários lugares já está sendo dado, perseguem os não islâmicos. Como o comunismo – a praga política do século XX –, onde dominou, perseguia os que estavam em desacordo com ele, assim como fizeram, por menos tempo, graças a Deus, mas de modo igualmente espetacular, os nazistas de Hitler.

jul
30
Posted on 30-07-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-07-2013


===================================
Sid, hoje, no portal Metro1

  • Arquivos