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DEU NO ESTADÃO

Antonio Pita / RIO

Responsável por impulsionar carreira de diversas top models internacionais, o agente John Casablancas, de 70 anos, morreu na manhã deste sábado, 21, em sua casa no Rio de Janeiro, vítima de câncer. Ao longo do ano, ele esteve internado duas vezes no Hospital Samaritano, para tratamento contra a doença. O corpo do agente será cremado neste domingo, às 13h, no Memorial do Carmo, no Rio de Janeiro.

Criador da agência Elite Models, Casablancas trabalhou no agenciamento de modelos como Gisele Bündchen, Cindy Crawford, Claudia Schiffer e Naomi Campbell. Nascido em Nova York e criado na Suíça, ele fundou a agência em 1972, onde trabalhou até o ano 2000. Em 2009, havia fundado outra agência de representação de modelos, onde trabalhava atualmente. Pai de cinco filhos, ele era casado há mais de 20 anos com a modelo brasileira Aline Casablancas.

Seu filho Fernando Augusto Casablancas prestou homenagem ao pai nas redes sociais. “Se foi hoje um amigo, um amor, um pai. Posso dizer que, é claro, sinto muita tristeza quando se vem a dizer adeus. Sim, o mundo perde hoje um batalhador, mas o paraíso ganha mais um anjo”, publicou. John também era pai de Julian Casablancas, vocalista da banda The Strokes.

Em sua biografia, “Vida Modelo”, lançada em 2008, ele se dizia uma pessoa “hedonista” e não escondeu uma mágoa com a top Giselle Bündchen. Segundo Casablancas, ela abandonou sua agência quando começou a fazer sucesso internacionalmente. No livro, ele ainda criticava o universo onde trabalhava. “Levar a moda a sério é ridículo”, afirmou.

jul
20

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Assis Valente e a espionagem americana

Janio Ferreira Soares

Não entendo o porquê de tanta surpresa por causa dessa atual bisbilhotagem dos Estados Unidos em nossos costados se, desde 1940, o genial compositor santamarense, Assis Valente, já dizia que o Tio Sam não só estava querendo conhecer a nossa batucada, como andou dizendo que o molho da baiana melhorou seu prato, o que o levou a querer entrar abaixadinho no cuscuz, no acarajé e no abará, chegando ao ponto de, pasme, arriscar alguns passos de samba pelos corredores da Casa Branca, conhecida nas quebradas estadunidenses como a casa de Ioiô e Iaiá. Portanto, nada mais natural que os americanos permaneçam espionando nossas peculiaridades, apesar de não haver mais nada por essas bandas que valha a pena ser curiado – muito menos invejado.

Diferente de hoje, os relatórios preparados pelos espiões na época em que a nossa gente bronzeada estava perdendo a vergonha de reunir os seus valores para mostrá-los ao mundo através do batuque e do pandeiro, seguramente deixavam os ianques babando. Também pudera. Eles narravam um tempo em que a Bahia se oferecia aos estrangeiros como um desses retratos em branco e preto imortalizados nos livros de Pierre Verger e na memória de quem teve o privilégio de conhecê-la, com seus bondes chispando trilhos e suas provocantes morenas cheirando a Cashmere Bouquet e a fragrâncias alavandadas, doces prenúncios de que logo mais o Tabariz estaria lotado de fantasias e desejos pecaminosos.

Com a conhecida competência de seus agentes, decerto eles já sabiam que aquela rapaziada que vivia jogando conversa fora no pátio do Colégio Central, nos bares e nas matinês do Cinema Olympia, revolucionaria a literatura, o cinema, a música e as artes em geral, exportando para o mundo o nosso famoso jeito até então restrito à província, felizmente preservado em negativos, livros e canções, que servirão de provas indiscutíveis quando a mediocridade atual reinar absoluta sobre os mares e campos baianos, e quiser esconder das futuras gerações que um dia houve uma cidade que toda cidade do mundo sonhava ser.

http://youtu.be/eBO_qbm5y2U

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Garimpagem e sugestão de vídeo da jornalista e escritora Cida Torneros, amiga e colaboradora do Bahia em Pauta, que mora no Rio de Janeiro.

BP agradece e canta! Cantem com a genta!

(Vitor Hugo Soares)


Ilustração:Alves/Folha

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DEU NA FOLHA DE S. PAULO

NELSON BARROS NETO
DE SALVADOR

Com um dos Estados mais violentos do Brasil para lidar, a Polícia Militar da Bahia ainda enfrenta outro problema: a “síndrome do sargento Garcia”, o militar obeso das histórias do herói mascarado Zorro.

O fato é: a tropa está acima do peso, à beira da obesidade.

Os dados estão em estudo feito pela própria corporação nos últimos cinco anos com 6.200 policiais (19% do total).

Avaliações físicas apontaram que o IMC (Índice de Massa Corporal) médio da tropa é de 29,5. Para a OMS (Organização Mundial de Saúde), valores entre 25 e 29,9 indicam sobrepeso; a partir daí, a pessoa já é tratada como obesa “leve”.

“A situação é preocupante”, diz o coronel Nelson Ribeiro, do departamento de saúde, que montou uma espécie de spa para emagrecer os PMs.

Policiais “gordinhos”, na avaliação do comando da corporação, têm dificuldades para perseguir bandidos, carregar armamento pesado, atirar com precisão e até entrar e sair dos veículos. Pior quando o serviço se dá numa cidade famosa pelas ladeiras.

Policiais afirmaram à Folha, sob condição de anonimato, não terem tempo nem disposição para exercícios fora do expediente, período que costumam reservar a “bicos” como seguranças.

Como razões do sobrepeso, citam os já tradicionais lanches de graça que conseguem durante as rondas, de comerciantes que permitem “acesso livre” por medo de terem áreas desprotegidas.

O “spa”, criado pelo comando no ano passado, é uma clínica que promove programas de “reeducação alimentar e psicológica”. Os policiais ficam de quatro a seis meses fora do expediente normal: frequentam o espaço de dia e voltam para casa à noite.

As turmas têm limite de 50 vagas, e o atendimento ocorre mediante procura individual ou indicação de superiores. A corporação não deu detalhes sobre a dieta e as atividades físicas oferecidas.

“Não podemos deixar que se alcance um estágio de obesidade mórbida”, afirmou o coronel Nelson Ribeiro, que finaliza projeto para submeter os PMs a dois check-ups anuais.

A PM da Bahia informou, via assessoria, que os policiais fazem exercícios e exames médicos dentro de “diversos cursos de atualização e especialização”. Afirmou ainda que a tropa recebe auxílio-alimentação de R$ 199 para refeições necessárias ao longo do serviço.

jul
20
Posted on 20-07-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 20-07-2013

Nani, este domindo (20), no site A Charge Online

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ARTIGO DA SEMANA

Catedrais e terreiros na mesa política

Vitor Hugo Soares

A panela de pressão nacional ferve intensamente no Rio de Janeiro, nas vésperas do papa Francisco desembarcar em visita histórica à Cidade Maravilhosa. É simbólico e intrigante ver os protestos e tumultos que sacodem nestes dias o bairro do Leblon e as reações que provocam de todo lado e de todo tipo, mesmo as mais esdrúxulas, cínicas e descabidas.

É, no mínimo, desconcertante ver o festejado éden de convivência carioca e objeto de desejo de legiões de brasileiros e estrangeiros, de todas as partes, que passam ou residem entre a Avenida Ataulfo de Paiva e a praia badalada desde os anos 70, transformado em caótica praça de guerra. As imagens chocam e mexem com nervos e emoções das ruas, do poder, da política e da segurança.

Neste contexto, a expectativa da passagem do Papa pelo Rio conflagrado – sensação térmica de quase 40 graus neste estranho inverno brasileiro -, amplia, e muito, a ressonância de sentimentos e reações ambivalentes que há meses circulam e ecoam nas praças, nas redes sociais, na TV e jornais. Rugidos que voltam a incomodar e despertam atenções aqui e lá fora.

A voz das ruas parece celebrar com fé e renovado sopro de esperanças (postas no lugar de outras que se perderam, como na canção de Paulo Cesar Pinheiro e Ivan Lins) a vinda de Francisco. Na ponta oposta da corrente, o poder encastelado em Brasília e em suas cortes estaduais de todo tipo e matiz, dá sinais explícitos de andar às tontas, assombrado diante do que poderá fazer e dizer o carismático e imprevisível visitante nos dias que passará na cidade do Cristo Redentor.

Tudo pode acontecer. Neste caso, o mais improvável é que não aconteça nada. Com sua colossal estatura religiosa e ética, mas também política e participante (que ninguém se engane), aliados a uma inegável capacidade de mexer com as emoções de seu rebanho (e de outros), o papa Francisco vem participar do Encontro Mundial da Juventude no Rio de Janeiro.

Ou seja, o pontífice pisará em período crucial no território que virou epicentro da crise de poder, de ética e de falta de rumo e diretrizes confiáveis no Brasil. Mas também na América Latina e muitas outras partes do planeta – salvo raríssimas e honrosas exceções. A expectativa, portanto, se multiplica ainda mais.

É ingênuo pensar que o Papa Francisco, o argentino polêmico da Ordem dos Jesuítas, fará em vão sua primeira peregrinação desde que assumiu o trono de Pedro. No Rio, em Brasília ou em Salvador no ambiente destes dias, não é difícil verificar e prever o quanto de esperanças e de preocupações, ao mesmo tempo, provoca a simples perspectiva da chegada do líder de tamanha envergadura.

Além das cenas dramáticas do Leblon, duas imagens de conteúdo aparentemente religioso e ecumênico – uma no Palácio do Planalto e a outra na Governadoria do Estado da Bahia – assinalaram isto, exemplarmente esta, semana. Elas expõem com nitidez (apesar das tentativas de disfarce) o forte conteúdo político da presença de Francisco no meio do furacão social que sacode o país e assombra muita gente, principalmente a que povoa os governos, o Congresso e o mundo dos negócios nebulosos e das mais estranhas transações.

Em Brasília, a cena que correu o mundo nas telas da TV e nas páginas dos diários impressos e da web: A presidente Dilma Rousseff – pilha de nervos ambulante – abre um sorriso nervoso. Bate palmas e entoa hinos e canções, cercada por pastoras e bispas evangélicas além de estrelas do canto gospel, do porte da baiana Mara Maravilha. Ao lado, sorriso enigmático, o dublê de bispo e ministro da Pesca no governo petista, Marcelo Crivella, observa o cenário.

Em Salvador, no Centro Administrativo da Bahia, uma cena aparentemente mais circunspecta e grave, mas obviamente com o mesmo sentido e propósitos político e midiático. O governador petista Jaques Wagner, um seguidor da religião judaica, se reúne com líderes religiosos na terra de todos os santos e de quase todos os pecados, como assinalava o saudoso cronista Nelson Gallo.

Uma foto do encontro, publicada no jornal “A Tarde”, mostra em destaque, na frente do governador, três figuras honoráveis das catedrais, terreiros e centros de cultos: a Ialorixá Mãe Stella de Oxóssi – recentemente eleita, por mérito intelectual e justiça, para ocupar uma das cadeira da Academia de Letras da Bahia -, o arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, cardeal dom Dom Murilo Krieger, e o líder e teórico do espiritismo no estado, José Medrado.

Diante da cena, impossível não recordar, mal comparando, dos tempos cavernosos da ditadura militar. Então, a cada crise política e social mais braba, um conselho se impunha e se espalhava nos gabinetes do governo, nos ambientes parlamentares, nas redações da “grande imprensa” e até nos meios empresariais mais improváveis: “Está na hora de ouvir Dom Avelar”.

Naquele tempo, o sábio religioso católico e hábil negociador político nascido em Alagoas, era o arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil. Praticamente nada se fazia na Bahia sem antes escutar a sua palavra, ainda que às vezes por mera formalidade. Mesmo no período em que quem mandava na Bahia era o todo poderoso Antonio Carlos Magalhães.

Na quarta-feira, 17, dois dias depois do encontro com o governador Jaques Wagner, a líder do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, Maria Stella de Azevedo Santos, a Mãe Stella, assinava sábias e significativas palavras em seu artigo no jornal A Tarde, publicado com o sugestivo título: “Cuidado! Perigo”.

Vale transcrever o parágrafo de abertura do texto de Mãe Stella para encerrar este artigo.

“Sempre fui alertada pelos meus orientadores espirituais a ter cuidado, em minha caminhada religiosa, ou melhor, em minha jornada de vida, com três importantes “coisas”, que quando utilizadas de maneira não consciente podem arruinar todo um processo. Ouvi e hoje digo: Cuidado, muito cuidado, com sexo, dinheiro e poder”.

Magníficas palavras! Dignas de reflexão antes do Papa Francisco descer no Rio de Janeiro.

Vitor Hugo Soares é jornalista, edita o site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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A Gente Merece Ser Feliz
(Ivan Lins e Paulo César Pinheiro)

Tudo que eu fiz
Foi ouvir o que o meu peito diz:
“Que apesar de tanta magoa
Vale a pena toda luta
Para ser feliz”
Tudo que eu fiz foi seguir a mesma diretriz
Confiando e acreditando
Que na vida todo mundo pode ser feliz
É preciso crer no coração
Porque se não
Não tem razão de se viver
E eu quero ver
Nascer um tempo bom
Meu peito diz:
“Coracao da gente é igual pais”
Não deu certo uma mudanca, você muda de esperança

Porque a gente merece ser feliz

Tudo que eu fiz
Foi ouvir o que o meu peito diz:
“Que apesar de tada magoa
Vale a pena toda luta
Para ser feliz”
Tudo que eu fiz foi seguir a mesma diretriz
Confiando e acreditando
Que na vida todo mundo pode ser feliz
É preciso crer no coração
Porque se não
Não tem razão de se viver
E eu quero ver
Nascer um tempo bom
Meu peito diz:
“Coracao da gente é igual pais”
Não deu certo uma mudanca, você muda de esperança

Porque a gente merece ser feliz

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E vamos que vamos, minha gente, porque o coração da rua é imenso e sempre cabe mais um. Do Leblon ao PalÔ.

BOM SÁBADO!

(Vitor Hugo Soares)

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OPINIÃO POLÍTICA
Os vândalos

Ivan de Carvalho

Coisas estranhas estão acontecendo no Brasil. Uma delas são os vândalos. Eles saltaram da história, onde estiveram fazendo consideráveis estragos nos domínios de Roma, na Gália e na península ibérica – de modo que isto nos põe, até certo ponto, como descendentes deles – diretamente para infernizar as manifestações de rua pacíficas realizadas no Brasil em junho e permitir que a mídia dividisse os manifestantes em duas categorias, os bons, pacíficos, e os maus, vândalos. É verdade que poderiam chamar a estes também de bárbaros, mongóis, capadócios, cretinos, hunos, filisteus, ou de qualquer outro grupo histórico de humanos, em alguma ocasião, predadores. Mas a mídia fixou-se nos vândalos e daí não arredou pé.

E quando parecia que estavam entrando em férias, retornam os vândalos tentando resgatar, do lixo político em que mergulhara o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, do PMDB petista. Aproveitaram-se de uma grande “manifestação pacífica” em frente ao prédio em que reside o governador, no sofisticado bairro carioca do Leblon, e no final entraram em ação para – graças à inacreditável falha do grande aparato policial montado para proteger o prédio, realizar um quebra-quebra cujo único sentido imaginável seria transformar o governador de réu em vítima e ajudá-lo no esforço de recuperar-se política e popularmente, ele que vinha tendo sua saída do Leblon exigida pelos vizinhos, que não gostavam da movimentação bélica atraída pelos protestos quase permanentes ante à residência dele.

Mas vão-se os vândalos cabralinos e os de tantas outras “manifestações pacíficas” para que possa ocupar o palco um outro vândalo, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, do PMDB, partido que está, no momento, muito mal relacionado com o governo do qual é o principal aliado no Congresso. Alves está propondo uma ação do mais severo vandalismo no ministério da presidente Dilma Rousseff. Pede que sejam reduzidos de 39 para 25 os cargos de ministro, com o que 14 seriam alijados. Um horror, que atingiria fortemente, e em um momento de extrema aflição, a política de quinhões adotada ante a queda do Mensalão e incrementada a partir de 2011 por Dilma Rousseff. Estratégia para acomodar os partidos aliados e, em aguns casos, suas correntes internas – a começar pelas correntes internas do PT, o partido governante.

O governador Jaques Wagner, em entrevista ao jornal A Tarde, qualificou de “discurso da direita” a proposta do presidente da Câmara federal, explicando que o discurso do que ele, governador, chama de “direita” é de “menos Estado”, enquanto o que a rua está pedindo é “mais presença do Estado e não menos”. Bem, evidentemente a rua está pedindo mais eficiência do Estado nos setores de saúde, segurança pública, educação, na ação para melhorar o transporte coletivo, principalmente urbano e em outros serviços públicos, mas tudo isto pode ser feito sem o exagero de 39 ministérios. Ou mesmo de 25.

O governador não sabe e também eu não sei como o deputado Henrique Eduardo Alves fez essa conta sobre o número de ministérios que julga adequado, mas tenho a impressão (não é uma conta, é uma intuição, indiscutível por sua própria natureza) de que aquele número de ministérios que o presidente da Câmara sugere extinguir – os 14 – pode ser um bom número para os ministérios que permaneceriam. O governo Collor tinha apenas 12.

Claro que as funções de muitos dos ministérios (considerando apenas os que verdadeiramente têm funções) que fossem extintos seriam absorvidas pelos que não fossem. Também poderia haver fusões. Mas…
Mas, nada. A presidente pode mudar um ministro aqui, outro ali, trocar seis por meia dúzia, quem sabe até mexer na equipe econômica, que chega a dar pena de tão fraquinha, mas redução expressiva do número de ministérios, nem pensar. E o presidente da Câmara sabe disso. Ele pede a redução para passar a impressão de que a presidente não tem coragem de fazer, da mesma forma que Dilma e o PT insistem no plebiscito inviável para o que chamam de reforma política. Querem passar a ideia de que o Congresso recusa-se a dar “voz ao povo”, perguntando-lhe formalmente o que quer.

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