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OPINIÃO POLÍTICA

Bandidos procuram prisão

Ivan de Carvalho

Se o ex-governador Otávio Mangabeira nada mais houvesse feito – nem mesmo o estádio que recebeu seu nome e o apelido de Fonte Nova e no qual, reconstruído, querem agora pespegar o apodo de Arena – teria valido a sua passagem neste mundo pela reflexão lapidar que com cada vez maior frequência têm as pessoas sido levadas a reconhecer e repetir: “Pense um absurdo. Na Bahia tem precedente.”

Bandidos são o assunto, mas, abrindo um parêntesis – deve ser longo – vamos dedicar umas linhas às arenas. Arena, como se sabe, foi a sigla do partido governista no bipartidarismo obrigatório criado no rastro do Ato Institucional nº 2 pelo regime autoritário, sob o governo do marechal Castelo Branco, o que não chega a ser uma boa recomendação na opinião geral e especialmente na opinião dos companheiros.

Mas não sejamos radicais, fundamentalistas, essas coisas de que os companheiros andam acusando os evangélicos e outros cristãos, mesmo segmentos consideráveis da Igreja Católica, mas sempre com o cuidado de livrar a cara dos muçulmanos, todos eles tão barbudos como os companheiros e, como estes, caracterizados por um estilo light, mesmo quando da hierarquia teocrática dominante no Irã de Khamenei e Rafsanjani. Nem é preciso demonstrar, dá para todo mundo notar.

Arena não foi apenas a sigla do “partido da Revolução”. Tem sido ou continua sendo várias outras coisas. Por exemplo, a arena nos teatros de arena. A arena nos picadeiros de tantos circos onde os palhaços são o espetáculo, restando ainda alguém entender se os palhaços são os que se rebolam em piadas no picadeiro ou os que riem delas nas arquibancadas. Até porque os do picadeiro ganham para fazer o que fazem e os das arquibancadas pagam pelo que nem fazem – já que as piadas são tão conhecidas e repetidas que a maioria delas já nem provoca risos. E as arenas das touradas, uma crueldade, como as arenas dos rodeios realizados inclusive no Brasil, não raro com enorme sofrimento para os animais.

Mas houve arenas mais sérias. Bem como incomparavelmente mais tenebrosas que a sigla do “partido da Revolução”. A arena no circo de Roma e de outros circos do império, onde gladiadores eram obrigados a matar uns aos outros ou deixar-se matar e onde os leões eram convidados a devorar cristãos, aquelas feras ameaçadoras de antigamente, hoje atacadas na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

Bem, mas voltemos a Otávio Mangabeira e aos absurdos precedentes baianos, dos quais a Arena ali da Fonte Nova não seria um. Voltemos a tratar da questão dos bandidos.

Normalmente, os bandidos são desarmados e detidos pela polícia e, após uma passagem por alguma delegacia para cumprimento de certas formalidades legais, levados para um presídio. Às vezes, a prisão é relaxada – diversos são os motivos –, às vezes não. Se não, aguardam presos o desenvolvimento do inquérito e eventual denúncia do Ministério Público seguida, se aceita, de processo e julgamento. Isto quando os presos não são desviados, por força das espetaculares deficiências de nosso sistema prisional, para a carceragem da referida delegacia, onde permanecem por tempo incerto e não sabido, em condições ainda mais incertas e não sabidas, o que é também o caso no restante no sistema prisional brasileiro.

Bem, mas na Bahia há o precedente absurdo. Nem sempre são os bandidos desarmados pela polícia, detidos e levados para a prisão. Há vezes, como ocorreu na madrugada de domingo na Unidade Especial Disciplinar do Complexo Penitenciário, em Mata Escura, em que seis bandidos armados desarmam três policiais, dão uma surra em um deles, e aprestam-se a ingressar na prisão, chegando a usar explosivo para entrar em uma das celas. Provavelmente não para lá permanecer (mas garantir, quem pode, se não foram presos e interrogados?), mas, segundo teoriza a administração prisional, para libertar colegas. Para suposto azar destes e dos invasores, um terceiro PM percebeu a movimentação e conseguiu inviabilizar a suposta tentativa de resgate de presos por supostos candidatos a presos… bem, deixa prá lá.

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Comentários

vangelis on 1 Abril, 2013 at 9:28 #

“Pespegar o apodo” – Segundo Jô Soares quando do nascimento de um bebê o que mais se nota são as suas orelhas. Alguns ao longo da vida permanecem orelhudos, a exemplo do ex-governador João Durval que também já ganhou outras alcunhas.
Dai muitos ganhavam apelidos como orelhão, orelha de abano, dumbo, orelha de macaco, fusca de porta aberta, Topo Gigio numa alusão ao ratinho personagem de um programa de televisão dos anos 70, telefone público, radar, etc., em brincadeiras que hoje são tratadas como bullying, nesses tempos chatos pantanosos de sapos barbudos do politicamente correto.
Essa tentativa de mudança de nome de Estádio de futebol para Arena parece ser coisa de gente orelhuda que me traz a lembrança dessa frase jocosa:
Percebendo-lhe o avantajado das orelhas, pespegou-lhe o apodo:
– “Asno”!!!


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