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Deu no Terra Magazine e TV Gazeta(SP)

Bob Fernandes

Queda de oito pontos na avaliação de bom e ótimo para o governo da presidente Dilma. O ruim e péssimo do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, sobe de 14% para 21%. Dilma ainda tem 57% de ótimo ou bom. É muito, mas a queda é óbvia.

Pesquisadores atribuem à economia, mas é mais do que isso. Se o chamado “mensalão” foi caixa 2 ou grande maracutaia, conta pouco para efeito de análise. O fato é que o episódio, e o julgamento, tiraram do PT a primazia do discurso ético.

Como é fato também que esse discurso moral, ou moralista, não cabe na boca de nenhum dos grandes partidos. Quem conhece as entranhas de campanhas e partidos sabe que esse discurso é hipócrita e mentiroso.

Mas o discurso ético não foi a única perda do PT. Outras vêm sendo impostas sob silêncio cúmplice. E pouco inteligente.

Direitos da mulher sobre seu corpo e atos. Direitos dos homossexuais. Direitos dos índios, à parte a ação de aproveitadores. Meio ambiente, à parte a ação de oportunistas. Estes, entre muitos outros, sempre foram temas caros ao PT.

Temas que mobilizaram, ao menos, grupos sociais e lideranças que criaram o partido. Em nome da manutenção do poder, agora e já há tempos o que se têm é silêncio e submissão.

Uma ou outra ação isolada, uma ou outra opinião solteira. De resto, falta discurso incisivo, inexiste ação coordenada e objetiva. Predomina o temor de se indispor. De enfrentar conservadores ruidosos, gente com dinheiro e mídia fácil.

Da presidência ou do parlamento, das lideranças, não se ouve, não se tem reação à óbvia onda conservadora. Como se tudo se resumisse à economia. Como se esse silêncio cúmplice não levasse à progressiva desmobilização.

E o pior é que o silêncio sobre temas polêmicos é generalizado, inclui também os principais partidos e candidatos . Aborto, cotas, direitos civis, maioridade penal, índios…

O que hoje teriam a dizer sobre tais temas a presidente Dilma, os pré-candidatos Eduardo Campos (PSB-PE) e Aécio Neves (PSDB-MG)? Marina Silva (montando a Rede), a quem atribuem posições conservadoras, certamente também tem o que dizer e esclarecer a respeito.

Até aqui, todos seguem o roteiro da política à brasileira: não entrar em bola dividida; ficar no muro até que, via pesquisas qualitativas e etcetera, tenha-se clareza de para onde caminham os eleitores. O que se tem até agora, de candidatos e partidos, é slogans marqueteiros.

O prêmio que buscam é a manutenção, a tomada ou a retomada do poder. Partidos e candidatos esperam pela economia. Uns torcendo a favor, outros secando. O custo do silêncio e do muro é a ausência do debate de ideias. Do debate ideológico.

Em ambientes como esse, costuma se impor o que há de mais atrasado. Quando o debate não acontece às claras, à esquerda e à direita, o que sobra, o que prevalece, é a escuridão.

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Comentários

rosane santana on 12 junho, 2013 at 13:02 #

Sob o silêncio de militantes, admiradores e escribas pagos a peso de ouro, enriquecidos, subitamente enriquecidos e, com licença, a minha estupefação, por que o espanto?


rosane santana on 12 junho, 2013 at 13:02 #

Complemento: Me engana que eu gosto!


rosane santana on 12 junho, 2013 at 13:11 #

“Roteiro da política brasileira”, não entrar em bola dividida”. KKKKKKKKKKKrsrsrsrsrsrsrs. Só da política?


rosane santana on 12 junho, 2013 at 14:40 #

“Descobriram” a pólvora, alguém foi abandonado?


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