DEU NA FOLHA

A carona que o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), deu para parentes em um voo da Força Aérea Brasileira (FAB) foi pauta do jornal americano “The New York Times”. Em matéria publicada nesta quarta-feira (3), o veículo não deixa de mencionar, no primeiro parágrafo, o protesto que acontecia do lado de fora do Maracanã durante o final da Copa das Confederações, enquanto Alves e seus parentes assistiam à partida.

O texto argumenta que a ação do deputado foi excepcionalmente imprudente, citando as manifestações contra corrupção que se proliferam pelo país. Ao tratar da atenção dada pela mídia ao caso, o jornal inclui um link para a Folha. A Folha mostrou nesta quarta que um jato C-99 da FAB foi buscar a turma de Alves em Natal, decolou às 19h30 de sexta-feira rumo ao Rio de Janeiro e retornou no domingo, às 23h, após o jogo.

jul
03


FAZ UM 12, BRIZOLA!!!!!

Eduardo Goldenberg

No dia 18 de agosto de 2006 expus, aqui, o vídeo no qual apareço gritando “Faz um 12, Brizola!”, ao vivo, na TV Globo, durante a final de um dos festivais de música promovidos pela Vênus Platinada. Ontem, depois de descobrir a conta no twitter de Serginho Groisman e Renata Ceribelli – os dois jornalistas que trabalhavam naquela noite de 16 de setembro de 2000, há quase 11 anos! -, expus novamente o meu feito na grande rede, e deu-se a bulha. Muita gente repicando o vídeo, muita gente me dando os parabéns pela coragem, muita gente achando muita graça e me perguntando sobre os detalhes que envolveram a ação que ganhou contornos de subversão (o que muito me orgulha, diga-se).Como eu sou preciso do início ao fim, vamos aos detalhes do troço.

Corria, como já lhes disse, o ano 2000. E é preciso contextualizar para que tudo ganhe os contornos de emoção que a noite teve.

Em 2000 eu e Moacyr Luz, que faz anos hoje, éramos quase-siameses (digo “éramos” porque não trocamos mais palavra). E o Moacyr, que concorrera com o samba “Eu só quero beber água”, chegara à grande final, em São Paulo, que aconteceria no Credicard Hall. Na época, um de nossos bunkers era o Bar da Dona Maria, hoje um triste arremedo de botequim na rua Garibaldi, na Tijuca, onde morava o Moacyr (no mesmo prédio onde até hoje mora Aldir Blanc). Pois o povo do Bar da Dona Maria armou animadíssima torcida pra comparecer, em peso, à finalíssima. Mandamos fazer camisas com o nome do samba, pintamos faixas, cartazes, o escambau a quatro.

Sigamos contextualizando: corria o ano 2000 e meu saudoso e eterno governador, Leonel de Moura Brizola, era candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro. Mantendo uma tradição, a sambista Beth Carvalho emprestou a voz para o principal jingle da campanha: “Faz um 12 aí! Faz um 12 aí! Com Brizola o Rio vai voltar a sorrir!”.

Em 2000, Brizola ainda era um palavrão segundo os manuais de redação da TV Globo. Seu nome era proibido, vetado, terminantemente censurado. E quem – vão tomando nota dos desenhos… – era a cantora convidada para fazer o show de encerramento do festival da Globo? Ela, Beth Carvalho. O convite, é claro, havia sido feito antes de deflagrada a campanha eleitoral, antes da voz inconfundível da Beth ecoar, aos quatro ventos, nas TVs, nas rádios, nas ruas, exaltando a candidatura de Leonel Brizola.

O que fez a TV Globo? Desconvidou Beth Carvalho e em seu lugar chamou o também sambista Jorge Aragão. Prova disso, como se não bastasse o telefonema que recebi da cantora, era o convite para o festival. Constava lá: show de encerramento com Beth Carvalho. E sobre o nome da Beth, um carimbo, vermelho, onde se lia: Jorge Aragão.

Quando a Beth me ligou – brizolista roxa! – indignada, eu disse num sem-pulo:

– Querida, fica tranqüila. Eu vou te vingar! – e mais não disse.

Confesso a vocês, quase 11 anos depois, que eu não tinha a menor idéia do que faria: mas eu faria alguma coisa (e os que bem me conhecem podem atestar como se dá, em mim, essa centelha).

Parti na véspera levando na bagagem um boné vermelho com o nome Brizola em letras brancas, enormes. E disse, de mim para mim:

– Vou levar dobrado no bolso da calça. Lá eu vejo o que faço.

Houve um encontro, no Pirajá, horas antes do festival, já em São Paulo, é claro. Só duas pessoas sabiam, àquela altura, de minhas intenções: minha menina e meu irmãozinho, Fernando Szegeri. Mas nem eu mesmo sabia, ainda, o que é que eu aprontaria. Mas eu aprontaria!

Partimos pro Credicard Hall. Teve início o festival, transmitido ao vivo para todo o Brasil. Percebi que durante os intervalos o apresentador Serginho Groisman chamava a repórter Renata Ceribelli, no meio da platéia, para entrevistar a assistência. Num desses intervalos, a abordei:

– Eu vim do Rio… Posso falar?

E ela:

– Pode! Pode! Fica aqui, fica aqui… Daqui a pouco eu entro!

E foi, num átimo, que a idéia me veio à cabeça. Ao se dirigir a mim, a repórter, eu meteria o boné na cabeça e daria o grito de guerra:

– Faz um 12, Brizola!

E assim foi.

Atentem para a dinâmica dos fatos:

01) segundos após meu grito estrilou meu celular. E eu só ouvia as gargalhadas da minha querida Beth Carvalho;

02) fui cercado, logo depois, por 8 seguranças, todos de terno, que diziam coisas como “fora daqui”, “vem conosco, vamos dar uma volta lá fora”, e eu resistindo. Um deles, pelo rádio, gritou “o Talma quer esse cara fora do teatro!”, por aí;

03) estrila de novo meu celular. É meu pai, aflito: “Você enlouqueceu? Já são mais de cinco minutos de comerciais, eles pararam a transmissão do festival! O que está acontecendo?”;

04) minha menina pula, como um coala, na minha cintura e começa: “Ninguém toca nele, ninguém toca nele!”, a essa altura os caras já estavam me empurrando pro lado de fora. Chegam Fernando Szegeri e Marcus Gramegna, amigo de São Paulo, o bravo Marcão, ambos advogados, e passam a exigir uma explicação para aquela truculência;

05) um homem, mais velho, apresentou-se como o Chefe da Segurança e me perguntou, calmamente, o que eu havia feito. Exibi o boné e disse: “Gritei o nome do Brizola com esse boné na cabeça. Eis minha arma, eis meu crime…”. O homem riu, disfaraçadamente, e disse: “Você não fez isso… diz que não fez…”, e passou a negociar uma saída pacífica;

06) eu soube, tempos depois, que o Moacyr Luz, que entraria em seguida no palco, estava sendo abordado, também por seguranças, na coxia, já que eu vestia a camisa com o nome de seu samba. Queriam saber, a todo custo, quem eu era, onde morava, detalhes;

07) uns minutos mais tarde, graças à intervenção do Chefe da Segurança, graças à atuação do Szegeri e do Marcão, e de minha menina, chegamos a um consenso: nós continuaríamos no teatro, afastados da platéia, numa espécie de camarote vip. E vigiados de perto. A cada ida minha ao banheiro, lá iam dois, três seguranças!;

08) terminado o festival o Chefe da Segurança me pediu, encarecidamente, que eu lhe entregasse o boné “para perícia”. Ri tanto daquilo que não me opus;

09) voltamos todos ao Pirajá. E o Moacyr Luz não me dirigiu palavra, atribuindo a mim sua derrota.

No domingo seguinte, a revista Veja exibiu minha imagem com a frase: “Eduardo Goldenberg, advogado carioca, no auditório do Credicard Hall durante a final do festival de MPB da Globo, colocando a repórter Renata Ceribelli numa saia-justa”. Tal texto foi escrito por um jornalista amigo meu, razão pela qual meu nome aparecia na matéria (abaixo).
Quando eu cheguei de volta ao Rio, a página do PDT na internet exibia o vídeo com uma tarja enorme: “Deu 12 na Globo”, e seguia um texto exaltando um “homem que pôs o nome de Brizola, depois de anos de censura, no horário nobre da TV Globo”. Escrevi para o partido. Identifiquei-me. Disse que minha imagem estava à disposição da candidatura de Brizola. E isso me rendeu um telefonema, que durou 40 minutos, do próprio, poucas horas depois do envio da mensagem.

Dali em diante, sempre que eu encontrava Brizola (e nosso último encontro foi em 2002 na casa do Martinho da Vila, como lhes contei aqui), ele fazia referência ao episódio.
Eu tenho um orgulho danado de ter feito o que fiz. Era o que eu queria lhes contar.

Até.

Eduardo Goldenberg


Henrique Eduardo Alves:noiva e turma
de parentes na carona deavião oficial

=====================================

DEU NO UOL/FOLHA

MÁRCIO FALCÃO
DE BRASÍLIA

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse nesta quarta-feira (3) que errou ao permitir que sete parentes pegassem carona em um avião da Força Aérea Brasileira para assistir ao jogo da seleção no Maracanã, no fim de semana.

Eduardo Alves disse que determinou que sua assessoria avalie o mais rápido possível o valor das passagens do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro para reembolsar à União.

A Folha revelou que pegaram carona com o deputado sete pessoas: sua noiva, Laurita Arruda, dois filhos e um irmão dela, o publicitário Arturo Arruda, com a mulher Larissa, além de um filho do presidente da Câmara. Um amigo de Arturo entrou no voo de volta.

“Meu erro, e aqui eu reconheço, foi ter permitido que pessoas me acompanhassem pegando carona nesse voo para o Rio de Janeiro. Por esse erro, estou aqui reconhecendo e já mandei ressarci o valor de cada passagem correspondente”,disse ao chegar na Câmara.

Alves negou que estivesse em uma agenda de turismo no Rio. Segundo o deputado, ele foi recebido pelo prefeito da cidade, Eduardo Paes, na residência oficial, na Gávea Pequena, para discutir o cenário político do país. A reunião, no entanto, não foi divulgada na agenda oficial dos dois políticos.

“Houve uma agenda previamente divulgada com o prefeito Eduardo Paes, que me recebeu para um almoço na Gávea Pequena, onde conversamos sábado pela manha”, disse.

Alves não respondeu a pergunta da Folha se a medida não provoca mais desgastes à Casa diante das manifestações que sacudiram o país nas últimas semanas.

De acordo com a reportagem, um jato C-99 da FAB foi buscar a turma em Natal, terra do deputado. Decolou às 19h30 de sexta-feira rumo ao Rio de Janeiro e retornou no domingo, às 23h, após o jogo.

Todos aproveitaram para passear no Rio no sábado e, no dia seguinte, foram à final da Copa das Confederações, vencida pelo Brasil.

O deputado e seus convidados usaram cadeiras destinadas a torcedores, e não às autoridades. Eles postaram fotos em redes sociais de dentro do estádio. No Twitter, Alves comemorou: “BRASIL, seleção nota 10! E a torcida tb, nota 10! O campeão voltou!!”

Sua noiva também: “O campeão voltou… Rouquidão de hoje compensada”. Se tivessem que pagar pela viagem de Natal ao Rio, ida e volta, cada passageiro gastaria pelo menos R$ 1.500.

O decreto 4244/2002, que disciplina o uso de aviões da FAB por autoridades, diz que os jatos podem ser requisitados quando houver “motivo de segurança e emergência médica, em viagens a serviço e deslocamentos para o local de residência permanente”. O decreto não diz quem pode ou não viajar acompanhando as autoridades.

jul
03
Posted on 03-07-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-07-2013


Side, hoje, no portal Metro1 (BA)


Morales com Putim, em Moscou:vôo de volta
interrompido
==================================

DEU NO PÚBLICO (LISBBOA)

Os embaixadores de Portugal e de França em La Paz vão ser convocados pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Bolívia, para uma conversa sobre a polêmica internacional causada pela interrupção do voo do Presidente Evo Morales de volta ao seu país no avião presidencial.

A representação diplomática de Portugal na Bolívia é chefiada pela embaixadora em Lima (Peru), Helena Margarida Rezende de Almeida Coutinho. No território da Bolívia, o Estado português mantém dois consulados – um em La Paz, cujo responsável é George Rezvani Albuquerque; e um em Santa Cruz de la Sierra, chefiado por Fernando Manuel Mateus Eustácio.

O avião presidencial da Bolívia, que transportava o Presidente Evo Morales de Moscou para La Paz, foi forçado a aterrar em Viena, depois de Portugal, Espanha, Itália e França terem fechado os respectivos espaços aéreos.

Segundo as autoridades da Bolívia, estes países suspeitavam que um dos passageiros do avião era Edward Snowden, o ex- analista contratado pela CIA, Agência de Segurança Interna dos Estados Unidos, que está retido no aeroporto russo de Cheremetievo desde 23 de Junho.

As autoridades bolivianas afirmaram desde o primeiro momento que Snowden não estava no avião, uma informação mais tarde confirmada pelo Governo austríaco.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Bolívia acusa Portugal, Espanha, França e Itália de terem posto em risco a vida do Presidente Evo Morales, com base em “rumores infundados sobre a presença de Snowden no avião”. O vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, descreveu o incidente como “um sequestro de Evo Morales na Europa”.


Foto: Claudio Peri/EFE, no El País
===============================

OPINIÃO POLÍTICA

A simpatia de Francisco

Ivan de Carvalho

Na visão do papa Francisco, as manifestações populares que vêm se realizando no Brasil nas últimas semanas não contrariam o Evangelho. Isto é o que informa o principal jornal da Espanha, El País, acrescentando que em seu discurso na Jornada Mundial da Juventude, que ocorrerá no Rio de Janeiro de 23 a 28, Francisco vai incluir uma mensagem sobre o assunto.

O jornal El País esclarece que reivindicações que buscam aumentar o grau de justiça em uma sociedade não entram em conflito com o Evangelho. Desde que sejam expressas (isso o jornal não diz, mas está na essência do Evangelho) de modo pacífico – o que vem ocorrendo no Brasil. Pequenos grupos de vândalos que eventualmente agem à margem das manifestações ou ladrões que aproveitam os protestos para saquearem casas comerciais não invalidam o caráter pacífico do movimento nem justificam notórios excessos das forças policiais, que deviam pegar os ladrões antes.

É evidente que a inclusão de uma aprovação do papa Francisco às manifestações, mesmo cuidadosa, será um reforço importante ao impressionante movimento popular e de opinião pública deflagrado em curso, que tem deixado em um clima de barata voa os governantes e políticos em geral, com especialíssimo destaque para o governo federal e a presidência da República, além do PT, partido que controla o governo acompanhado de aliados agora desorientados e ariscos.

Só não mais ariscos que o ex-presidente Lula. Após fazer saber por baixo dos panos sua avaliação de que a presidente-poste que elegeu fez “uma barbeiragem” ao propor a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte exclusiva e restrita à aprovação de uma reforma política – proposta originalmente feita por Lula –, o ex-presidente escafedeu-se para a África, enfurnando-se em Adis Abeba, na Etiópia, com seus dez pontos perdidos na pesquisa Datafolha.

Enquanto a tempestade derrubava o poste aqui, ele abrigou-se lá, mas não fugiu a magnânima esperteza. Questionado se poderá ser candidato a presidente em 2014, Lula rebateu: “A Dilma é a mais importante candidata que nós temos, a melhor. Não tem ninguém igual a ela para ser candidata à Presidência. Portanto, ela será minha candidata”.

Consta que os etíopes acreditaram.

O Tribunal Superior Eleitoral, em sua penúltima reunião, tendo recebido uma “consulta formal” da presidente da República, Dilma Rousseff, decidiu, atendendo ao pedido dela, calcular quanto tempo precisaria para organizar e realizar um plebiscito sobre a “reforma política”.

A coisa começou errada, estrilou o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que integrava o TSE naquela reunião. Substituía o ministro Marco Aurélio Mello, também do STF e membro titular do TSE. Gilmar Mendes assinalou que a presidente Dilma não tinha legitimidade nenhuma para fazer consulta sobre o assunto, pois não tem papel legal na convocação de plebiscito, de iniciativa exclusiva do Congresso. Dilma fez sugestões ao Congresso, mas, para o Judiciário, consultas sobre sugestão não valem. O tribunal só deveria conhecer o assunto se provocado pelo Congresso.

Mesmo assim, o corpo técnico do TSE já estava estudando o assunto, desde um telefonema que a presidente Dilma deu à presidente do tribunal, ministra Cármen Lúcia. Daí ter sido extremamente escasso o tempo gasto entre a “formalização” da consulta de Dilma e a resposta do TSE de que precisa de 70 dias – a partir do momento em que o Congresso definir as perguntas – para organizar o plebiscito. Isso empurraria o plebiscito para setembro e, depois do conhecimento de seus resultados, o Congresso teria menos de um mês para discutir e formatar as decisões plebiscitárias. Pouco tempo para aprovar e publicar tudo até um ano antes das eleições de 5 de outubro de 2014. Sem a antecedência de um ano, cláusula pétrea da Constituição (conforme decisão já tomada em outro caso pelo STF) impedirá que as mudanças da “reforma política” vigorem já em 2014 – contra o que também há, principalmente na Câmara (e inclusive no PMDB), forte resistência.

http://youtu.be/k9uq6kaAFwo

BOM DIA, MAS BOM DIA MESMO COM NAT KING COLE EM ESPANHOL.

(Vitor Hugo Soares)

  • Arquivos