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Postado em 29-03-2013
Arquivado em (Crônica, Gilson) por vitor em 29-03-2013 00:02


“Arena é o cacete: não vai pegar”

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CRÔNICA DA CIDADE

À Espera do Inesperado

Gilson Nogueira

A cor dessa cidade sou eu
O canto dessa cidade é meu
A cor dessa cidade sou eu
O canto dessa cidade é meu

Inspirado na música de Daniela Mercury e Tote Gira, de 1992, “ O Canto da Cidade”, da qual não esqueço os versos acima, inicio este texto sintonizado nela e no que o poeta escreveu. Por isso, entendo, a cidade de Salvador é minha, como, também, sua, leitor. Salvador é, em síntese, a casa de cada um, haja nascido nela, ou não.

Quero-a, portanto, acima de tudo, protegida pelo Espírito Santo, segura, abençoada por todos os Orixás, limpa, quase sagrada, bem decorada, confortável, com tudo nos seus devidos lugares, lindíssima.

A Barra é a varanda iluminada em que me encontro. E a tenho, ampla, de portas e janelas sempre abertas para a brisa que sopra do mar entrar e fazer a festa com a luz do sol, de janeiro a dezembro de cada ano. Em estado de oração, imagino a cidade onde nasci em mais uma comemoração de seu aniversário, que acontece neste 29 de março, recebendo como grande notícia do dia a Fonte Nova haver resgatado, com destaque, seu nome oficial, ou seja, Estádio Octávio Mangabeira.

A eterna Fonte Nova, absurda e estupidamente denominada, hoje, de Arena ( Argh!).

A Fonte Nova tem nome de batismo e ele deve ser destacado, sempre, em respeito ao povo da Bahia, na fachada: Estádio Octávio Mangabeira, em letras garrafais, ou melhor, garafarredondíssimas. Estádio Octávio Mangabeira, em aço, inoxidável, reluzente como o vulto do grande homem público que foi Octávio Mangabeira, ex-governador da Bahia, construtor da maior “praça esportiva” ( alô, alô Zédejesusbarreto, Martinho Lélis, Zé Ataíde, Oldemar Seixas, Mário Freitas, Sylvio Mendes, Luís Brito!!! ) do Norte e Nordeste do país.

Em tempo, chamar a Fonte Nova de Arena, com certeza, não combina com o jeito de ser do povo da Bahia e do falar baiano. Arena é o cacete, diria ( ou dirá, quem sabe!) o jornalista Ancelmo Góis, em sua coluna, no Globo.

Arena, na minha opinião, não vai pegar na velha Cidade da Bahia. Baiano vai ao Barradão, ao Jóia, ao Armando Oliveira, ao escambau a quatro, mas, à Arena, jamais!

Quem viver verá.

Voltando à menina sapeca pela qual sou apaixonado.Na sua vaidade, mais que natural, de mãe de Martha Rocha e Marta Vasconcellos, misses eternas da Boa Terra, cantada como uma das mais belas metrópoles do mundo, a aniversariante aparenta estar triste, desanimada. Senti isso, ao ver a praia do Farol da Barra, quase vazia, em um dia de forte calor.

Aproximei-me, devagarinho, do Edifício Oceania e fiquei de ouvidos atentos na esperança de escutar o que minha cidade dizia. De repente, um susto: “ Beijo não, não, irei tomar banho, quando eu sair, cheirosa, penteada, vestidinha, de vestido novo, perfumadinha do banheiro, eu falo com você!”

“ Uau!!!” Exultei, irei conversar com a minha cidade e, logo, perguntar-lhe:
“ Você gostaria de ganhar de presente, no seu dia, pintura caprichosa no Edifício Oceania, que, no Carnaval, parecia usar meia vermelha? E, de quebra, pintar aquelas portas de ferro já enferrujado, em parceria da Prefeitura Municipal de Salvador com o condomínio do prédio?”

“ Acho boa idéia! E mais, por que não sugerir, aos gestores da cidade, um concurso para ver quem fará a melhor recuperação da fachada do seu imóvel, desde a Ribeira até Itapuã, envolvendo particulares e não particulares?”

“ Porretíssima sua sacada, minha deusa, aniversariante! Vou citar, aqui, alguns deles: A Igreja de Santo Antonio da Barra, o casario da Conceição da Praia, todos os fortes da capital, caprichando na sua iluminação externa, as calçadas de toda a Orla Marítima, instalando lixeiras, em azul e branco, luminosas, a fim de chamar a atenção dos passantes e educá-los. Ah, são muitos os locais! Sem esquecer de derrubar todos os cacetes-armados, como aquele “sanitário”, encostado em uma árvore, “construido” por algum imbecil, na Rua Engenheiro Celso Torres, na Graça!’

” Além do que é necessário a população saber que o Brasil começou aqui”
“Para o bem ou para o mal?”
“ Não me complique. Deus é quem sabe.”

Gilson Nogueira, jornalista, é colaborador do BP

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Comentários

Olivia on 29 Março, 2013 at 15:06 #

Beleza de crônica, Gilson. E vamos ao Mangabeirão!


Gilson Nogueira on 30 Março, 2013 at 19:21 #

Olivinha, bondade sua. Vamos, sim, ao Mangabeirão, como, também, ao Batistão, que fica pertinho, na adorável Aracaju, ao Castelão, ao… Feliz Páscoa!!!


Olivia on 31 Março, 2013 at 0:33 #

Ao Maraca… Feliz Páscoa, querido.


silvana on 4 Maio, 2015 at 21:34 #

Genial! Assim como você! sou sua fã!


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