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Postado em 09-05-2013
Arquivado em (Artigos) por vitor em 09-05-2013 12:58

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Eu só queria entender

Maria Helena RR de Sousa

Dizem que nas décadas de 20 e 30 do século passado a moral das classes altas e a da classe artística era muito elástica, ou melhor, era muito frouxa. As aparências enganavam, a hipocrisia campeava. O uso da droga era muito difundido, o álcool era livre, o adultério era quase obrigatório, os casamentos eram um contrato comercial e patrimonial, mais do que tudo.

Bem, isso é que vemos nos bons filmes europeus feitos no intervalo entre as duas grandes guerras e na excelente literatura da época.

Se isso é verdade ou ficção, não sei.

O que eu sei é que hoje em dia, no mundo ocidental, tudo liberado, sem freios ou amarras, mulheres e homens absolutamente livres, sem necessidade de ser hipócrita, ser ou não virgens uma decisão pessoal sem controle externo, a droga entregue em domicílio, a bebida vendida livremente, ninguém preocupado com quem ou com o quê você dorme… os crimes sexuais vêm crescendo de modo assustador.

Chega-se à triste conclusão que não é o amor ou o desejo que leva um homem a querer ter relações sexuais com uma mulher. O que os move é a violência. O prazer vem da violência. É a única explicação para o número estupidamente elevado de estupros aqui no Rio de Janeiro.

A maldade em estado bruto, como no caso da turista americana ou da moça no ônibus na Avenida Brasil. À luz do dia e em avenidas de trânsito intenso.

As famílias cariocas estão assustadas e impressionadas. Há medo de ver suas filhas saírem de casa, medo que tem que ser enfrentado, pois a vida não para. Medo pelos filhos e por todos nós. A selvageria impera.

Mas isso parece não comover nossas autoridades. Leio na VEJA, numa reportagem muito bem feita, sobre a pensão dada aos familiares dos detidos por crimes, hediondos ou não. A lei preocupa-se com o sustento das famílias dos bandidos. Mas, curiosamente, os familiares das vítimas, esses não recebem pensão do Estado, nem cuidados especiais…

Até a igreja esquece os bons para dar apoio aos maus. Vamos ter aqui no Rio, em julho, a Jornada da Juventude e o papa Francisco nos visitará. Na sua programação oficial há um breve encontro com alguns jovens detentos no Palácio Arquiepiscopal São Joaquim. Mas não li nada sobre a visita aos pais de crianças martirizadas ou de mulheres estupradas…

É difícil compreender

Maria Helena RR de Sousa, artiticulista e cronista, mora no Rio de Janeiro, de onde colabora com o Bahia em Pauta

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Comentários

Mariana on 9 Maio, 2013 at 14:37 #

Concordo plenamente! Todos se preocupam com “direitos humanos” dos bandidos, mas com quem sofre a violência e com quem a ela está exposta todo o tempo, tentando levar uma vida digna, ninguém de importa.
Já passou da hora de mandar esses bandidos pagarem caro pelo crimes horrendos que cometem, sem dó, nem piedade.
Lugar de bandido é na cadeia e não em sociedade.


Lilyane on 9 Maio, 2013 at 18:31 #

Os valores estão totalmente invertidos Maria Helena. Estou começando a parar de pensar nesses assuntos, pois isso afeta minha saúde. Não é covardia, é preservação.


Tony on 10 Maio, 2013 at 11:44 #

Ana Maria, você disse tudo que penso, estamos vivendo numa sociedade que diz que preza a igualdade, a liberdade de expressão e muito mais. Hoje quando um homem que mata dezenas de pessoas tem uma proteção como que ele que está sendo a vítima do crime. As pessoas de bens não possui liberdade alguma de viver em um país onde prega o que não seguem. Vidas sendo ceifadas, famílias desestruturadas por causa da criminalidade e os “direitos humanos”, onde estão? Revolta total.


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