DEU NO IG


Um americano de 29 anos que trabalha como empregado terceirizado na Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) é a fonte que o jornal britânico Guardian usou para revelar os programas de monitoramento pelos quais os EUA coletam em massa registros telefônicos americanos e de uso da internet por estrangeiros .

Os vazamentos reabriram o debate posterior aos ataques do 11 de Setembro sobre as preocupações de privacidade versus o aumento de medidas para proteger os americanos de atentados terroristas e levaram o NSA a pedir ao Departamento de Justiça que conduza uma investigação criminal no caso.

O Guardian afirmou que publicava a identidade de Edward Snowden, um ex-assistente técnico da CIA (agência de inteligência dos EUA) e atual empregado da empresa de defesa Booz Allen Hamilton, a seu próprio pedido. “Não tenho nenhuma intenção de esconder quem sou porque sei que não fiz nada de errado”, Snowden disse, segundo citação do jornal britânico.

O direitor de Inteligência Nacional, James Clapper, caracterizou a revelação dos programas de compilação de informações de inteligência como deplorável , e nos últimos dias adotou a rara medida de levantar a confidencialidade sobre eles para responder a reportagens sobre as técnicas contraterrorismo empregadas pelo governo.

Um programa que vasculha a internet, chamado de prism, permite à NSA e ao FBI (polícia federal americana) acessar diretamente os servidores de grandes companhias de internet dos EUA, como o Google, Apple, Microsoft, Facebook e AOL, obtendo emails, chats de vídeo, mensagens instantâneas e mais para rastrear estrangeiros suspeitos de terrorismo ou espionagem.

A NSA também coleta os registros telefônicos de milhões de clientes americanos, mas não suas conversas. O presidente dos EUA, Barack Obama , Clapper e outros disseram que os programas foram autorizados pelo Congresso e são submetidos à rígida supervisão de uma corte secreta.

O Guardian cita Snowden como dizendo que sua “única motivação é informar o público sobre o que é feito em seu nome e o que é feito contra ele”.

O jornal britânico informou que Snowden trabalhava no escritório da NSA no Havaí quando copiou os últimos documentos que planejava revelar e disse a supervidores que precisava se afastar por algumas semanas para receber tratamento por epilepsia.

Ele partiu em direção a Hong Kong em 20 de maio, onde permanece desde então, segundo o jornal. Ao jornal, Snowden disse que escolheu essa cidade “porque ela tem um forte compromisso com a liberdade de expressão e o direito ao dissenso político” e porque acredita que é um dos lugares do mundo que poderia e resistiria aos ditames do governo americano.

Segundo o jornal, Snowden afirmou esperar que a publicidade que os vazamentos desataram lhe garantam alguma proteção e avalia o asilo, talvez na Islândia, como uma possibilidade. “Sinto com satisfação que valeu a pena. Não tenho nenhum arrependimento”, disse Snowden ao Guardian.

Há informações de que ele trabalhou na segurança de TI para a CIA e, até 2007, ficou em Genebra com disfarce diplomático, responsável por manter a segurança da rede de computação. Isso lhe deu acesso a vários documentos confidenciais, de acordo com a publicação britânica.

“Muito do que vi em Genebra realmente me decepcionou sobre como o governo funciona e qual o impacto que produz no mundo”, disse. “Percebi ser parte de algo que fazia mais mal do que bem.”

Com AP

Be Sociable, Share!

Comentários

rosane santana on 10 junho, 2013 at 6:59 #

20.01.2009, Publicado no Terra

Rosane Santana
De Boston (EUA)

Illinois e Alagoas

A “guerra contra o terror”, após o atentado terrorista de 11 de Setembro de 2001, marcou a gestão do presidente George W. Bush, que deixa hoje a Casa Branca. Historiadores são unânimes em realçar esse fato, ressaltado em todas as análises sobre o legado da Era Bush publicadas na última semana pela imprensa americana, repetindo dezenas de livros editados anteriormente, inclusive no Brasil. Curioso é que somente agora o fato é colocado pela mídia como uma camisa-de-força da qual não podera escapar nenhum dos próximos presidentes americanos, começando por Barack Obama que se elegeu com a promessa de mudança na política externa.

Alguns críticos sustentam que assim como na Guerra Fria, na Guerra contra o Terror não haverá espaço para políticas conciliatórias e que os Estados Unidos vão usar a força militar esmagadora para reagir a qualquer provocação, até que a população reconquiste a confiança na segurança interna, o que parece cada dia mais improvável. Basta um giro por cidades como Nova Iorque para constatar que o alerta laranja em áreas de grande concentração pública, como o metrô, virou regra geral, apesar de ignorado pelos incautos.

O terrorismo seria uma resposta à presença militar americana nos países islâmicos e o apoio a monarquias autoritárias em muitas nações árabes, além do suporte a Israel, segundo análises menos conservadoras. Nesse sentido, atentados terroristas serão recorrentes. Em contrapartida, o país verá o orçamento militar e o déficit público crescerem cada vez mais em detrimento dos recursos para a área social prometidos pelo presidente eleito, aumentando a dependência em relação a parceiros como a China e seus bilhões de dólares aplicados em letras do tesouro americano, até quando é difícil dizer.

Já em dezembro, depois de eleito, Barack Obama mudou o seu discurso: “Quando se trata de manter nossa nação segura, não somos nem democratas, nem republicanos, mas sim americanos”, afirmou, para justificar a permanência do atual secretário da Defesa, Robert Gates, à frente do Pentágono, e a indicação do general aposentado James Jones como conselheiro de Segurança Nacional, ambos republicanos.

Mais recentemente Obama também voltou atrás em relação ao fechamento de Guantánamo e não surpreenderá se mantiver a controversa legislação da Era Bush, aprovada pelo Congresso, permitindo a quebra de sigilo de e-mail, telefones, contas bancárias etc. e a prática de tortura contra suspeitos de terrorismo. No new occupant of the Oval Office can escape the grim legacy of Sept. 11 – and all of the presidential actions that followed (“nenhum novo ocupante do Salão Oval pode escapar do horrível legado de 11 de Setembro e todas as ações presidenciais que se seguiram”), segundo análise divulgada pela National Public Radio (NPR).

Em sua fala de despedida, transmitida pelas redes de TV americanas, Bush dedicou a maior parte do tempo a realçar suas ações para garantir “mais do que sete anos sem outro ataque terrorista em nosso solo” e advertiu ser esta a maior ameaça que paira sobre o governo de Barack Obama. Não há dúvida de que um fato dessa natureza seria devastador para a popularidade do novo presidente, que não tem outra saída senão seguir o receituário aplicado até aqui para evitar o pior.

No início da semana passada, enquanto a futura Secretária de Estado Hillary Clinton discursava no Senado para uma platéia de ex-colegas sobre o uso do poder inteligente em lugar da “ideologia rígida” na diplomacia, Israel promovia um verdadeiro massacre na Faixa de Gaza, com a morte de mais de mil civis, sob o silêncio de Barack Obama. Israel reproduzia, em escala reduzida, um pouco da guerra preventiva contra o terrorismo, no caso contra o Hamas, recomendada no receituário da “Guerra contra o Terror” de George W. Bush. Há retórica e mais retórica, portanto, pelo menos em relação ao Oriente Médio, onde os Estados Unidos desde sempre desejam garantir o fornecimento do petróleo para o Ocidente.

Mesmo evitando o discurso de Bush, os analistas prevêem que os próximos ocupantes da Casa Branca, inclusive Barack Obama, continuarão ignorando instituições como a ONU, como na invasão do Iraque, e a Organização do Comércio (OMS). A alegação é de que nesses fóruns as decisões são lentas e a proporção de votos de grandes potências como a China e a Índia, por exemplo, são incompatíveis com o seu contingente populacional quando comparadas com países menores, bem como considerada inadmissível a capacidade de veto destes últimos, menos expressivos, especialmente quando estiver em jogo a segurança interna dos Estados Unidos. Essas organizações, sem uma reforma, terão um papel cada vez mais secundário no cenário internacional, o que indica a permanência de uma política externa unilateralista na América.

Há, portanto, “muito mais mistérios do que possa imaginar nossa vã filosofia” nas movimentações de Obama, sua viagem de trem, suas aparições inesperadas em locais públicos e suas incursões pelo espaço cibernético, que não sei o porquê, sempre me fazem recordar as peripécias esportivas de Fernando Collor, também contrárias às medidas de segurança, quando se deixava fotografar em disparada em sua potente motocicleta ou em trajes de karateca.

Aliás, Illinois e Alagoas guardam em comum histórias nada edificantes na política.


vangelis on 10 junho, 2013 at 11:49 #

A história do grampo mundial vazou graças a um funcionário terceirizado…


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • junho 2013
    S T Q Q S S D
    « maio   jul »
     12
    3456789
    10111213141516
    17181920212223
    24252627282930