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Postado em 01-04-2013
Arquivado em (Artigos) por vitor em 01-04-2013 12:32

Bahia em Pauta pública texto escrito pelo jornalista Nelson Barros Neto, correspondente da Folha de S. Paulo na Bahia, e lido na cerimônia de sepultamento de dona Teresinha Barros e Barros (original a começar pelo nome) avó querida do repórter, Domingo de Pascoa, no Jardim da Saudade, em Salvador.

Bela vó! Belo texto-depoimento!

(Vitor Hugo Soares)

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CRÔNICA/DESPEDIDA

A MELHOR VÓ DO MUNDO

Nelson Barros Neto

Também conhecida como a “melhor vó do mundo”, Teresinha Barros e Barros fez a última de suas famosas viagens –ao menos neste plano– por volta das 22h30 deste sábado (30), aos 77 anos, no Hospital Português, em Salvador. A despedida do sem-número de amigos e familiares aconteceu neste Domingo de Páscoa, no Jardim da Saudade, antes de uma cerimônia de cremação ao som de “O que é o que é”, de Gonzaguinha; “Emoções”, de Roberto Carlos; e “Deixa a vida me levar”, de Zeca Pagodinho.
Todas haviam sido exaltadas por ela, há uma semana.

Especial e irreverente até no nome, sempre ria ao contar a história de que não tinha certeza se o seu Teresinha era, afinal, com “s” ou com “z”. Na dúvida, dizia escrever um ‘sí’ com o rabinho do ‘zê’, “enganchado um no outro”.
Vítima de um câncer no pulmão, após quatro dias na UTI, esta autodidata professora de história da arte e, ao mesmo tempo, à frente de cada detalhe de sua casa, na Rua Flórida, também se afirmava “brahmeira” e “capaz de qualquer coisa” se mexessem com alguém “dos dela”.

“Era uma Mulher de verdade, com ‘m’ maiúsculo. Uma das pessoas mais fantásticas que tive a honra de conhecer”, afirmou a publicitária Lara Thomazini, colega de um dos cinco netos, em discurso que deu o tom das várias manifestações de afeto nas redes sociais.
Natural do antigo povoado de Macuco, hoje Buerarema, no sul da Bahia, Teresinha prezava pela generosidade e exibia um tipo apaixonante de rebeldia encantada.

Na adolescência, quase fugiu com o circo que estava na cidade. Vira e mexe, repetia estar “como Deus quer e o diabo gosta”. Em um dos derradeiros contatos com a família, já bem debilitada e sem conseguir falar, pegou uma caneta com a ponta dos dedos e usou o sarcasmo para reclamar da vigília de dezenas no local: “Deixem de ‘bestagem’. Vão à merda!”.

Tinha livros raros e verdadeiros compêndios sobre temas como Renascimento, formação da baianidade e a relação das letras de Chico Buarque com a ditadura militar. Tudo feito à mão.
Eleita “rainha da primavera” na época de colégio, completaria 58 anos de casada no próximo dia 13 com o médico Nelson Barros, professor emérito da Ufba. Ainda deixa três filhos, uma irmã, um milhão de admiradores e um legado incomparável, único, em todas as esferas da vida de quem a cercou. (Nelson Barros Neto)


Nelson Barros Neto

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