Cisternas para a seca viram pó em Maracás
Fotos:blog Vandinho Maracás

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OPINIÃO POLÍTICA
A água e o fogo
Ivan de Carvalho

A água e o fogo não costumam se dar bem.. Muito menos em Maracás. Tudo começou com um convênio, no valor de R$ 23 milhões, assinado entre o Ministério da Integração Nacional e a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional, segundo se depreende de reportagem da Tribuna da Bahia (reproduzida pelo blog Bahia em Pauta). Assim, ficamos sem saber a quem atribuir a culpa, se ao governo federal, se ao estadual, pelo incêndio de mais de mil cisternas de fibra plástica. Mas talvez não seja um caso tão aparentemente complicado quanto o do mosquito da dengue, que até hoje ninguém sabe ao certo se é federal, estadual, municipal ou individual, nativo ou alienígena.

No caso do mosquito, não há, por motivos óbvios, como se eximirem de responsabilidade os governos federal, estaduais e municipais, nem os indivíduos negligentes, preguiçosos ou ignorantes (quanto aos ignorantes já há responsabilidade estatal solidária, pois não foi dada educação adequada sobre a questão) que deixam prosperar viveiros de larvas do mosquito em seus quintais, casas e até apartamentos.

Assim, está clara a responsabilidade pela proliferação do mosquito da dengue e, consequentemente, dessa doença, como, eventualmente, da febre amarela. É dos governos federal, estaduais e municipais e dos indivíduos negligentes, preguiçosos ou ignorantes. Daí pode se retirar uma conclusão – não tem jeito. Ainda mais que, possívelmente, esse mosquito nem é nacional, mas um alienígena, um imigrante invasor – o nome Aedes Aegypti é bastante sugestivo –, que não se sabe como (voando não deve ter sido, morreria de fome e cansaço no caminho) atravessou o Atlântico e ocupou nosso país.

Já no caso das cisternas, de três coisas se sabem. E a primeira delas é a de que não foram os moradores da zona rural do semiárido brasileiro que escolheram cisternas de polietileno. Quando elas começaram a ser instaladas, não foram poucas as que, misteriosamente – talvez haja sido o calor, pois pode algum burocrata ou fabricante haver presumido que no semiárido o clima é sempre frio, quase glacial – sofreram surpreendentes deformações. Em Crateús, no Ceará, houve protestos de produtores e residentes da zona rural. E muitos outros lugares, insatisfação ou preocupação.

Não queriam cisternas plásticas deformáveis, mas as de concreto, usadas antes das de fibra plástica, que, além de entortarem, custam mais do dobro do preço das de concreto. E as de fibra plástica, embora exibindo seu caráter autodeformante, não haviam ainda revelado a tendência piromaníaca que agora as cisternas de Maracá puseram a nu. O incêndio, de causa ainda desconhecida (o culpado não parece ter sido o Sol, o fogo começou às 21 horas), consumiu mais de mil. Para ser exata, a Tribuna da Bahia recorreu ao blog Vandinho Maracás, segundo o qual das 1.345 cisternas, apenas 70 foram salvas por pessoas “que desafiaram as chamas”.

BATE CORAÇÃO – Pouco depois de, em junho, grandes manifestações populares exigirem melhores serviços públicos no país e apesar do governo da presidente Dilma Rousseff – em que pesem o remelexo e a zoada que está a fazer – continuar sem aceitar destinar dez por cento da receita bruta da União para o setor de saúde (um dos quatro setores mais destacados nas manifestações, ao lado dos transportes públicos, da segurança pública e da educação), um passo importante acaba de ser dado. O blog Gama Livre informou ontem que o Ministério Público Federal, em Uberlândia, Minas Gerais, obteve liminar na Ação Civil Pública nº 7976-76.2013.4.01.3803, obrigando os entes gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) – Município, Estado e União – a fornecerem a uma paciente de 67 anos o “stent farmacológico”, que serve para a desobstruir artérias e mantê-las desobstruídas. Seu médico recomendou a colocação de “stents farmacológicos”, que não são fornecidos pelo SUS. Este fornece apenas o chamado stent “convencional”, muito mais barato e uma velharia, totalmente superado, pois o risco de reestenose (novo entupimento no mesmo trecho da artéria em que ele é posto é incomparavelmente maior do que quando usado o “stent farmacológico”, dispositivo de metal que vem impregnado com uma substância que reduz drásticamente o risco de reestenose). O juiz federal determinou que, não havendo condições de fazer a angioplastia (procedimento para colocação dos stents) em hospital público, que se faça em hospital privado por conta do SUS.

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