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A cura gay voltou ao armário

Janio Ferreira Soares

A “cura gay”, polêmico projeto aprovado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara, presidida pelo pastor Feliciano (PSC-SP), finalmente foi retirado de tramitação pelo seu autor, o deputado João Campos (PSDB-GO). Segundo Feliciano, ele só deverá ser reapresentado quando a bancada evangélica for maioria na Câmara. Uma pena.

Confesso que eu esperava um amplo debate para conhecer os detalhes dessa intervenção, presumo, meramente espiritual. Ela seria realizada em clínicas especializadas ou poderia acontecer em consultórios particulares? Os planos de saúde e o SUS cobririam o tratamento? Quais seriam os métodos adotados para recuperar os “doentinhos”? E os médicos estrangeiros contratados pelo governo iriam ter um treinamento específico para entender as peculiaridades dos gays nativos? Diante de tantas dúvidas, só me resta embarcar nessa absurda piada e tratá-la como tal.

Conversando com um amigo do ramo, demos boas risadas pensando em algumas situações dessa opereta de quinta. Imaginamos, por exemplo, como seria a transformação de um Ney Matogrosso, com aquela classe toda, virando uma espécie de Jece Valadão – com uma cinturinha de pilão, claro – saindo do consultório palitando os dentes e fazendo gestos obscenos em direção a Maria Gadú que, quase uma dondoca na fila de espera, já estaria, segundo o povo, de caso com Ronaldo Fenômeno (ops!).

Em seguida, idealizamos como seria o ambiente físico do local da cura e chegamos à conclusão de que ele não poderia ser nem muito rude que pudesse provocar uma debandada geral, nem muito soft que deixasse neguinho num habitat propício às tentações. E aí pensamos num lugar com fotos de Chuck Norris, Charles Bronson e Corisco, O Diabo Loiro, que serviriam de estímulo para despertar o Rambo que cada gay tem dentro de si e que, dizem, passa os dias ouvindo Barbra Streisand cantando Evergreen. Para completar, uma foto em tamanho natural do deputado estadual (e ex-gay) Pastor Sargento Isidório (PSB-BA), com o dedo em riste, sentenciando: “Yes, nós temos bananas!”.

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