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OPINIÃO POLÍTICA

Distração sem graça

Ivan de Carvalho

O governo prossegue com suas estratégias para tentar driblar o movimento popular que vem abalando o país e gira em torno de vários temas, com absoluto destaque para transporte coletivo urbano, saúde, segurança pública, educação, corrupção e desperdício de recursos públicos preciosos e enormes com estádios de luxo, tudo no grande pano de fundo da insatisfação popular difusa ante a inflação e o desempenho fraquinho da economia no ano passado e, já agora dá para ver, também este ano.

Já escrevi neste espaço sobre a “estratégia da distração”, representada pela deflagração tão às pressas quanto aflita sobre uma reforma política que não vinha sendo exigida pelas manifestações populares, mas estava, em grande parte, nas decisões aprovadas por congressos do PT.

Alguns pontos da reforma política sugerida pela presidente Dilma Rousseff são até interessantes, justamente aqueles que não são invenções do PT, como o fim das coligações nas eleições proporcionais e o fim da existência de suplentes de senador, devido ao modo absurdo como são atualmente recrutados, na prática, os candidatos a suplente.

Mas a reforma política está sendo objeto de debates há pelo menos dez anos e não será até o início de outubro que o Congresso aprovará um plebiscito, definirá as perguntas a serem feitas ao eleitorado, o Tribunal Superior Eleitoral tomará as providências administrativas, providenciará uma campanha pela televisão e rádio para explicar as complexas alternativas aos eleitores, adeptos e adversários das diversas alternativas propostas argumentarão com o público e finalmente os eleitores votarão para, apurados os votos, serem formatadas pelo Congresso em leis, promulgados pelo Parlamento ou sancionados pela presidente da República e publicados. Não dá para fazer tudo isso até um ano antes das eleições de do ano que vem, portanto antes de 5 de outubro deste ano.

Além disso, o PSB, por seu presidente, governador Eduardo Campos, já anunciou posição favorável a um plebiscito sobre reforma política que se realize em 5 de outubro de 2014 (junto com o primeiro turno das eleições) e que ofereça a alternativa do fim da reeleição para cargos executivos. Valeria a partir das eleições municipais de 2016. Há informações de que o PSD se reuniu e, mesmo sem anunciar, já resolveu votar contra a realização do plebiscito, pelo menos agora, como dizem querer Dilma Rousseff e o PT. O PSDB deixou claro que vai combater no Congresso a reforma política sugerida pelo governo, por entender que o governo a quer realizar em sistema de atropelo.

Já o PMDB, pela palavra de seu vice-presidente, senador Valdir Raupp, que antes conversou muito com a cúpula do partido, disse ontem ser “quase impossível” realizar ainda este ano o plebiscito proposto por Dilma Rousseff. E em um comunicado, o partido expressou apoio a “uma consulta popular” para definir a reforma política, mas ressalvou que isso pode ser feito tanto por um plebiscito como por um referendo.

De tudo isso e de muito mais se infere que, para as eleições de 2014, não se fará reforma política com ou sem plebiscito. E que todo esse debate do qual grande parte da mídia se compraz em ocupar (o que, junto com o futebol, lhe retira o espaço para mostrar o vergonhoso estado dos serviços públicos, as promessas quase sempre vãs do socorro às populações vítimas da seca no Nordeste e o triste destino de muito dinheiro arrancado aos contribuintes) é mera Distração lançada ao povo para que este se desligue do que realmente importa.
COBRA DE DUAS CABEÇAS – De acordo com a Advocacia Geral da União, a derrubada de parte dos vetos presidenciais engavetados no Congresso sem votação pode gerar um “prejuízo” de R$ 471,3 bilhões. A AGU informa que, entre as três hipotéticas rejeições de veto mais preocupantes está a do veto ao fim do fator previdenciário. É considerada uma “rejeição-bomba”.
No dia 11, as centrais sindicais vão realizar um ato, acertado entre as lideranças das centrais e o ex-presidente Lula e anunciado após essa reunião. No fim de semana, os organizadores distribuíram a pauta da manifestação. O primeiro item é o fim do fator previdenciário. As militâncias petista e comunista do PC do B vão marcar presença. O que vale: a posição do governo do PT por intermédio do veto presidencial e da posição da AGU ou a presença dos petistas e seus aliados comunistas e sindicais na manifestação do dia 11?

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