Vanzolini e Adoniran:amigos e boêmios amantes de São Paulo

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Um Homem de Moral

Maria Helena RR de Sousa

Dr. Vanzolini foi uma figura especial. Além de ser um cientista de renome internacional, a quem o Brasil deve muito sobretudo por suas pesquisas que dão importância ao Instituto Butantã, de São Paulo, era um grande compositor, autor de letras imortais, boêmio por natureza e grande amante da cidade de São Paulo.

Foram bons amigos, ele e Adoniran Barbosa. Ambos com sangue italiano nas veias, ambos com a inteligência à flor da pele, um muito instruído, com bagagem intelectual de primeira, o outro com as lições aprendidas na escola da vida, tinham em comum o fato de gerarem músicas deliciosas sem tocar um instrumento sequer. Ambos dependiam de amigos para pôr em um papel as suas músicas.

Paulo Vanzolini é autor de letras sensacionais: Praça Clovis, Samba Erudito, Napoleão, Quando eu for eu vou sem pena, Juízo Final, Ronda, e do hino Volta por cima do qual ele disse: “Mas “Volta por cima” tem um fracasso. Porque ninguém entendeu que o importante não é dar a volta por cima, é reconhecer a queda”. Grande lição, que eu recém aprendi…

Ricardo Dias, cineasta e grande amigo do dr. Vanzolini, fez um documentário intitulado “Um Homem de Moral” que é uma preciosidade. Assisti aqui no Rio em junho de 2009. Espero que os cinemas brasileiros prestem a homenagem que Paulo Vanzolini merece e programem a reapresentação do documentário.

Não podemos perder nossa memória. Não devemos perder nossa memória. Não seremos nunca um país se não repassarmos para as gerações vindouras os feitos dos nossos grandes. E Paulo Vanzolini foi enorme.

Trouxe para vocês um clip onde Ana Bernardo, a maravilhosa companheira de Vanzolini, canta o samba que ele compôs para seu amigo Adoniran Barbosa:

Ô, Seu Barbosa, nóis era dois casado certo
Morando num bairro longe, mas passando ônibus perto
Uma vista tão linda, de cima do nosso morro
E as crianças precisando de um pronto-socorro – só uma hora dali
Eu e Marli, vivia satisfeito
O que fizeram com nóis, seu Barbosa, não está direito
O pivô do enguiço foi um gato
Pertencente a cidadão, por nome de Rubinato
O miau sumiu, ele botou o dedo ni mim
Só porque me viu, encourando um tamborim
Foi na delegacia, se acertou com o escrivão
Já no outro dia recebi intimação
Mas eu vou lá, quem não deve não dá bola
Eu provo que o tamborim eu fiz com o gato da espanhola
Seu Rubinato, vou lhe dar um bom conselho:
Você arranja outro gato e a Marli lhe ensina a fazer coelho.

Maria Helena RR de Sousa, cronista, colaboradora do Bahia em Pauta,mora no Rio de Janeiro. É filha de Adoniran Barbosa

abr
29

DEU NO PORTAL TERRA

Patrick Brock

Direto de Nova York

As investigações sobre os irmãos Tamerlan e Dzhorkhan Tsarnaev, apontados como autores do atentado na Maratona de Boston, no dia 15, começam a consolidar uma narrativa oficial após a onda de teorias conspiratórias lançadas sobre o caso. A revelação de que eles cogitaram espontaneamente atacar Nova York na sequência do atentado e novos detalhes sobre a vida dos irmãos nos EUA reforçam o perfil dos imigrantes desajustados e suficientemente motivados pelo fanatismo religioso para agir por conta própria.

As teorias conspiratórias começaram a surgir na semana passada. Se inspiram, na maioria, em interpretações de detalhes na torrente de imagens sobre o ataque. Há um vídeo – já desmentido pelas autoridades – que mostraria Tamerlan sendo detido vivo na sexta-feira.

A imagem foi citada histericamente por sua mãe durante uma das várias entrevistas que concedeu quinta-feira, em que defendeu sua convicção na inocência dos filhos e até argumentou que os ataques a Boston foram montados. No depoimento da mãe também surgiu uma figura misteriosa, apelidado de “Misha”, que ela diz ter tido um papel importante na religiosidade da família e especialmente dos filhos. Alguns especialistas acham que Misha pode ter sido responsável pela radicalização final dos irmãos, atuando como um recrutador carismático.

Filhos de russos de etnia chechena que nunca conseguiram se encaixar nos EUA, os irmãos Tsarnaev também enfrentavam dificuldades para cursar faculdade e conseguir emprego. O mais velho se voltara ao radicalismo religioso no Daguestão, república russa vizinha à Chechênia, após fracassar na carreira de boxeador e nos estudos universitários. Já Dzhorkhan era mais bem ajustado e estava matriculado no curso de biologia marinha na universidade estadual, mas foi reprovado na maioria das matérias tentadas.

As últimas revelações consolidam a narrativa oficial de autoridades que ainda tentam explicar exatamente qual é a cepa de terrorismo dos irmãos Tsarnaev. Relatos sobre o passado de Tamerlan mostram um histórico de radicalização religiosa. Familiares contam que Tamerlan exibiu um interesse renovado no Islã quando voltou ao Daguestão em 2012, embora se destacasse claramente como americano, falando russo com sotaque e apelando para o inglês quando esquecia as palavras.

O irmão mais velho era idolatrado pelos familiares mas passou 2011 em casa, desempregado e cuidando da filha recém-nascida, enquanto a mulher sustentava os dois trabalhando como enfermeira. Antes disso, Tamerlan chegou a ser acusado de violência doméstica por uma namorada, mas o caso foi abandonado.

Tamerlan exibiu desde cedo sinais de puritanismo religioso, como a maneira como vigiava uma irmã na escola em que frequentavam, contam conhecidos. Com o passar do tempo, adotou uma postura mais radical na mesquita que frequentava, atraindo reclamações.

No casamento, os vizinhos relataram brigas diárias em que uma voz feminina predominava. Tendo em vista a cultura de incentivo à bravata nos jovens chechenos, usada para manter a identidade étnica perante a dominação russa, surge a possibilidade de que a combinação de afirmação étnica e radicalização religiosa motivou Tamerlan a conceber o atentado como a saída violenta e até honrosa para o seu labirinto americano.

Outro aspecto digno de nota é que o FBI aparentemente falhou quando não investigou a radicalização crescente dos irmãos denunciada em 2011 pela FSB, a agência russa de inteligência. Alguns congressistas americanos já começaram a criticar a inépcia da polícia federal americana diante das denúncias, num contexto em que a própria lançou várias iscas nos últimos anos para incriminar jovens radicais como os Tsarnaev, inclusive interessados em atacar Nova York. Mas os diversos avisos russos sobre a radicalização dos jovens foram investigados em 2011 e considerados sem procedência.
Acusado conta o que motivou atentado em BostonClique no link para iniciar o vídeo Acusado conta o que motivou atentado em Boston

Entre os detalhes considerados suspeitos pelos defensores das conspirações no atentado de Boston há desde um homem misterioso fotografado no telhado de um prédio a alegações de premonição por anônimos na internet,que enxergam indícios num episódio do seriado Family Guy (Família da Pesada, na versão em português) exibido semanas antes. Outros enxergam atores nas fotos dos primeiros momentos após as explosões. As alegações do radialista Alex Jones, que usou as mídias sociais para acusar o governo americano de praticar o atentado como justificativa para ferir as liberdades civis, não são consideradas críveis pelas autoridades e pelo público em geral.

Curioso é que o mais velho visitava o site Info Wars, do próprio Alex Jones, uma conexão inesperada com os direitistas americanos, eles mesmos autores de outros atentados domésticos. Também há relatos de que Tamerlan citava com frequência todo tipo de conspiração. Ainda faltam detalhes sobre o próprio planejamento dos irmãos para cometer o atentado.

http://youtu.be/lBkCW2J9u1o

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http://youtu.be/H-HdWdnry6E


PRAÇA CLÓVIS

Paulo Vanzolini

Na praça Clóvis
Minha carteira foi batida
Tinha vinte e cinco cruzeiros
E o teu retrato
vinte e cinco
Eu, francamente, achei barato
Pra me livrarem
Do meu atraso de vida
Eu já devia ter rasgado
E não podia
Esse retrato cujo olhar
Me maltratava e perseguia
Um dia veio o lanceiro
Naquele aperto da praça
vinte e cinco
Francamente foi de graça

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DEU NA COLUNA DE MÔNICA BERGAMO – FOLHA DE S. PAULO

Para José Sarney, não há possibilidade de proposta que tira poderes do STF ser aprovada

A chance de a proposta que tira poderes do STF (Supremo Tribunal Federal) ser aprovada no Congresso é nula. É o que diz o ex-presidente José Sarney, que comandou o Senado por vários anos e conhece como poucos o “espírito” do parlamento.

CORPO INTEIRO
“Essa ideia não tem pé nem cabeça nem sentido algum. É estapafúrdia”, diz Sarney sobre a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) de um deputado do PT.

“Ninguém no Congresso tomou conhecimento.” Nem tomaria, diz ele, caso a imprensa não fizesse barulho, apesar de a iniciativa “não ter chance de evoluir”.

Ele diz que muitas vezes parlamentares apresentam projetos “porque querem aparecer”.

BERÇO

Sarney nem sempre concorda com decisões do STF que interferem em processos do Legislativo. Mas acha que a PEC não traz solução. “Todas as leis que prestigiam Judiciário e Ministério Público foram aprovadas pelo Congresso. Foi o parlamento que deu ao STF o poder de ser o guardião da Constituição.”

JUNINA

E a família Sarney, que na quarta passada celebrou os 83 anos do patriarca, se prepara para outra festa.

Em junho, a governadora Roseana Sarney, do Maranhão, faz 60 anos.

abr
29
Posted on 29-04-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-04-2013


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Sinfrônio, hoje, no Diário de Nordeste(CE)

abr
29

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O compositor e cientista (zoólogo) Paulo Vanzolini morreu neste domingo aos 89 anos, vítima de complicações decorrentes de uma pneumonia. Ele estava internado desde a noite da última quinta (25) –seu aniversário– na UTI do hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Deixa mulher, a cantora Ana Bernardo, e cinco filhos do primeiro casamento.

O velório, reservado a familiares e amigos, será nesta manhã, no Albert Einstein. O enterro deve ocorrer durante a tarde, no Cemitério da Consolação.

Um dos ícones do samba paulistano, criou clássicos como “Ronda”, “Volta por Cima” e “Praça Clóvis”, interpretados por grandes nomes da MPB, como Chico Buarque, Maria Bethânia e Paulinho da Viola.

No mês passado, Vanzolini foi um dos 87 artistas a se apresentar em evento no Teatro Oficina para arrecadar fundos para reformar e ampliar a Casa de Francisca, pequena casa de shows paulistana. Também em março, recebeu o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) pelo conjunto da obra.

Compositor bissexto, de músicas que chegavam a demorar um ano a ficar prontas, Vanzolini não tocava nenhum instrumento (para escrever as canções, entoava-as a amigos músicos) e tinha, assumidamente, um “grande problema com a afinação” (como disse em entrevista ao “Jornal do Brasil”, em 1970), mas se firmou como um grande compositor de samba.

Compunha nas horas vagas do trabalho como zoólogo de renome internacional especializado em répteis. Com doutorado em Harvard, Vanzolini foi por três décadas diretor do Museu de Zoologia da USP, onde trabalhou por mais de 50 anos.

“Não tenho carreira de compositor. Música, para mim, é um hobby. Trabalho 15 horas por dia como zoólogo, adoro minha profissão. Não sei cantar, nem sei a diferença entre o tom maior e o menor”, disse, em 1997, em entrevista à Folha.

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OPINIÃO POLÍTICA

Congresso e STF

Ivan de Carvalho

Tudo está a indicar que, apesar da ação de bombeiros, teremos uma semana política com temperatura próxima da ignição, assim como foi a anterior.
O principal bombeiro em operação entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal é o vice-presidente da República, Michel Temer. Mas não é possível escapar da constatação de que, embora tentando reduzir a temperatura nas relações entre o Congresso e o STF, que atingiu níveis perigosos, Temer tem lado na pendência.

O outro dos principais bombeiros é o presidente da Câmara dos Deputados, onde a fogueira foi preparada por estímulo do governo e iniciativa do PT. O deputado Henrique Eduardo Alves, peemedebista que preside a Câmara, juntou-se ao senador Renan Calheiros, que preside o Senado, para confrontar o STF e uma decisão deste que atinge projeto aprovado na Câmara e em tramitação no Senado.

O lado de Temer é o mesmo de Alves e Calheiros, o mesmo do PT e do governo. Querem todos eles que o STF, em decisão plenária, não confirme a medida liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes em mandado de segurança impetrado pelo líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg, contra o projeto de lei que pretende inibir a criação de novos partidos, atingindo assim a Rede Sustentabilidade e consequente e diretamente a candidatura de Marina Silva a presidente da República, enquanto, por tabela, cria dificuldades para os aspirantes Eduardo Campos e Aécio Neves.

Os bombeiros, um pouco prejudicados por terem lado, mas ajudados pela compreensão de que a continuação da crise entre o Congresso e o STF é muito grave, estão conseguindo algum progresso. Isto, no entanto, não faz desta uma semana com temperatura mais baixa que a anterior. Talvez apenas impeça que o calor se eleve mais ainda na Praça dos Três Poderes.

É que, embora no Congresso o barulho haja sido armado em torno do projeto de lei que inibe a criação de novos partidos por reduzir a quase nada para eles os recursos do Fundo Partidário e o tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e televisão, há um problema ainda maior.

Trata-se da PEC 33 (Proposta de Emenda Constitucional) que, passando por cima de cláusulas pétreas da Constituição e de seu “espírito”, trata de quebrar a independência dos Poderes, submetendo ao Congresso o Supremo Tribunal Federal em questões que para o STF, a corte constitucional por excelência, são absolutamente fundamentais – ações de inconstitucionalidade de emendas constitucionais e súmulas vinculantes. Além da elevação para nove do quorum para declaração de insconstitucionalidade das leis. Junte-se isto à PEC 37, que cancela os poderes de investigação do Ministério Público, bem como sua capacidade de interferir, supervisionando, o trabalho da polícia, o inquérito policial.

Note-se que se ao Congresso – onde o Executivo tem ampla maioria – se dá a palavra final nas decisões mais fundamentais do STF e se o Ministério Público, que é autônomo, não pode investigar por iniciativa própria nem pode interferir na investigação da polícia, que é submissa ao Executivo, todo o poder, na prática, passa as mãos do Executivo. O que agora se intenta no Congresso é um golpe legislativo que entrega o poder de fato, inteiro, ao Executivo. Por causa das propostas citadas é que assinalei neste espaço, no sábado, que “o Congresso está parindo monstros”.

No STF, revela reportagem de O Estado de S. Paulo, ministros articulam “uma resposta categórica e institucional” à aprovação da PEC 33 pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. O decano do tribunal, o ministro Celso de Mello, “fará um discurso durante esta semana, questionando os efeitos da PEC 33”. Até agora, ministros como Marco Aurélio Mello e Gilmar Mendes e o presidente do STF, Joaquim Barbosa, deram respostas isoladas e sintéticas. O STF espera que isso seja suficiente.

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Um dos mais lindos bolerosde sempre, autoria de Agustín Lara (1897-1970), músico do Mexico, considerado um dos mais destacados compositores de canções e boleros da historia da música.

A interpretação de Cole é simplesmente fabulosa.

Confira e boa segunda-feira

(Vitor Hugo Soares)

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