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DEU NA FOLHA

KÁTIA LESSA
DE SÃO PAULO

Há três anos, encostada em um canto do backstage de um desfile de Reinaldo Lourenço, na São Paulo Fashion Week, Laís Ribeiro era uma novata no mundo da moda. A fala mansa, em tom baixo, ainda trazia um bom tanto de sotaque da cidade natal, Miguel Alves, no Piauí. Entre um desfile e outro, não desgrudava do celular, onde espiava fotos do filho que teve aos 16 e que havia deixado com os pais para tentar a sorte em São Paulo.

Hoje, aos 21, ela é uma “angel” -como são chamadas as garotas-propaganda da marca de lingerie Victoria’s Secret- e já fez campanhas para as maiores grifes do mundo como Ralph Lauren, Christian Dior, Tom Ford e GAP. O discurso está firme, o olhar mais alegre, mas ela ainda não desgruda o pensamento do filho Alexandre, de 5 anos. Orgulhosa, mostra fotos do garoto no celular e ostenta uma tatuagem que fez na nuca com o nome dele.

ABAIXO, CONFIRA ENTREVISTA COM A MODELO LAÍS RIBEIRO:

sãopaulo – O que mudou na sua vida desde que você virou uma “angel”?

Laís Ribeiro – Nossa, tudo. Eu vim de uma cidade no interior do Piauí, onde tudo é muito calmo, muito diferente. Nos últimos anos adquiri mais cultura do mundo, moro em Nova York, falo inglês, namoro um espanhol, viajo o mundo todo, conheço pessoas que jamais imaginei nem chegar perto.

Quais os problemas que uma modelo no seu estágio de carreira enfrenta?

Antes a dificuldade eram os testes. Era pegar qualquer um. Você faz muitos e muitos até conseguir alguma coisa que lhe renda algum dinheirinho. Hoje meu dilema é escolher entre dois clientes muito importantes e que querem fotografar na mesma data. Mas confio na minha agência, eles têm acertado no direcionamento da minha carreira. Para mim sobra a saudade da família, que ainda dói muito.

Seu filho já mora com você em Nova York?

Ainda não. (Enche os olhos já maquiados de lágrimas). Mas se Deus quiser em agosto ele e minha mãe estarão lá comigo. Quando era pequeno ele ficava tanto com meus pais que não sentia muito a minha falta. Mas agora, cada vez que consigo ir ao Piauí para ficar com ele, a cada 4 meses, ele me agarra, entra na mala, diz que quer ir junto.

A modelo Carol Trentini está grávida do primeiro filho. Que dica você daria para ela?

Diria para ela aproveitar que já é a Carol Trentini, que já tem uma carreira consolidada e vida estruturada para aproveitar cada minuto com o filho dela. Eu estava no começo quando tive o meu, não tive essa opção. Com relação ao corpo digo que ela amamente muito porque isso realmente ajuda a perder peso.

Materialmente, o que você já conquistou com o seu trabalho?

Comprei uma casa no Piauí e foi incrível porque minha avó ficou muito emocionada. Ela não entende direito o que está acontecendo comigo. Assiste à novela das 8 com as garotas traficadas na Turquia, e quando eu viajo ela acha que estão me explorando também. (risos) Além disso tenho uma moto, a Kate, minha paixão.

Você anda de moto em Nova York?

Não, no Piauí. Coloco meu filho no banco e ando para todo lado.

Como você é tratada em Miguel Alves?

Hoje todo mundo tem orgulho, vem falar comigo. Mas ser magrela desse jeito já me fez sofrer muito bullying. Quando saio para ir até a padaria, descabelada e de chinelo minha mãe diz: “vai sair assim mesmo, Laís? Vai todo mundo ficar olhando.” Mas eu não quero nem saber, andei assim a vida toda.

Você sentiu dificuldades no mercado da moda por ser negra?
Aqui no Brasil as pessoas são mais tolerantes, mas lá fora as empresas têm medo de colocar uma negra na capa porque, na banca, vamos disputar as vendas com garotas loirinhas. É complicado.

O que você ainda quer conquistar?

A capa da Vogue Paris. Depois de tudo isso, eu não quero pouco não..

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