Luiz Augusto

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DEU NO Twitter. PUBLICADO NO BLOG POR ESCRITO, EDITADO PELO JORNALIS LUIZ AUGUSTO GOMES. BAHIA EM PAUTA RECOMENDA (VHS)

É curioso ver como governos se pautam não por um planejamento cuidadosamente desenvolvido, que contemple todas as variáveis, mas se caracterizando em geral pelo jogo de palavras produzido por marqueteiros, que acabam ditando “políticas de Estado”.

Um exemplo recente de muita repercussão foi o confronto de mensagens entre o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e a presidente Dilma Rousseff, que, tudo indica, o enfrentará em 2014.

Campos, um aliado em retirada, disse na televisão que “é possível fazer mais”. Sem dar o braço a torcer, o programa de Dilma replica nas buchas: “É possível fazer cada vez mais”.

O exemplo local é semelhante. Quando sentiu que perdia terreno na capital para a eleição municipal, o governo empreendeu campanha baseada no conceito “o governo da Bahia em Salvador”.

Constatada a fragorosa derrota, renova promessas sem admitir os erros: é “o governo da Bahia fazendo mais por Salvador”, como diz a propaganda sobre a obra do terminal turístico do Comércio, mais uma da lista das demoradas.

maio
04
Posted on 04-05-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-05-2013

Dominguinhos e Guadalupe interpretam um clássico
nordestino do baiano Gordurinha
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Estadão /Correio da Bahia

Os dedos de Seu Domingos se movem lentamente. Há meses estavam duros, em nada parecidos com aqueles que a diva do jazz Sara Vaughan beijou depois de vê-los incendiar as teclas de uma sanfona no Free Jazz Festival de 1987. Nem de longe os mesmos que Luiz Gonzaga nomeou herdeiros legítimos de seu reinado.

Ao sentir a mão da mulher Guadalupe tocar a sua, Dominguinhos a aperta forte. Sua reação mais comovente depois de oito enfartes, 23 minutos sem oxigenação no cérebro, uma traqueostomia, dois meses na UTI e desavenças familiares sobre seu próprio leito até parece milagre. A luta de Dominguinhos não é só pela própria vida. Seu estado “minimamente consciente”, conforme diz o último boletim médico divulgado em 18 de março, lhe permite perceber o que o rodeia de bom e de ruim.

Quando o flautista Proveta surgiu tocando no quarto, acompanhado pelo sanfoneiro Mestrinho, o homem só faltou dançar. Já nas duas das vezes em que o filho Mauro Moraes apareceu para visitá-lo, discussões tensas entre Mauro e um acompanhante de quarto que permanece ao lado do leito a pedido de Guadalupe entristeceu o músico profundamente. Se pudesse fazer um pedido, Domingos certamente suplicaria mais por paz do que pela própria vida.

A luta do maior músico da cultura nordestina, um dos mais geniais instrumentistas do País, se dá em um quarto do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Assim que foi diagnosticado com um câncer de pulmão, fez tratamentos de rádio e quimioterapia sem jamais falar sobre a doença com a imprensa. Sua incapacidade de dizer não, mesmo debilitado, o levou, em dezembro de 2012, até Exu, no interior de Pernambuco, para tocar nos 100 anos de nascimento de Luiz Gonzaga.

Uma decisão difícil, tomada depois de uma noite de lágrimas como respostas às súplicas de Guadalupe. “Eu dizia para ele não ir e ele só chorava. Ele nunca diz não.” Como não entra em avião nem sob tortura, Dominguinhos saiu de carro de Recife para Exu. A cada dois quilômetros, ligava para dizer a Guadalupe como estava. Em uma ligação, reclamou de febre. “Então volta, homem. Volta pelo amor de Deus”, ela implorou. Domingos foi até o fim e tocou já sentindo o pulmão fechar. Quatro dias depois, passou mal, foi internado e começou a lutar pela vida.

Visita

Três rapazes chegaram quarta-feira do Recife só para ver Dominguinhos. Era um sonho conhecer o mestre. Guadalupe aceitou levá-los até o quarto. Enquanto Domingos dormia, ela contava sobre o dia em que o “trouxe de volta”. Guadalupe implorava para que o marido saísse de seu estado de inconsciência. “Domingos, acorde. Sei que você está me ouvindo. Venha comigo homem, você consegue. Pegue nas mãos desse homem de branco a seu lado e venha…”

De repente, nas lembranças de Guadalupe, o sanfoneiro levou o tronco para frente e ergueu os braços. Quando tentou falar, percebeu que não podia e, então, sua expressão foi de pânico. Guadalupe contava esta história quando percebeu que os rapazes não olhavam surpresos mais para ela, mas para Dominguinhos. Seu Domingos, notou a mulher, estava acordado e chorando. “Ele ouviu o que eu disse e se emocionou.” Ela não chamou os médicos, só confortou o paciente. “Não desista, não deixe o que aconteceu hoje abalar você.”

Antes dos três fãs chegarem do Recife para beijarem suas mãos, uma cena triste vivida sobre seu leito pela segunda vez deixou Dominguinhos visivelmente triste. Quem passou pelo hospital foi Mauro Moraes, filho do sanfoneiro e de Janete, sua primeira mulher. Mauro, 53 anos, não tem boas relações nem com Guadalupe, a segunda esposa de Domingos, nem com Liv, a filha do casal.

Segundo testemunhas, Mauro chegou para visitar o pai quando se desentendeu com Márcio, o acompanhante que Guadalupe contratou para ficar o tempo todo ao lado de Dominguinhos. Mauro pediu para ficar a sós com o pai, mas Márcio se negou a deixar o quarto. Mauro então teria começado uma discussão acalorada com Márcio, pedindo privacidade e dizendo que ninguém teria o direito de fazer aquilo com ele. O clima esquentou e impropérios foram trocados. Mauro vive no Rio de Janeiro mas está em São Paulo desde que o pai chegou ao hospital.

Contra a vontade de Liv e de Guadalupe, hospedou-se no apartamento de Dominguinhos e diz que não tem planos de sair de lá tão cedo. “Sou filho legítimo, que mal tem em eu ficar na casa dele? Estão me tratando como se eu fosse um bastardo. Eu só quero que me respeitem. Dizem que estou atrás da herança do meu pai. Eu nunca liguei para isso, nem carro eu tenho”, diz. Guadalupe não gosta de alimentar discussões, mas diz estar exausta das desavenças provocadas por Mauro.

Em março, sites publicaram frases do rapaz dizendo que seu pai estava “em coma irreversível”, informação nunca confirmada pelo hospital. Dias depois, redes sociais multiplicavam o boato de que Dominguinhos havia morrido. “Você imagina as pessoas me ligando dizendo que meu pai morreu”, conta Liv. “Quando disse que ele estava em coma irreversível, só repeti o que um médico disse para mim.”

O Sírio Libanês não dá notícias que vão além de um boletim divulgado em 18 de março: “Houve melhora do quadro cardiológico, respiratório e renal. Do ponto de vista neurológico, ele apresenta estado minimamente consciente, demonstrando discretos sinais de recuperação. O paciente permanece internado, sem previsão de alta.” O coração de José Domingos de Moraes, 72 anos, tem o tamanho do mundo e segue batendo no ritmo de um xote doído e comovente.


Marieta Severo:prêmio merecido no cinema

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DEU NA FOLHA/ILUSTRADA

LUCAS NEVES
NO RECIFE

Quase sempre massacrada pela crítica, a neochanchada brasileira deu o troco na premiação do 17ª festival Cine-PE, na quinta-feira (2) à noite, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda.

“Vendo ou Alugo”, de Betse de Paula, levou 12 dos 16 prêmios oficiais, incluindo os de melhor filme, direção, roteiro e atriz (Marieta Severo).

A comédia, com estreia prevista para 9/8, mostra os quiproquós de uma decadente família que decide vender uma mansão no pé de um morro do Rio. Tudo vai bem até que, durante uma visita prospectiva, estoura um tiroteio, que abrirá a comporta de segredos e confissões de quatro gerações.
Divulgação
Marieta Severo, escolhida melhor atriz, em cena do filme “Vendo ou Alugo”
Marieta Severo, escolhida melhor atriz, em cena do filme “Vendo ou Alugo”

“É histórico para uma comédia: [conjugar] prêmios de crítica e público “, disse Betse em uma das vezes que subiu ao palco para coletar troféus.

Afora menções secundárias ao documentário “Rio Doce-CDU”, de Adelina Pontual, o júri privilegiou produções que orbitam em torno do sistema TV Globo/Globo Filmes.

Reconhecido pela fotografia de Lauro Escorel, “Giovanni Improtta”, estreia na direção de José Wilker, deriva da novela “Senhora do Destino”.

“Bonitinha, mas Ordinária”, que deu a João Miguel o prêmio de protagonista, tem direção de Moacyr Goés (“Dom”) e produção de Diler Trindade (dos filmes de Xuxa e de Renato Aragão).

Enquanto isso, saiu sem prêmios a interessante mistura de filme de cangaço, drama social de época e jornada do herói que é “Aos Ventos que Virão”, do cearense Hermano Penna (“Sargento Getúlio”).

maio
04
Posted on 04-05-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-05-2013


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Aroeira, hoje, no jornal O Dia

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ARTIGO DA SEMANA

Exemplo no meio do tumulto

Vitor Hugo Soares

Refugiado em lugar aparentemente mais seguro, na Bahia, espio o cenário nacional, deste começo de maio, nos terreiros da justiça e da política, com suas vizinhanças minadas por interesses de quase todos os lados. Alguns aceitáveis, outros escancaradamente subalternos e repudiáveis.

Sigo o exemplo bem humorado de Adoniran Barbosa e seus amigos do genial “Samba do Bexiga”, quando o pau quebrou na cantina, do agitado bairro italiano de São Paulo, eles foram para “debaixo da mesa, ver o Nicola brigar”.

Igual a letra do samba paulistano, também encaro com alguma preocupação este bafafá em Brasília. Radicalizar parece, neste caso, ser a palavra de ordem das mais de duas dezenas de condenados do processo do Mensalão e seus regiamente pagos defensores. Em geral nomes de proa nas placas douradas dos escritórios mais caros da advocacia do Brasil.

A começar pelo estapafúrdio pedido de afastamento do ministro presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, da relatoria do palpitante processo que atrai a atenção do país e de grande parte do planeta.

Isso quase na hora mais aguardada: a do desfecho deste caso histórico e referencial da aplicação das leis e de aparente breque na impunidade de praticantes de “malfeitos” na política, na administração pública e nichos profissionais importantes nas cercanias do poder.

Debaixo da mesa da cantina Brasil, assim como na música de Adoniran, reina também uma expectativa animadora. A de que, quando a poeira do fuá assentar – culpados em cana – será a hora de cuidar dos feridos, quem sabe depois de uma observação semelhante à do famoso sargento Oliveira citado na composição: “A situação está cínica, os mais pió vai pras Crinicas”. E tudo seguirá em paz.

Enquanto não acontece o desfecho do “Samba do Mensalão”, aproveito as linhas que restam deste artigo de opinião para o registro de fatos relevantes acontecidos nos últimos dias em Salvador, embora sem o destaque merecido e atenção necessária por parte das pautas da chamada “mídia nacional”.

Refiro-me à histórica eleição, esta semana (por unanimidade dos votantes), da Ialorixá maior do candomblé em terreiros locais e da religião afro-brasileira no País, Mãe Stella de Oxossi, para membro da Academia de Letras da Bahia (ALB). Ela vai ocupar a cadeira cujo patrono é Castro Alves, poeta maior da terra, na vaga aberta com a morte recente do historiador Ubiratan Castro.

Escolha feliz, honrosa e mais que merecida: Mãe Stella é líder religiosa, escritora com várias obras publicadas, mestra honorária da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), e colunista do jornal A Tarde. Na quinta-feira, 02/04, ela festejou com plenitude de saúde, inteligência e sabedoria, 88 anos de idade.

O dia inteiro e parte da noite, o famoso terreiro do Ilê Axé Opô Afonjá virou centro de peregrinação e de festejos em homenagem à líder religiosa e intelectual, de forte presença social e política também.

Isso ficou cabalmente demonstrado na festa de aniversário da democrática sacerdotisa do candomblé. Diante dela passaram centenas de filhos e filhas praticantes de sua fé, religiosos de muitos outros credos, celebridades locais e nacionais das artes e das letras em geral (músicos, artistas plásticos, escritores, mestres acadêmicos…).

Sem falar nos políticos e governantes que acorreram aos montes ao terreiro baiano, ou mandaram mensagens de afeto e respeito. A começar pelo governador da Bahia, Jaques Wagner, petista de origem e religião judaica, mas que ao lado da primeira dama do estado, Fátima Mendonça, foi dos primeiros a pisar os pés no território sagrado do Opô Afonjá, em visita de homenagem na quinta-feira.

Igualmente o prefeito de Salvador, ACM Neto, do DEM, reconhecido devoto de Santo Antonio, que também se postou e posou ao lado da ialorixá (respeitoso e obsequioso). Acompanhado de um séquito de auxiliares de seu governo e vereadores que apóiam sua administração, ligados aos terreiros, a exemplo do vereador atual e ex-prefeito Edvaldo Brito.

Não faltou também o deputado federal pelo Partido Comunista do Brasil ( PC do B), Protógenes Queiroz, presença freqüente na casa de santo , ele que é um soteropolitano de família com um pé nos terreiros, embora criado em Niterói (RJ) e eleito por São Paulo .

Enfermeira de formação, Mãe Stella em sua primeira entrevista exclusiva depois de eleita para a ALB (publicada em A Tarde), pontuou com enorme sabedoria ao responder à repórter Marjorie Moura sobre o significado da escolha:

“Nada poderia ser mais especial. Castro Alves tem uma poesia vigorosa e foi uma das primeiras vozes no Brasil a se levantar contra a escravidão. A força dos versos de “Navio Negreiro” calou fundo na sociedade brasileira ao reconhecer nos escravos africanos pessoas iguais a qualquer outra. Depois, a contribuição do professor Ubiratan Castro para a preservação de nossa cultura. Diante disso, ninguém nunca pensaria que uma mãe de santo poderia chegar a ocupar este posto. Isso mudou pela nossa luta, mas também por meus livros, porque o que a gente não escreve o tempo leva”.

Magníficas palavras! Parabéns em dobro, Mãe Stella! Receba, também, o abraço deste ateu que crê em milagres.

Vitor Hugo Soares é jornalista, edita o site blog Bahia em Paut a em Salvador. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Uma das faixas do CD “Encontro em Dois Momentos”, de Isabel Ventura,”Porque me Olhas Assim”, composição de Fausto Bordalo Dias, para aquele “clima”, no primeiro soabado de maio.

Isabel canta ( e encanta ) com Marco Figueiredo ao piano,Ze Carlos Barbosa no contrabaixo, e Michel Marques na bateria.

Bravo!!!

(Gilson Nogueira)

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