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OPINIÃO POLÍTICA

Faltou gente no protesto de apoio

Ivan de Carvalho

A constatação inicial a fazer é a de, em termos de manifestações de rua, o dia nacional de protesto de apoio realizado ontem pelas centrais sindicais e as militâncias fantasmas do PT e do PC do B e mais alguns aderentes foi um fracasso espetacular, se comparado com as grandes manifestações de protesto ocorridas nas três últimas semanas de junho, sem o aparato das centrais sindicais, de sindicatos, do PT e outros elementos.

Seis mil pessoas participaram de uma manifestação em frente ao Congresso Nacional. Isto parece ter sido a joia da coroa, em termos de público. No centro de Porto Alegre foram três mil.

Em Goiânia, cinco mil, de acordo com os organizadores – que invariavelmente chutam a estimativa para cima – e a informação da polícia militar de que não tinha estimativa alguma. É possível que estivesse distraída e não haja percebido que uma manifestação de protesto de apoio ocorrera no centro da capital de Goiás. Mas em Anápolis houve alguma percepção: um grupo de funcionários e estudantes ocupou a reitoria da universidade estadual.

Bem, talvez se pudesse continuar citando – a exemplo das já mencionadas – pequenas manifestações de rua como as ocorridas no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde houve algum conflito com a Polícia Militar. Mas com todo o aparato à disposição, a organização do protesto de apoio nada conseguiu que ficasse a menos de alguns anos-luz das manifestações populares de junho (que, já menos intensas invadiram julho, espalhando-se pelo interior do país, atingindo uma multiplicidade de pequenas cidades, onde talvez ninguém haja imaginado que poderiam chegar).
O que se deve reconhecer é que, em algumas partes do país, como em Salvador, por exemplo, a paralisação de certos serviços públicos – principais alvos da crítica das manifestações populares que abalaram o país da segunda semana de junho para cá – levou a um clima de semi-feriado. A explicação principal para isto é a paralisação dos rodoviários, o que torna muitas vezes difícil e outras tantas, impossível, o funcionamento de outras atividades.

Trata-se, aí, de uma espécie de chantagem sobre a população, um comportamento autoritário exercido sobre a sociedade, porque quando os rodoviários param, eles não param somente a eles mesmos, mas obrigam outras pessoas, de outras categorias funcionais, a ficarem paradas contra a própria vontade. Impedidas quanto ao exercício de suas atividades, impedidas também de exercer plenamente o direito de ir e vir, assegurado pela Constituição.

Um outro aspecto a destacar é o de que, embora fazendo as coisas em conjunto, as centrais sindicais e o PT tiveram divergências. Uma delas chegou a ser escandalosa. Durante protesto na zona sul de São Paulo, o presidente da central Força Sindical, deputado pedetista Paulo Pereira da Silva (o Paulinho da Força), disse que o mínimo que a presidente Dilma Rousseff deve fazer agora é demitir o ministro da Fazenda, Guido Mantega. “Não dá para ir para as ruas e não falar em inflação, negar a perda do poder de compra dos trabalhadores”. Ameaçou com a convocação de uma greve geral: “Vamos nos reunir nesta sexta (hoje) com as centrais e vamos chamar uma greve geral no Brasil todo”, anunciou, aplaudido por manifestantes. Claro que a CUT não vai topar.

Outra divergência: a Força Sindical não quis saber de reivindicações sobre reforma política, Constituinte exclusiva e restrita à reforma, plebiscito, essas coisas que o governo andou propondo. O presidente da central disse que esses assuntos já estão encerrados e enterrados. Mas a CUT, obediente à estratégia da presidente Dilma e do PT, esforçava-se para parecer entusiasmada com o plebiscito, uma proposta que o Congresso já considera inviabilizada. Quanto à Constituinte, a própria presidente Dilma Rousseff, que tomou emprestada, parece que sem analisar, a ideia lançada há uns tempos por Lula, já desistiu dela, por descobrir que seria um golpe – que nem teria força para dar – contra a Constituição, coisa que qualquer estudante de Direito sabe de cor e salteado.

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