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CRÔNICA/ ESTILOS

Nina Hagen humilhou Paco de Lucía

Janio Ferreira Soares

Era uma vez um timaço da Catalunha, cujos jogadores mais pareciam dançarinos flutuando sobre um imenso palco no ritmo das canções do violonista Paco de Lucía. Com toques precisos e harmoniosos, eles faziam a bola rolar tanto na velocidade de um solo flamenco, quanto na cadência do Concierto de Aranjuez. Comandados por Messi, o time barcelonês não parava de encantar o mundo e, talvez por isso, nem teve tempo de perceber que na velha Alemanha de tantas batalhas uma esquadra vermelha se preparava para enfrentá-los também sob uma ótica musical.

Arrisco a dizer que os jogadores do Bayern treinaram com fones que tocavam no lado esquerdo do cérebro (aquele mais voltado aos detalhes) uma mistura de Ode a Alegria, de Beethoven, com a Cavalgada das Valquírias, do também alemão Wagner, enquanto no lado direito (o mais chegado às imaginações) rolava o som do Scorpions com pitadas de Nina Hagen, muito provavelmente para dar um susto no córtex da moçada. E o resultado dessa inesperada e absurda mistura todos estão cansados de saber.

Logicamente nada disso aconteceu ao pé da letra, mas bem que poderia, já que futebol e música têm tudo a ver. Nessa linha, a nossa Seleção parece que está atuando num modelo inspirado no Esquenta, programa de Regina Casé. Só isso para explicar o lado esquerdo da defesa jogando no ritmo de funk, enquanto a ala direita, certamente por sugestão de Murtosa, vai no compasso do bolero de seu sósia, Roberto Muller. Já o meio-campo precisa decidir se assume a pegada de Daniela Mercury ou se fica no chove-não-molha do ambíguo Luan Santana. Quanto ao ataque, o que parece é que Neymar e companhia estão jogando inspirados num futuro dueto de Amado Batista e Caetano cantando Ah Lelek, Lek, Lek, com as caxirolas de Brown fazendo o som do mar de Amaralina pelo ponto de vista de quem vem da Pituba. A sorte é que Felipão ainda tem tempo de testar outras influências musicais. Se eu fosse ele começaria com Dominguinhos e o seu Lamento Sertanejo, e ficaria bem longe de uma coisa chamada Mc Naldo.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura, Turismo e Esportes de Paulo Afonso, na margem baiana do vale do Rio São Francisco.

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