Wagner: na mesa de discussão com Mãe Stella, Dom Kriege
e o líder espírita José Medrado.

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DEU NO JORNAL A TARDE

Transparência, combate à corrupção e uma distribuição democrática das riquezas do País. É esta a receita que o arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, recomenda aos governantes para atender o “clamor das ruas”, que pede “mudança na política”.

A sugestão do arcebispo foi feita, na noite desta segunda-feira, 15, ao término do encontro que o governador Jaques Wagner (PT) promoveu com lideranças religiosas da Bahia. Participaram representantes do candomblé, da Sociedade Israelita, Federação Espírita, Assembleia de Deus, igrejas Presbiteriana, Quadrangular, e a Maçonaria.

Dom Krieger cobrou dos governos uma maior transparência. “O povo trabalha, paga impostos, mas quer saber onde ele é aplicado”, disse ele, que apontou, ainda, a “honestidade” dos governantes como uma prioridade.

“Não se admite mais a corrupção. As pessoas não aceitam que usem o seu direito para um benefício pessoal”, advertiu ele. Para o religioso, é esse o sentimento que é fortemente expresso nas mobilizações populares, deflagradas em todo o País.

Dom Krieger, que considerou positivo o governador reunir em uma mesma mesa pessoas de formações religiosas tão diversas, disse que existe um problema estrutural na sociedade, que cobra uma mudança de mentalidade das pessoas em geral, e dos governos em particular.

“O Brasil tem que mudar, ser mais honesto, mais justo e, ao mesmo tempo, fazer com que as riquezas do País atinjam a todos de uma maneira mais democrática e não apenas beneficiando minorias”, assinalou o arcebispo.

O fundador da Cidade da Luz, o espírita José Medrado, destacou que o importante é o poder público dar “ressonância” aos “gritos” que vêm das ruas. “O modus operandi político tem que se adequar (às mudanças cobradas), e não se acomodar, alegando que sempre foi assim, que sempre houve a corrupção”.

Medrado entende que há uma “vulgarização” e uma “desfaçatez” da corrupção. “Eu faço, faço mesmo e pronto”, criticou ele, ao se referir à resposta que o presidente do Senador ,Renan Calheiros (PMDB-AL) deu ao ser questionado sobre o uso de avião da FAB para comparecer a um casamento em Porto Seguro.

“Penso que neste instante, este tipo de acinte é o motivador dessas manifestações. Não apenas as necessidades agregadas na área de educação, de Saúde”, disse.

Desafio – O governador Jaques Wagner afirmou que o diálogo tem sido importante para promover o fortalecimento da democracia. “Toda vez que você está perante um desafio, que ninguém tem ainda a clareza para interpretar ou fazer diagnóstico, a sabedoria diz que, quanto mais ouvir, melhor”.

Wagner já se reuniu com integrantes da seccional baiana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-BA), Associação Baiana de Imprensa (ABI), Sinjorba, centrais sindicais, associações profissionais e entidades empresariais.

A cada reunião, disse o governador, não se tem uma resposta concreta, mas se agrega mais contribuição para a reflexão do momento. Sobre as “vozes da rua”, o governador disse que nem “idolatra” nem “condena”.

“É uma forma de participação da democracia direta. O que precisa saber é como a gente responde a esta demanda sem criar ilusões, sem hipocrisia, sendo muito verdadeiro, para que a gente possa fazer uma caminhada de fortalecimento da democracia”, ponderou Wagner.

O babalorixá do Ilê Axé Opô Ogunjá, Jadilson Lopes, disse que foi levar o clamor da sua “senzala” e cobrou maior apoio do Estado em obras sociais das Casas de Santo.

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