DEU NO UOL

O governo de São Paulo conseguiu na Justiça uma liminar que impede a paralisação de funcionários do metrô nos horários de pico nesta quinta-feira, dia nacional de mobilização das centrais sindicais.

Decisão da desembargadora Rilma Aparecida Hemetério, do Tribunal Regional do Trabalho, exige que os funcionários trabalhem normalmente das 6h às 9h e de 16h às 19h, “para assegurar 100% das operações das linhas de metrô”. Nos demais horários, a Justiça permitiu que o contingente de trabalhadores seja de 70%.

Segundo a desembargadora, a paralisação do serviço causaria “sérios transtornos aos usuários, em especial ao trabalhador”. O descumprimento da decisão pode acarretar em responsabilidade civil e penal ao sindicato dos metroviários, e multa diária “a ser fixada oportunamente”. No caso de descumprimento, o sindicato da categoria poderá ser multada em R$ 100 mil.

Os metroviários fizeram uma assembleia na última quinta-feira (4), onde foi decidido um indicativo de paralisação para amanhã. Uma nova assembleia, porém, será realizada na noite de hoje para definir como ela ocorrerá.

Segundo os metroviários, a paralisação seria parte do “Dia Nacional de Luta”, convocado por centrais sindicais e sindicatos. Como parte disso, os metroviários elegeram algumas propostas para enfrentar o caos da mobilidade urbana, entre elas está a “redução da tarifa, rumo à tarifa zero.”

Outras reivindicações apresentadas pela categoria são: mais investimentos dos governos para garantir metrô e trem públicos, estatais e de qualidade; contra toda forma de privatização e terceirizações; valorização dos trabalhadores em transporte coletivo.

jul
10

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Recado a um cantor:

Mande notícias e mais canções, rapaz. ainda andas pelo Uruguai? Sei que por aí as coisas andam bem. Aqui, o país está de novo em ebulição. E precisa, como nunca, de artistas com vocô, de coração e versos ardentes.

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)

(

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DEU NO IG

Por Tales Faria e Rodrigo Almeida – iG São Paulo ntários

Com um olho nos protestos que se espalharam pelo País e outro nos seus efeitos para as eleições presidenciais de 2014, o governador da Bahia, Jacques Wagner, reconhece que o PT se transformou no principal alvo dos manifestantes, sobretudo dos mais jovens. Em entrevista ao iG , o governador afirma que a “fadiga de material” petista diante da população é explicada pelos mais de dez anos de poder.

Jacques Wagner sublinha, no entanto, que, mesmo com o desgaste comprovado pela queda de 27 pontos na aprovação ao governo, a presidente Dilma Rousseff representa aquilo que os manifestantes têm pedido nas ruas: uma líder que se recusa a fazer a política pequena e a ceder a negociatas dos políticos tradicionais. “Se nós não mudarmos o sistema político pode sonhar com quem quiser que ninguém vai conseguir fazer nada”, sugere.

Segundo ele, o desgaste do PT se deve sobretudo ao fato de que os mais jovens não viram o partido que se notabilizou pela voz de oposição e pela boa relação com os movimentos sociais. “Na oposição você tem um microfone para protestar. Quando vira governo tem que executar aquilo que você disse e é claro que a execução não tem a rapidez e abrangência que a demanda das ruas exige. Então você vira vidraça”, afirma o governador.

Apoio a Campos em 2018
O tempo no poder e o desgaste daí decorrentes reforçam a tese que Wagner tem defendido na cúpula petista e nas conversas no Palácio do Planalto: o PT deve abrir mão da cabeça de chapa na sucessão presidencial em 2018 – isso se Dilma for reeleita em 2014. “A alternância de poder é o que oxigena a democracia”, diz ele. “Sou a favor da renovação por dentro, que é melhor do que por fora”.

Para ele, a “renovação por dentro” tem nome: Eduardo Campos, do PSB. Segundo Jacques Wagner, o partido deveria apoiar o governador de Pernambuco como alternativa à sucessão da atual presidente. Wagner acha, porém, que Campos errou ao se lançar já para 2014. As conversas sugerem, segundo ele, que o mal-estar gerado com os petistas pode ser revertido.

Carioca, ex-prefeito de Camaçari (BA), ex-deputado federal e ex-ministro do governo do presidente Lula (Trabalho e Relações Institucionais), o governador terminará seu segundo mandato no ano que vem. Mas promete não se candidatar. “Vou até o fim”, assegura, candidatando-se desde já a um posto no ministério de um eventual segundo mandato de Dilma.

Wagner defende o plebiscito para a reforma política, proposto pelo governo. Mas sublinha que qualquer mudança só deve valer para 2018 ou 2022.

Veja outras entrevistas:
Marina Silva: “O Congresso inviabilizou a reforma política”
Alexandre Padilha: ” Quem sabe um dia eu possa ser candidato a governa

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OPINIÃO POLÍTICA

Valentia oportuna

Ivan de Carvalho

O governo brasileiro inicialmente não deu um pio sobre a denúncia de Edward Snowden – muito menos em defesa dele, apontado pelo governo dos Estados Unidos como um delator bandido (a palavra delator foi adotada por quase toda a grande mídia brasileira, papagaiando o discurso das autoridades americanas).

Embora seja óbvio que Snowden é, não um delator bandido, mas um denunciante herói, que deixou namorada, vida muito confortável e invejável remuneração como analista de informática de uma empresa que presta serviços à NSA (sigla, em inglês, da Agência Nacional de Segurança, a mais secreta e poderosa das agências de espionagem e segurança norte-americanas, com segredos que até o presidente dos Estados Unidos talvez desconheça, dentro da filosofia de que “ele não precisa saber”. Nem querem que ele saiba, claro).

Pois Snowden denunciou que a NSA (em colaboração com a CIA e certamente, dentro dos Estados Unidos, o FBI) – estava espionando as comunicações, em larga escala, de moradores nos EUA e de pessoas residentes em um número grande de outros países, por meio de dados obtidos (com ordem judicial para moradores nos EUA) ou sem ela, para moradores no exterior, de empresas de telefonia e da Internet, com a participação preponderante da segunda maior empresa de telefonia dos Estados Unidos e do Google, Facebook, Microsoft, Apple e Skype.

Antes de denúncia começar a ser publicada pelos jornais Washington Post, The Guardian e pelo site Wiki Leaks, Snowden, sabedor que passaria a ser perseguido, deixou o território americano. Ontem, estava numa área de trânsito de um aeroporto de Moscou. Pediu asilo político a 27 países. A Rússia disse daria o asilo se Snowden parasse com as denúncias sobre o monitoramente dos Estados Unidos sobre as comunicações internas e mundiais, mas afirmou saber que ele não estava disposto a isso.

O Brasil nem se dignou responder ao pedido de asilo que lhe foi feito pelo denunciante, o que, na “linguagem” diplomática, significa negativa. Mas ontem, o próprio ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, se encarregou de declarar que o asilo não será concedido. Dos 27 países, somente a Bolívia, a Nicarágua e a Venezuela comunicaram que concederiam o asilo. Ontem, o chefe do Comitê de Relações Exteriores do Parlamento russo, Alexei Pushkov, colocou no Twitter que Snowden aceitou a oferta do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Depois, corrigiu, afirmando que ouvira a informação assistindo a televisão estatal russa Vesti 24.

No começo da noite, o caso, no âmbito internacional, estava nesse pé. No âmbito brasileiro, estava provocando – aliás, desde a véspera – o maior remelexo. Quando o jornal inglês The Guardian noticiou que, pelos documentos fornecidos por Snowden, a NSA e a CIA mantiveram em Brasília uma base de monitoramento de comunicações que espionou o conteúdo de bilhões de telefonemas e e-mails no país, um dos principais alvos desse monitoramento no mundo, segundo Edward Snowden.

Os documentos mostravam a existência da “base” – operada por especialistas da NSA e CIA sob o disfarce de diplomatas – somente até o início da década, mas você pode apostar tudo que tiver, sem medo de perder, que com a persistência desta base ou sem ela (a tecnologia evolui, o governo dos EUA tem acesso direto aos cabos de fibra ótica em seu território, dos quais pode, tecnicamente, captar os dados que quiser).

Quando o governo brasileiro “soube” desse segredo de polichinelo (recentemente li dois livros, um sobre o Google, outro, a transcrição de uma conversa gravada com Julian Assange e mais três conhecidos especialistas em Internet e críticos do rumo que a rede vem tomando com a interferência dos governos) todo ele foi assaltado por uma babreza de arrepiar. Arrepiaram a presidente Dilma Rousseff, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, o da Justiça, José Eduardo Cardoso. A presidente convocou o embaixador americano para pedir explicações e mandou criar um grupo de investigação, pois o tal monitoramento fere, como ela bem disse, a soberania e a cidadania, esta por quebrar a privacidade dos cidadãos. Valentia vi aí. Tanta que é capaz de ser comemorada nas manifestações de amanhã programadas pelas centrais sindicais governistas, o PT e alguns partidos afiliados, tudo sob estímulo oficial.

jul
10
Posted on 10-07-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-07-2013


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  • J. Bosco, no O Liberal (PA)
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    DICA DE CINEMA DA JORNALISTA MARIA OLÍVIA SOARES PARA O BAHIA EM PAUTA

    Dia 6 de dezembro de 1976 morreu João Goulart, o presidente destituído pelo golpe de 1964. Doze anos depois ainda era anátema para o regime militar. Tanto assim que as notícias de sua morte, na Argentina, saíram truncadas na imprensa.

    Até hoje as circunstâncias não estão esclarecidas. Cardíaco, Jango teria sido vítima de um ataque fulminante. Mas há quem sustente que o envenenamento seria a verdadeira causa mortis. Teoria da conspiração? Talvez. Mas é em torno dessa dúvida que se constrói o documentário”Dossiê Jango”, de Paulo Henrique Fontenelle.

    Trilhando caminho original, o filme enriquece a reconstrução trabalhosa dos anos da ditadura (1964-1985). Procura, em sua parte inicial, contextualizar a época e dispor em seus lugares os atores em jogo.

    Avança, no entanto, ao centrar foco, em sua segunda parte, apenas em Jango e em seu controverso desaparecimento. Mas é preciso dizer que a primeira parte, ao estabelecer a aliança entre civis e militares para a produção do golpe, e a presença dos EUA na desestabilização do governo, é precisa e didática.

    Por ocasião da morte de Jango, vivia-se, ainda, a Guerra Fria e atentados a inimigos políticos não eram incomuns. Carlos Prats e Orlando Letelier, ligados ao presidente chileno deposto Salvador Allende, foram assassinados, assim como os uruguaios Zelmar Michelini e Gutierrez Ruiz, amigos de Jango, mortos na Argentina.

    As suspeitas de assassinato de Goulart começaram a surgir logo após a sua morte. A tese era de envenenamento, pois o presidente deposto tomava três medicamentos para o coração. Os remédios, que vinham da França, teriam sido adulterados em operação conjunta da CIA e governos do Brasil e da Argentina. Goulart era presença incômoda na Argentina, já também sob regime militar. Tudo faz sentido. Mas não existem provas.

    O fato, relembrado por Fontenelle através de documentos e depoimentos, é que as dúvidas sempre existiram. Um empresário amigo de Jango, Enrique Foch Díaz, escreveu um livro chamado “João Goulart: O Crime Perfeito”. Foch chegou a denunciar a viúva, Maria Thereza Goulart, de tomar parte no complô, segundo se lê em “João Goulart – uma Biografia”, do historiador Jorge Ferreira, da Universidade Federal Fluminense.

    Em 2006, o caso voltou à tona com o depoimento do uruguaio Mário Barreiro Neira, que afirmava ter participado de uma certa Operação Escorpião com o objetivo de matar Jango. Ao que parece, a testemunha não é lá muito fidedigna. Era um criminoso comum recrutado pela repressão política no tempo da ditadura daquele país. Sua versão apresenta contradições. E não teria sido sustentada de modo desinteressado. Neira cumpria pena no Brasil e havia contra ele um pedido de extradição do Uruguai para responder por crimes comuns. Era de seu interesse permanecer no Brasil alegando perseguição política do governo uruguaio. Em 2008 o Ministério Público acatou pedido da família Goulart para investigar a morte, tendo por base o depoimento de Neira. O Ministério Público concluiu pela falta de provas, tachando o depoimento do uruguaio de “confuso e contraditório”.

    Isso encerra o caso? Não, como indica “Dossiê Jango”. Se nada prova que houve assassinato, também não se pode provar a morte natural. O estudo dos costumes políticos das ditaduras latino-americanas não exclui o uso de violência na eliminação de inimigos. A dúvida razoável se adensa pela ausência de autópsia e das mortes quase simultâneas de JK e Lacerda. Para esclarecer essa rede de intrigas, apenas se a investigação for reaberta e, desta vez, exposta à luz da democracia.

    (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.)

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