DEU NO JANGADA BRASIL

Escritor, músico e cineasta, ele diz que seus contemporâneos sumiram e celebra o contato com os jovens. Cinco discos de sua autoria foram remasterizados

Ailton Magioli

EM Cultura

Longe de querer se tornar um retrato na parede, aos 81 anos, Sérgio Ricardo comemora a proximidade de sua música com a juventude, em especial a parceria com o carioca Marcelo Caldi, de 33 anos. “Minhas canções pelo menos funcionam com jovens, não são obra do passado,” afirma. O cantor, compositor, cineasta e escritor, paralelamente à conclusão do primeiro romance (Igarandé: uma aldeia de dois caminhos), tem os cinco primeiros discos remasterizados pelo selo Discobertas.

Além do surpreendente instrumental Dançante nº 1 e de dois álbuns de bossa romântica, que ele lançou via Odeon, nos anos 1960, o box traz as lendárias trilhas que Sérgio compôs para Deus e o diabo na terra do sol (1963), de Glauber Rocha, e Esse mundo é meu, do ano seguinte, de sua própria autoria. Para ele, escrever um romance foi o caminho natural para quem mexe com cinema, meio em que, além de escrever roteiros, há que se saber lidar com dramaturgia.

“Por que não um romance?”, interroga-se, vislumbrando inclusive adaptação do futuro livro, ainda sem editora, para as telas. Anteriormente, ele havia publicado o livro de poesia Elo, ela; Quem quebrou meu violão, no qual faz análise pessoal da cultura brasileira; e O elefante adormecido, espécie de cordel sobre o país, voltado para o público infantojuvenil. A propósito da rejeição ao passado, o próprio episódio do violão quebrado e jogado ao público, no festival de 1967, é solenemente ignorado pelo artista. “É bom não falar dessa história, que não tem mais novidade. Já nem sei o que ocorreu, de tanto que se tem contado”, desconversa.

Empolgado com a remasterização da discografia, Sérgio Ricardo lembra que a música foi o seu carro-chefe em termos de concentração. “É a única vertente do meu trabalho que não desprezei”, diz, lembrando que enquanto o cinema depende de dinheiro e gente, a música flui sozinha. Sérgio, que começou como pianista da noite carioca, em uma boate do antológico Beco das Garrafas, gravou o primeiro disco no instrumento certo de que levaria o gênero adiante. “Um dia, a dona da boate cismou que eu tinha de cantar. Daí para a frente, comecei a explorar outras vertentes”, recorda, salientando o fato de “o provável” Dançante nº 2 jamais ter aparecido na carreira.

A bossa nova foi muito importante na trajetória do músico. “Johny Alf, João Donato e eu armamos a cama para a bossa. Então, é natural que ela tenha sido importante em minha trajetória, assim como fui para ela”. A inclusão de Zelão já no disco A bossa romântica de Sérgio Ricardo, no entanto, indicou o caminho da participação política do artista, que trocou a bossa nova pela música de protesto. “Tom Jobim deu o salto qualitativo e quantitativo da bossa, enquanto João Gilberto cuidava dos detalhes da batida e da rítmica do violão”, pondera, atribuindo aos dois a transformação da MPB.

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Comentários

vangelis on 23 julho, 2013 at 11:33 #

Folha de papel, essa bela canção é velha conhecida como a melô do pó. “Voa, voa, voa, vai voar, nos somos o papel a voar…” hahahahahahaha


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