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DEU NO UOL-FOLHA

Caetano Veloso comentou em um post em seu site oficial os protestos que estão acontecendo em todo o Brasil. O cantor, que cita pensadores como Foucault e Nietzsche em seu texto, diz que espera que o povo brasileiro se inspire no futebol de Neymar e chegue “a um ponto mais bonito”, com mais clareza, após ter suas reivindicações atendidas.

O cantor disse que leu textos de diferentes pontos de vista e que as pessoas ainda tem medo de tocar em alguns pontos sensíveis do debate: “Lendo rápido, observo, de cara, que nada se diz sobre os cartazes de protesto contra a PEC 37. Para não falar de frases como Meu c* é laico”.

Em outra parte do post, Caetano mostra um discreto apoio aos manifestantes, utilizando-se da simpatia da maioria da população pelas lutas sociais.

“E uma saída às ruas de tão grande número de pessoas (e a simpatia da maioria da população por elas) pode produzir efeitos importantes. E isso mais no Brasil (e nos países árabes) do que nos EUA ou na Inglaterra. É o monstro de Gaspari/Juscelino. Até aqui, os governantes imediatamente atingidos reagiram mal. Alckmin e Haddad, num primeiro momento, mostraram fazer a mais errada das avaliações. Os recuos primeiro na repressão e, depois, no preço das tarifas dos ônibus reafirmam, em vez de desmentir, a falta de inspiração deles e dos outros que os seguiram. Vimos ruas demagogicamente despoliciadas e rebaixamento dos preços oferecidos como ameaça aos serviços de saúde”.

Veloso ainda fala do deslumbramento de um escritor com o “que ele apenas via nos livros acontecendo nas ruas” e também usou uma jogada de Neymar para fazer um paralelo com os acontecimentos no país e da dualidade imposta às pessoas pelos gastos com a Copa e o progresso do país.

“Na véspera, eu tinha assistido àquele passe de Neymar que resultou no segundo gol do Brasil contra o México. Neymar saiu do armário. O drible que ele deu nos adversários antes de passar, com precisão absoluta, a bola para Jô golear, foi tudo o que desejamos que qualquer coisa produzida por brasileiros seja”.

“Com os ânimos divididos, dentro da gente, com relação à preparação do país para a Copa, entre simplesmente apoiar o gesto que esboça demolir os estádios (pelos modos suspeitos como foram erguidos, pela omissão de possível contaminação de áreas a eles adjacentes, pelo, enfim, mero fato de que outras prioridades gritam) e torcer pelo renascimento da grandeza de nosso futebol, o jogo de Neymar ensina que o movimento emaranhado das ruas tem de achar o jeito inspirado de acertar no melhor. Que saibamos chegar ao mais bonito

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