abr
02
Postado em 02-04-2013
Arquivado em (Artigos) por vitor em 02-04-2013 13:12

================================================================

DEU NO PORTAL EBC

Era para ser uma simples cirurgia para retirada de varizes, mas complicações no procedimento levaram à morte prematura da cantora Clara Nunes, em 2 de abril de 1983. Mineira de Paraopeba, Clara Francisca Gonçalves Pinheiro foi uma das mais importantes vozes femininas da música brasileira. O samba e a forte influência dos ritmos e religiões africanos foram a principal marca de sua música, ainda hoje celebrada.

A carreira de Clara Nunes começou cedo. Aos 10 anos ganhou um concurso musical da sua cidade – o prêmio era um vestido azul. Ao longo de toda a carreira participou e venceu diversos concursos musicais, incluindo os organizados pelas rádios e os grandes festivais. Já acumulava uma certa fama nas rádios e emissoras de televisão mineiras, onde chegou a apresentar um programa. Em 1965 mudou-se para o Rio de Janeiro e começou a se apresentar em vários programas de TV, como o de Chacrinha. Foi nessa época que passou a frequentar a umbanda, religião que teve forte influência na sua identidade musical.

Antes de ingressar no mundo do samba, Clara cantou principalmente boleros. Seu primeiro disco foi gravado em 1966: A Adorável Voz de Clara Nunes. Em 1968 gravou o disco Você Passa e Eu Acho Graça, seu segundo álbum na carreira e o primeiro onde cantaria sambas. A faixa-título foi seu primeiro grande sucesso radiofônico. O álbum Clara Nunes (1971) produzido por Adelzon Alves é considerado um marco na carreira da cantora, o “disco da virada”, com um repertório escolhido por ela, só de sambas. O visual de Clara também mudou a partir desse disco, ela passou a se apresentar com colares, guias de santo, vestidos longos, turbantes e rendas. Em 1972, Clara atingiu a marca de 100 mil cópias vendidas com o compacto da música Tristeza, Pé no Chão . A marca era inédita para uma cantora feminina e quebrou o tabu de que mulheres não tinham grande capacidade de vendagem.

A incursão pelo mundo do samba levou Clara Nunes a nutrir uma grande paixão pela Portela, escola de samba carioca. Aos poucos a mineira se aproximou da escola, frequentava as rodas de samba e reforçou os laços com a Velha Guarda da Portela. Se tornou madrinha do grupo e gravou diversos sambas-enredo para a escola. Entre eles Ilu Ayê, no carnaval de 1972, considerado um dos mais belos sambas-enredo portelense. No dia 2 de abril de 1983, o seu corpo foi velado por mais de 50 mil pessoas na quadra da Portela.

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos