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Silêncio Futebol Clube

Gilson Nogueira

O futebol, assim como o coração, tem razões que a própria razão desconhece. Uma delas, fazer-me gostar de um ou mais times, mesmo não sendo deles torcedor. É o que acontece, agora, no espaço reservado às minhas paixões clubísticas, onde reina soberano o Esporte Clube Bahia, com o Galícia, o Demolidor de Campeões.

O time da colônia espanhola de Salvador acaba de retornar à Primeira Divisão do Campeonato Baiano de Futebol! A Galícia, lá e cá, sorri. Viva!!!
A Plaza de Toros Monumental da cada um veste-se de azul e branco e grita olé!!!
Com o Ypiranga, o Botafogo, o São Cristóvão e o Guarany, dá-se o mesmo fenômeno apaixonístico. Sou, em síntese, um torneio início de emoções, em carne e osso. E alma. O Galícia poderá significar o começo de um novo tempo!

A torcida que não quer calar da Boa Terra não aceita o fato de haverem-lhe roubado o palco de suas paixões. Por isso, sinto rondar minha cabeça e arquibancadas, ruas, campos vazios, uma voz em busca de um estádio de futebol, onde ela possa gritar solta sem ter que obedecer aos caprichos de mauricinhos da mamata da hora e a rituais que conflitam com a cultura da bola, como se emoção para sair pelos poros tivesse que seguir códigos de controle de qualidade ditados por quem nunca misturou-se ao povo.

A imbecilidade sentou nas poltronas excludentes da Fonte Nova para torcer por um gol como se estivesse assistindo torneio de tênis! Com direito a palmas e caras e bocas de gente que não conhece o que é viajar de ônibus, no centro da capital do berimbau, com cheiro de suor de gente na cara e, desse modo, literalmente, orgulhar-se de ser igual a ela.
Eu sou!
E, também, o torcedor que se perdeu no espaço. O que recorre a fantasias, no palpitar febril da adoração por cores e escudos de times baanos, querendo, de novo, cantar um gol com a bunda no cimento. Longe das elites de merda.
Há um grito de gol e de é campeão que não arreda pé do entorno onde localizava-se o Campo da Graça. O mesmo acontece em volta do inesquecível Estádio Octávio Mangabeira, agora chamado de Arena ( Valha-me Deus!),o olimpo da bola em que habitam os Maritos que nunca morreram. Onde, no silêncio de uma tarde sem redes nas traves, passeiam, de mãos dadas, na ciranda da história, os campeões que o coração não esqueceu.
Em nome da legítima tradição de torcer com a alma, ao tempo em que sorrio junto com os torcedores do Azulino, pelo grande feito, conclamo os geraldinos da vida a uma passeata, em um dia qualquer do ano que corre, para fazer do silêncio, no centro da cidade, um grito de revolta contra a morte do torcedor da Fonte Nova. Arena Fonte Nova é o cacete!!! Torcer é um direito sagrado!!!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do BP

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