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Postado em 13-06-2013
Arquivado em (Artigos) por vitor em 13-06-2013 11:30


Dulce:longo caminho da santidade
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DEU NA FOLHA DE S. PAULO

NELSON BARROS NETO
DE SALVADOR

Três supostos milagres da baiana Irmã Dulce (1914-1992) são a esperança do processo que pode transformá-la na primeira mulher nascida no Brasil a virar santa.

Beatificada há dois anos e meio, a religiosa precisa de mais um caso aceito pelo Vaticano para se juntar a Frei Galvão, o único santo do país, canonizado em 2007, pelo papa Bento 16.

Desde que Irmã Dulce virou beata, já chegaram mais de 3.000 relatos de graças alcançadas pela sua intercessão. Deles, três foram considerados consistentes e começaram a ser analisados por peritos, em Salvador.

Os casos estão distribuídos entre Sergipe, Ceará e Bahia. Os milagres investigados não são detalhados para não atrapalhar o processo de investigação, que corre sob sigilo.

O primeiro milagre atribuído à Irmã Dulce aconteceu em 2001. A sergipana Cláudia Cristiane dos Santos havia sido desenganada pelos médicos depois de dar à luz, em 11 de janeiro daquele ano.

Logo após o parto, em Itabaiana (SE), Cláudia apresentou um quadro gravíssimo de hemorragia. As possibilidades de tratamento se esgotaram ao longo das 28 horas em que a paciente foi submetida a três cirurgias. Cláudia, contudo, sobreviveu.

Pela versão que sustentou a beatificação pelo Vaticano, a mudança no quadro ocorreu porque o padre José Almi de Menezes rogou à Irmã Dulce, de quem era devoto, pelo salvamento da paciente.

Durante as orações, a hemorragia parou, o que se constituiu no milagre reconhecido pelo Vaticano.

Havia outro relato de milagre em São Paulo, mas os estudiosos identificaram uma intervenção médica e o derrubaram.

REQUISITOS

São quatro os requisitos: ser instantâneo, perfeito, duradouro e inexplicável. “Ou seja, a graça deve ocorrer logo após o apelo e a pessoa deve voltar à condição que tinha antes da enfermidade, sem apresentar sequelas nem algo que encontre base científica”, diz o historiador Osvaldo Gouveia, membro da comissão de canonização.

Por exigência do Vaticano, os nomes dos peritos e dos envolvidos nos milagres são mantidos em sigilo. Eles são médicos que já trabalharam no reconhecimento do primeiro milagre e da derrubada das outras hipóteses.

Um outro relato –a cura de um garoto diagnosticado com leucemia– é dado como certo, porém não é considerado por datar de 2006. Segundo o Código Canônico, alguém só pode se tornar santo graças a um milagre ocorrido após a beatificação.

Apesar do otimismo da comissão, o arcebispo primaz do Brasil, dom Murilo Krieger, diz que tradicionalmente a fase de estudos demora cinco anos. E que, depois, toda a documentação terá de ser averiguada de novo em Roma. “Eu, pessoalmente, não acredito que saia logo. Não fico iludindo ninguém, porque sei que nesses casos tem que ser um milagre muito forte, contundente”, afirma.

Por causa disso, a comissão decidiu que a estratégia será evitar “perda de campo” e “desgaste” com o Vaticano. “Só vamos enviar para lá quando estivermos muito convictos, para não correr risco de sermos desclassificados de imediato. Vamos evitar a pressa pelo entusiasmo”, diz Gouveia.

Irmã Dulce, que hoje estaria com 99 anos, ficou conhecida pela dedicação aos pobres e doentes, de acordo com o cardeal dom Geraldo Majella Agnelo, baseado em Salvador e um dos cinco brasileiros que participaram do conclave que elegeu o papa Francisco, em março.

A instituição de caridade fundada por ela em 1949 realiza atualmente 5,5 milhões de atendimentos por ano na capital baiana.

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