Mãe Stella na ABL: dia histórico para a cultura

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DO G1 BA

A ialorixá do terreiro Ilê Axé Opó Afonjá, Mãe Stella de Azevedo dos Santos, também chamada de Mãe Stella de Oxóssi, a partir desta quinta-feira (24), passa a ocupar a cadeira de número 33 da Academia de Letras da Bahia .

A mãe-de-santo recebeu 22 votos dos acadêmicos em sessão realizada nesta quinta-feira (25) com objetivo de escolher o novo nome para vaga deixada pelo historiador Ubiratan Castro, que morreu em janeiro.

Mãe Stella foi comunicada pelo presidente da Academia, Aranis Ribeiro Costa, e aceitou ser a nova “imortal”. “Acredito que é a primeira vez que uma mãe-de-santo entra em uma Academia de Letras. Isso é absolutamente pioneiro, não tenho conhecimento disso em nenhum outra do Brasil ou do mundo. Representa o reconhecimento de uma cultura, de uma raça e da história de um povo. É uma figura notável”, comemora.

O poeta Castro Alves é o patrono da cadeira 33, que já foi ocupada por nomes como Francisco Xavier Ferreira Marques, Heitor Praguer Frois, Waldemar Magalhães Mattos, além de Ubiratan, que era presidente da Fundação Pedro Calmon.

A Academia de Letras da Bahia tem 40 membros, entre eles, João Ubaldo Ribeiro, José Carlos Capinan, Myrian Fraga, Cid Teixeira, Ruy Espinheira Filho, Consuelo Pondé, Hélio Pólvora, Florisvaldo Matttos e Edivaldo Boaventura.

Mãe Stella é colunista do jornal A Tarde e autora de livros como “Meu tempo é agora”, “Òsósi – O Caçador de Alegrias” e “Epé Laiyé- terra viva”. Em 2009, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado da Bahia (Uneb).

http://youtu.be/fKQWolQ7cP4

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Graça:

Um cravo de Lisboa, um cheirinho de alecrim português e muitos dos mais lindos boleros românticos do mundo (como você gosta) para celebrar com plenitude este 25 de abril de seu aniversário.

Parabéns! Anos e mais anos de felicidades!

Com os agradecimentos do Bahia em Pauta e a amizade afetuosa.

(Vitor Hugo , Margarida e Maria Olívia)


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DEU NO TERRA MAGAZINE

Paquito

(Músico, compositor , intérprete e cronista dos melhores)

No último post, falei tanto de Jesus, mas confesso meu ateísmo. Criado no catolicismo, ficou o encantamento pelas narrativas biblícas, mais ambivalentes do que pregam muitos pentecostais brasileiros.

Jesus, na cruz, a pedir pelos que o crucificaram – “perdoa-os, Pai, pois não sabem o que fazem!”- ao mesmo tempo que atesta sua humildade, revela altivez absurda, auto-referente, com a lucidez e loucura que parecem possuir os profetas. A lucidez de ver as coisas com clareza, e a loucura advinda do não pertencimento, da sensação de estar à margem, apartado do viver comum.

Há muito tempo não falava com Arto Lindsay – como eu, ovelha desgarrada, e também criado por pais religiosos, só que protestantes – e manifestei a saudade ao telefone:

– Sinto falta do seu senso de humor, Arto!

E ele:

– Eu também.

Arto, além de possuir uma sensibilidade musical diferenciada, foi quem enviou uma foto a Caetano, de Prince andrógino, com o comentário “Eu sou neguinha?”, a partir da canção de Gerônimo – Eu sou negão – o que inspirou Caetano a fazer a sua Eu sou neguinha.

Gerônimo também é forrozeiro. O “preferido de Caymmi” tá apresentando seu Forró Doido na Praça Quincas Berro D’ água, no Pelourinho de Salvador, toda quinta, a partir das 20 horas, e com a verve habitual, diz que “todo artista baiano, homem menino menina mulher, quando passa o carnaval, bota o chapéu de palha, uma camisa quadriculada, e vira sobrinho, filho e neto de Gonzagão”. Gerônimo e a banda Monte Serrat cantam e tocam Gerônimo, Gonzagão e o que houver, junina e genuinamente, com graça baiana.

Humor baiano: após Daniela Mercury assumir sua relação gay, ouvi, de relance, um sujeito, sentado ao lado de uma banca de revistas, a manchete estampada, comentar:

– Logo, logo é Ivete!

Segunda feira – após o Vitória golear o Bahia por 5 X 1 no na reinauguração da Fonte Nova, arena do vencido – no Centro Médico João das Botas, uma pequena multidão espera o elevador no andar térreo.

Não dá pra todo mundo entrar, mas apenas um homem fica de fora, impedido pelo ascensorista, justamente um sujeito vestido com a camisa do Bahia. Antes da porta do elevador se fechar, ele protesta:

– Só porque eu sou Bahia, é?

Caetano, quando quis continuar a fazer análise, voltando de Londres, não encontrou profissionais da área na Bahia. Ele conta, naquela entrevista ao Bondinho, da década de 1970, que João Gilberto ria com orgulho, como se dissesse:

– Não precisa…

Mas hoje é diferente. Talvez por conta da terra-útero não andar essas coisas, psicanálise na Bahia é mato.

Caminhada de final de tarde, ouvi o seguinte diálogo entre dois psicanalistas no Corredor da Vitória, em Salvador:

– Ô, fulana, vai amanhã pro Espaço Freudiano?

– Vou, claro! Melancolia e suicídio, né?

Na praia do Porto da Barra, converso com Boneco, vendedor de cerveja, que desconstrói teorias deterministas relacionando gosto e classe social, sem saber. Ele diz que não liga pro Ba-Vi recente.

– Não gosto de ver time ruim jogando. Ver Ba-Vi é o mesmo que ver show de arrocha, dá vontade de dormir.

– E o que é que você gosta de música, Boneco?

– Eu gosto de mpb.

– O que de mpb?

– Eu gosto de João Gilberto. O cara faz música e faz humor, brinca com o público e faz música ao mesmo tempo. O cara é humorista.

João, rei dos sambas de sempre. E há sempre um a redescobrir, tantos são os que foram gravados nas décadas de 30 e 40 no Brasil. Antigamente, a gente tinha de fuçar bastante e achar Lps de gravadoras independentes de uns abnegados heróis que se dedicavam a juntar os vários 78 rpm em um vinil de, por exemplo, Noel Rosa. E aqui relembro meu amigo, o saudoso Leon Barg, que criou o selo Revivendo em Curitiba.

Agora a gente clica no Youtube e vem Chico Alves e Mário Reis aos borbotões, como se cantassem: somos o futuro, um futuro imenso e intenso de sambas e marchinhas. Não conhecia, por exemplo, a versão do próprio Lamartine Babo cantando – sem voz, mas com vez, como ele mesmo dizia – a sua Canção pra inglês ver, acompanhado apenas de piano. Lamartine cria um esperanto dadaísta em que os significados se perdem e se desorganizam, deixando de ter de existir, e só o som passa a significar:

I love you

Forget sclaine maine itapiru

Morget five underwood I shell

No bonde silva manuel.

Lalá, engraçado e sólido. Lamartine fazia sátira e canção-piada que resiste a ser contada várias vezes.E, modernisticamente, tirava sarro dos futurismo e outros ismos, como no A. B. Surdo, dele e de Noel. Canção brasileira independente. Non sense nosso.

Meu bem eu topamos no YouTube, por acaso, em Vivo deste amor, samba lindo de Bide e Marçal, interpretado por Francisco Alves, que eu também não conhecia, e trata de amor e morte:

http://youtu.be/Aeq-oF87fHI

Eu sou bem feliz

Vivo deste amor

Que me traz a vida em flor

E o paraíso, na terra encontrei

Mas no fim, meu Deus, não sei.

Ninguém sabe

DEU NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS, DE LISBOA

Cerca de 83,1 milhões de chineses viajaram para fora da China continental em 2012 e gastaram 102 mil milhões de dólares (78.081 milhões de euros) nas férias, segundo contas da Academia Chinesa de Turismo citadas hoje na imprensa oficial.

O número de viajantes representa um aumento de 18,4% em relação a 2011 e deverá voltar a aumentar este ano (15%), para 94,3 milhões, indicou a mesma fonte.

De acordo com estimativas anteriores da Organização Mundial de Turismo, no final da década a China será o maior emissor de turistas.

“O turismo no estrangeiro já não é um privilégio dos ricos. A população das cidades secundárias têm dado e continuarão a dar um contributo significativo para o desenvolvimento do turismo”, disse um especialista chinês, Jiang Yiyi, citado pelo China Daily.

Além de grandes metrópoles como Pequim, Xangai ou Cantão, consideradas as mais desenvolvidas do país, a China tem dezenas de cidades com uma próspera classe média.

No conjunto, a nova classe media chinesa representará entre 200 e 250 milhoes de pessoas, correspondendo a menos de 20% da população.

http://youtu.be/xtu9RXeYSLU

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BARBRA, NOSSO AMOR DE SEMPRE

Maria Aparecida Torneros

Ela encanta geracões, tem carisma especial, talento reconhecido por premiações que incluem dois OSCARs e tantos outros trofeus de música, ou como atiz, diretora e produtora. Barbra Joan Straisand completou ontem, 24 de abril, 71 anos, e tem agenda de shows lotada para os rproximos meses com shows programados pela
Europa e Israel, com publico garantido que a acompanha desde os tempos de Funny girl, my Fair Lady, Yentl, e do clássico The way we were (Nosso Amor de Ontem) , no qual contracenou com Robert Redford , imortalizando a cancao Memories.

Barbra, de origem judia, engaja-se nao só na vida politica americana, como é notoriamente uma das estrelas que mais tem contribuido em campanhas para levantamento de fundos em causas sociais e de pesquisa e atendimento medico, mantem uma fundação que leva seu nome com finalidade beneficente.

Ativa e militante, Barbra emociona por sua trajetória profissional e exemplos pessoais. Ela merece que saudemos suas memorias, desejando-lhe saude. E um festivo happy birthday!

Cida Torneros, jornalista, escritora e professora universitária (Comunicação), mora no reino musical de Vila Isabel, no Rio de Janeiro.

Cida Torneros

abr
25
Posted on 25-04-2013
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Sinfrônio, hoje, no Diário do Nordeste


25 de Abril em Lisboa:”não só para recordar”

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DEU NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS, DE LISBOA

Elisabete Silva (da agencia LUSA)

Cerca de 60 pessoas juntaram-se hoje em Lisboa para “viver e não apenas recordar” o espírito do 25 Abril, precisamente no momento em que, há 39 anos se iniciaram as operações militares que depuseram o regime do Estado Novo.

Em cima de uma cadeira, de microfone na mão e cravo vermelho ao peito, hoje à noite no Largo São Sebastião da Pedreira numa iniciativa de militares de Abril, o coronel Andrade da Silva, que há 39 anos foi um dos comandantes da revolução, disse que este ano se devia viver a data “com um novo conceito”, para que não seja só uma recordação.

“Vamos fazer o que a liberdade consente, com respeito”, exclamou, lamentando que ainda exista uma “nação pouco reconhecida para os filhos da pátria”.

Dito isto, Andrade da Silva gritou “viva a chamite”, no momento em que um desses veículos militares dobrou a esquina do antigo quartel do Governo Militar de Lisboa.

Soou a musica “E Depois do Adeus”, na voz de Paulo de Carvalho, primeira senha da revolução, entoada na sessão de hoje por alguns dos presentes.

Tinham já sido distribuídos cravos vermelhos pelos participantes, muitos deles militares de abril, à medida que vários intervenientes foram subindo a uma cadeira – um improvisado palanque – para uma espécie de tribuna pública.

abr
25
Posted on 25-04-2013
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OPINIÃO POLÍTICA

Teratologia legislativa

Ivan de Carvalho

O PT, com ajuda de aliados, parece haver aderido de vez à teratologia legislativa. Está parindo monstros no Congresso.

Primeiro, sob forte pressão do PT e do governo Dilma Rousseff (que é do PT), parlamentares da aliança governista na Câmara dos Deputados aprovaram o projeto de lei que põe pedras no caminho da organização de novos partidos.

Trata-se de um esforço notoriamente casuísta para tentar inviabilizar a candidatura de Marina Silva a presidente da República, assim como embaraçar as candidaturas do socialista Eduardo Campos e do tucano Aécio Neves, ambos também aspirantes a suceder Dilma Rousseff.

Aprovado na Câmara dos Deputados por ampla maioria governista, o projeto deve ser apreciado pelo Senado. Lá, além de um movimento de senadores que inclui alguns integrantes de legendas governistas, dois senadores do PT anunciaram que fariam restrições ao projeto. Um deles foi Jorge Viana. Ele adiantou que iria apresentar emenda para que o projeto, uma vez transformado em lei, só entre em vigor após as eleições de 2014.
Isto foi o bastante para o PT, estupefato com a ousadia ou a inocência de seus dois senadores, correr a fechar questão pela aprovação do projeto com vigência imediata. Ora, se é para atrapalhar os principais oponentes de Dilma Rousseff nas eleições de 2014, como é que dois senadores petistas perdiam o juízo e se dispunham a desviar o punhal – como a ex-senadora Marina Silva qualificara o projeto –, a desmanchar o casuísmo, fixando a vigência para depois das próximas eleições? Coisa de doidos, mesmo.

Mas o PT ainda não acha que basta. Ontem, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou, sem discussão, a admissibilidade de uma proposta de emenda constitucional (PEC). A PEC é de autoria do deputado Nazareno Fonteles, do PT e estabelece que o Congresso terá de aprovar as “súmulas vinculantes” do Supremo Tribunal Federal e as decisões do STF que julguem insconstitucionais emendas à Constituição.

Por enquanto talvez não se possa ainda discernir se a PEC de Fonteles atende a algum desejo de vingança contra o STF por causa do resultado, até o momento, do julgamento do Mensalão ou se visa a pressionar o tribunal para que seja menos severo ao decidir se são cabíveis embargos infringentes e, em seguida, ao julgá-los, o que poderia mudar de condenação para absolvição as sentenças dadas a alguns dos principais réus pelo crime de formação de quadrilha e a um deles pelo crime de enriquecimento ilícito.

Mais grave do que isto, no entanto, será se o objetivo dessa PEC apresentada pelo petista piauiense Fonteles integrar uma estratégia do PT para tirar o Supremo Tribunal Federal de sua frente, quando o partido ou seu governo quiser efetivar mudanças que encontram forte rejeição na sociedade brasileira e que, mais especificamente, atingem “cláusulas pétreas” da Constituição ou a contrariem em seu espírito.

Assim, ao invés de o STF decidir, quando provocado, se uma emenda constitucional é constitucional ou não, quer a PEC ontem aprovada na Comissão de Constituição e Justiça estabelecer o absurdo, a monstruosidade: embora o STF continue com a competência de julgar a constitucionalidade de emendas constitucionais, tal julgamento pode não valer. O que passaria a valer, em instância final, seria uma decisão do Congresso sobre a decisão do STF. Em síntese: ao Congresso caberá dar a última palavra sobre as emendas constitucionais que ele mesmo aprovou, com o que se anula qualquer controle externo e pode se estabelecer no país, uma ditadura da maioria. Uma ditadura da maioria congressual, substituindo o regime democrático – que é governo da maioria com respeito aos direitos da minoria, assegurados estes pela interpretação da Constituição e das leis pelo Poder Judiciário.

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Cançao do Filme Capitães de Abril de Maria de Medeiros, compositor Antonio Victorino D’Almeida, letra Pedro Ayres de Magalhães, interpretada por Teresa Salgueiro e Madredeus. Clip de João Pedro Ruivo”.(You Tube)

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AS BRUMAS DO FUTURO

Sim, foi assim que a minha mão
Surgiu de entre o silêncio obscuro
E com cuidado, guardou lugar
À flor da Primavera e a tudo

Manhã de Abril
E um gesto puro
Coincidiu com a multidão
Que tudo esperava e descobriu
Que a razão de um povo inteiro
Leva tempo a construir

Ficámos nós Só a pensar Se o gesto fora bem seguro

Ficámos nós A hesitar
Por entre as brumas do futuro

A outra acção prudente
Que termo dava
À solidão da gente
Que deseperava
Na calada e fria noite
De uma terra inconsolável
Adormeci
Com a sensação
Que tinhamos mudado o mundo
Na madrugada
A multidão
Gritava os sonhos mais profundos

Mas além disso
Um outro breve início
Deixou palavras de ordem
Nos muros da cidade
Quebrando as leis do medo
Foi mostrando os caminhos
E a cada um a voz
Que a voz de cada era
A sua voz
A sua voz

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Sim, foi assim

Bom enquanto durou.

Mas durou pouco.

Agora é recordar os cravos lançados pelas raparigas em flor
e o cheirinho de alecrim nas ruas de Lisboa.

Bom 25 de abrtil para todos, do lado de lá e de cá do Atlântico.

(Vitor Hugo Soares)

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