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OPINIÃO POLÍTICA

A recepção ao papa

Ivan de Carvalho

A presidente Dilma Rousseff, por força do cargo e certamente sem perder de vista o que isso pode lhe dar de bônus político numa hora de tanta aflição pela abrupta e espetacular queda de popularidade, esteve ontem grudando no papa Francisco nas ocasiões que a agenda lhe permitiu – no desembarque de Francisco no aeroporto, e, no Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro, numa rápida solenidade em que os dois fizeram discursos protocolares, numa conversa reservada que se seguiu e depois em uma recepção para 650 convidados, segundo informou o governo fluminense.

Aí a coisa já ficou esquisita. A recepção ou coquetel pareceu superfaturada. Digo que pareceu, pois não foi feita uma investigação formal e não se sabe de fato o que aconteceu. Mas se houve superfaturamento, o responsável é o governo do Rio de Janeiro, dirigido pelo governador Sérgio Cabral, o da “dança do guardanapo” e os custos – os normais, acrescidos dos anormais, serão cobrados dos contribuintes fluminenses.

Certamente, por exigência do papa Francisco (podem apostar que foi por isto, do contrário algo como um banquete teria acontecido), o bufê da recepção ao papa, segundo informou o Palácio Guanabara, foi composto apenas de café, água e biscoitos. O jornal Folha de S. Paulo, assinala que a recepção foi contratada por R$ 850 mil. Dividiu isso pelos 650 convidados chego-se à conclusão aritmética de que cada um deles terá custado R$ 1.307,6923 (a calculadora que usei não é capaz de apresentar mais algarismos). Mas vamos resumir: cada convidado saiu por R$ 1.300.

Bem, o jornal citado divulgou que uma recepção em que são servidas entradas, coquetéis, saladas, prato principal e sobremesa, o hotel Copacabana Palace, que fica na zona sul do Rio – e é de alto luxo e tradição – cobra “em torno de R$ 250 por pessoa”.

Rememorando: café, água e biscoitos, no Palácio Guanabara, que é estatal, custam, para um convidado, R$ 1300. Já no Copacabana Palace, que é privado e visa ao lucro, entrada, coquetel, salada, prato quente e sobremesa custam, para uma pessoa, cerca de R$ 250.

O Palácio Guanabara informou que a empresa responsável pela recepção foi escolhida por licitação. Sem mais detalhes sobre a licitação, salvo o nome da empresa, Cenários e Cenas. A Folha de S. Paulo dá conta de que tentou entrar em contato com a empresa, mas não localizou site, e-mail ou telefone. Essa empresa parece ser bem mais sigilosa que a NSA – a Agência Nacional de Segurança cuja ação de espionagem global foi denunciada por Edward Snowden.

Ah, bem. Para completar essa história maravilhosa, a Folha de S. Paulo afirma o seguinte: “A assessoria do governo do Estado do Rio informou que o gasto com o bufê é de apenas R$ 8 mil, o que daria um custo de cerca de R$ 12 reais por convidado. Mas não soube informar em que foram gastos os outros R$ 842 mil pagos pelo governo”.
MÉDICOS – Médicos de todo o país farão, nesta terça-feira, manifestações contra os vetos da presidente Dilma Rousseff ao Ato Médico, contra o plano de importação de médicos estrangeiros, se o governo achar necessário e contra a invenção autoritária do trabalho forçado (e mal remunerado), durante dois anos, nas ações de base do sistema público de saúde para os estudantes que concluem o curso de medicina, não importa se em escolas públicas ou privadas, nem se estudaram gratuitamente com o dinheiro dos contribuintes ou pagaram seu curso.
Paralisação da categoria médica é um completo absurdo, já escrevi isto dezenas de vezes ao longo de anos, mas nunca será demais repetir isto. Se repeti agora é porque, em alguns Estados, haverá hoje uma paralisação dos atendimentos nas redes pública e privada, incluindo clientes dos planos de saúde, excetuando-se apenas urgências e emergências. Em Salvador, uma iniciativa inteligente: em frente ao Shopping Iguatemi, a partir das 14 horas, uma “feira de saúde” vai prestar atendimento médico gratuito às pessoas e uma exposição de fotos vai mostrar as más condições das unidades de saúde. Depois haverá uma caminhada pelas avenidas Tancredo Neves e Magalhães Neto

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