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OPINIÃO POLÍTICA

Caetano dá nó em pingo d’água

Ivan de Carvalho

Bem, não parecia e a maioria dos políticos não estava botando fé em que o ex-prefeito de Camaçari, Luiz Caetano, surgisse dentro do PT como um aspirante com densidade política para ombrear-se com os três outros (Rui Costa, José Sérgio Gabrielli e o senador Walter Pinheiro) na disputa pela preferência do partido para a sucessão do governador Jaques Wagner.

A sempre afirmada pelos políticos e pela imprensa e jamais desmentida – por Wagner – preferência do governador pela candidatura de Rui Costa, seu atual chefe da Casa Civil e ex-secretário de Relações Institucionais (amigo de décadas e companheiro de sindicalismo no polo petroquímico) já dava um chega-prá-lá em Caetano.

Mas que não fosse por isso. É que esse chega-prá-lá atinge tanto o ex-prefeito de Camaçari quanto o secretário do Planejamento e líder do PT no Senado. Então, considerada a preferência do governador, que não tem uma força absoluta dentro do PT, mas – apesar de seu estilo light, não fica muito distante disso –, perante a preferência por Rui Costa, os três outros petistas são todos japoneses.

É dessa condição incômoda (sem qualquer preconceito étnico, como é óbvio) que os outros três tentam se desvencilhar. O ex-presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, por exemplo, é, entre os quatro aspirantes petistas, o grande amigo de Lula seu preferido e se esforça para obter visibilidade, que vinha lhe faltando. Prepara-se agora para expor a ainda virtual Ponte João Ubaldo Ribeiro, aquela que um dia vai ligar Salvador a Itaparica por anunciados R$ 7 bilhões, que já foram aproximadamente R$ 3 bilhões, ocasião em que Joaci Góes, ex-deputado tucano e empresário com ampla
experiência em construção civil estimou que não custaria menos de R$ 12 bilhões.

No condicional (não custaria menos) talvez porque antes de ficar pronta, no ritmo habitual das coisas baianas, é possível que pelo menos uma das duas cabeceiras já haja deixado de existir – a Ilha de Itaparica ou a cidade de Salvador. Talvez, com esses proféticos e insistentes rumores de Apocalypse iminente e flagrantes continuados de desgovernadas bolas de fogo nos céus, ambas.

Já o senador Pinheiro, com duas eleições majoritárias recentes – para prefeito de
Salvador, sem êxito, em 2008 e para senador, com êxito, em 2010 – e a liderança do PT no Senado ficou bastante notório e conhecido para não se preocupar com visibilidade. Talvez sua principal preocupação, no momento (sem excluir as indefectíveis articulações políticas) seja a de estreitar frouxas amizades.

Mas, e Luiz Caetano, por quem foram escritas as primeiras linhas? Bem, ele está mostrando que é capaz de dar nó em pingo d’água. Primeiro, exercendo a prefeitura de Camaçari, conseguiu conquistar a presidência da União de Prefeituras da Bahia (UPB). Depois, eleger, usando estratégia de tratorista, um candidato inventado – assim tipo Dilma – para seu sucessor na prefeitura de Camaçari, utilizando uma estratégia de tratorista. A oposição esperneou, mas ficou por isto mesmo. Depois, conseguiu prevalecer em sua sucessão na presidência da UPB.

Está agora, após confirmar a inabalável disposição de prosseguir na luta pela candidatura ao governo, em nova fase. A da formalização de apoios, digamos, periféricos, mas relevantes para assegurar visibilidade e mostrar capacidade de mobilização. Obteve, no sábado, de vereadores petistas dos municípios da Região Metropolitana de Salvador uma moção de apoio, proposta pelo presidente do PT de Simões Filho, Antônio Rodrigues. A reunião foi na Câmara Municipal de São Francisco do Conde. O encontro contou ainda com a participação do presidente estadual do PT, Jonas Paulo, das deputadas Luiza Maia e Maria Del Carmen, da prefeita Rilza, de São Francisco do Conde, do prefeito de Camaçari, Ademar Delgado e dos presidentes das Câmara de Catu, Adilson Araújo, São Francisco do Conde, Eliezer Santos e Simões Filho, Joel Cerqueira.

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