Cristina Kirchner e Jorge Bergoglio em Buenos Aires

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DEU NO JORNAL DO BRASIL (online)

O papa Francisco, que até a sua eleição era o arcebispo de Buenos Aires, recebe na segunda-feira (18) a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, informou hoje (16) o gabinete de imprensa do Vaticano.

A audiência com Cristina será a primeira que o papa terá com um chefe de Estado e ocorrerá na Casa de Santa Marta, onde se encontra alojado, já que ainda não se instalou no palácio apostólico.

A presidenta argentina viajará a Roma para assistir à missa de coroação do pontífice, prevista para 19 de março, e na qual são esperados cerca de 150 chefes de Estado e de Governo.

Os jornais argentinos recordaram nos últimos dias a relação tensa entre o ex-arcebispo de Buenos Aires e a presidente argentina, sobretudo durante a discussão acerca da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

No dia da eleição de Jorge Mario Bergoglio como papa, a versão eletrônica do diário Clarín lembrou a “relação áspera” do prelado com os governos de Néstor e Cristina Kirchner.

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De Olívia Soares, no Twitter, este sábado 16 de março do aniversário de Letícia:

Bom dia especial p @Letmarques, hoje ela colhe mais uma flor no seu jardim.
Um lindo momento que curtimos juntas.

Bahia em Pauta, com júbilo e muito afeto, festeja e parabeniza também à querida aniversariante do dia.

(Hugo e Margarida, pelo BP)

mar
16

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Habemus Jacuipense e Juazeirense

Janio Ferreira Soares

Agora que a Argentina nos deu um zignal e emplacou o Papa, pelo menos um consolo material para os baianos. Trata-se do novo estádio da Fonte Nova que, justiça seja feita, ficou muito bacana.

Só lamento que seu virginal gramado já comece sendo brutalmente violentado por chuteiras bavinianas que não merecem sequer apilar o barro amarelo dos campos das várzeas.

A propósito, com todo respeito aos seus torcedores, é constrangedor assistir na TV a apresentadores cortando o maior dobrado para me convencer de que Jacuipense, Juazeirense e Feirense representam algo além de uma feliz consonância, que pode até servir de inspiração para batizar essas bandas moderninhas que misturam Jackson do Pandeiro com batidas eletrônicas (“Jacuipense Samba Trio”, “Juazeirense Bossa and Roll”…) – ou então nominar alguma instalação politicamente correta desses artistas de vanguarda, cuja obra ninguém entende lhufas (tipo: “Feirense, Jacuipense e Juazeirense sob o olhar inocente de um pequeno afro-nagô santamarense”).

Daí a neguinho querer me persuadir a perder preciosos minutos de um tempo cada vez mais escorregadio assistindo a jogos insignificantes em tristes estádios vazios, aí já é demais.

Mas, como na piada do cachorro que tem o pescoço preso numa armadilha e quando acha que nada pode ficar pior aparece um vira-lata malandro para desmoralizar sua macheza, o que era ruim apenas para uma minoria agora se expandirá. É que depois do fiasco na Copa do Nordeste, Bahia e Vitória finalmente estrearão no campeonato baiano aumentando consideravelmente o público nos estádios e fazendo com que a mediocridade, até então restrita a poucos gatos pingados, agora seja testemunhada por milhares de cúmplices que se acham torcedores.

Em tempo: acho que Simanca ouviu meu papo com um amigo especialista em fumaça antes de fazer sua charge da última quarta-feira. Enquanto a chaminé do Vaticano soltava o negro fumacê, ele me disse: “meu velho, pela carburação, cor e textura acho que só tem cardeal da Jamaica nesse conclave!”.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura, Turismo e Esportes de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

mar
16
Posted on 16-03-2013
Filed Under (Charges) by vitor on 16-03-2013


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Sinfrônio, hoje, no Diário do Nordeste (CE)

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ARTIGO DA SEMANA
UM A ZERO ARGENTINA, PELO MENOS!
Vitor Hugo Soares
Observar, comparativamente, o desempenho da imprensa do Brasil e da Argentina nas coberturas de acontecimentos mais relevantes e transcendentes, a exemplo desta incrível escolha do primeiro Papa latino-americano para conduzir os destinos da Igreja Católica em tempos temerários e cruciais, virou uma mania para este jornalista.
Faço este exercício prático de jornalismo ao longo dos últimos quase 40 anos de muitas e relativamente frequentes travessias entre a bela e feiticeira Salvador, na beira da Baia de Todos os Santos, e a majestosa Buenos Aires, às margens do Rio da Prata.
Como no tango famoso, que não canso de escutar na interpretação de Roberto Guayeneche, sempre “Vuelvo al Sur”.
Sinto-me, assim, bastante à vontade. Não só para arriscar um palpite, mas para emitir uma opinião neste espaço semanal sobre a cobertura dos antecedentes e do resultado do conclave que elegeu o Papa Francisco esta semana.

Se os novos tempos se apresentam franciscanos, então é preciso rasgar as vestes da vaidade e da arrogância tola e ter a humildade de reconhecer: a mídia “canarinha” saiu perdendo desta vez (a começar pelo ramerrão das repetitivas metáforas futebolística, mesmo nas solenes reportagens de textos e nas transmissões de rádio e televisão produzidas no Vaticano).

O resultado não foi uma goleada, é verdade. Quase deu empate. Mas o placar final foi de pelo menos 1 x 0, favorável aos argentinos.

Muita gente há de considerar natural que seja assim. Afinal, o grande eleito, integrante das hostes vibrantes e sempre polêmicas da Companhia de Jesus, é um legítimo portenho. Nascido no agradável bairro de Flores, por onde caminhei tantas vezes nas andanças por Buenos Aires.

Aprendi desde os anos 70, com o então Editor Nacional do Jornal do Brasil, Juarez Bahia, premiadissimo repórter (sete Esso de reportagem na carreira), mestre saudoso de teoria e prática do jornalismo (autor de livros referenciais): o dimensionamento correto e o enfoque podem fazer toda a diferença em uma reportagem ou uma cobertura. Afinal, os fatos diários publicados são praticamente os mesmos em todos os jornais. É só verificar.

Lembro agora, quando escrevo este texto, de Bahia ensinando aos seus comandados na extinta sucursal do JB em Salvador:

“Olha aqui, é preciso dimensionar bem o fato, sem amadorismos, sem paixões e bairrismos tolos. É erro grave avaliar a importância do fato e da eventual notícia que ele possa gerar, simplesmente por seu local de origem. A Bahia, por exemplo, é um lugar importante, maravilhoso em suas múltiplas nuances na cultura, na política ou na economia, mas a Bahia não é o centro do mundo. Pense nisso, quando sentar diante da máquina de escrever para produzir um texto jornalístico”, dizia o editor do JB

Na mosca.

Foi provavelmente na incorreta avaliação da dimensão do fato, e principalmente no enfoque dado à sua cobertura – na maioria dos casos -, que a imprensa brasileira começou a perder a disputa particular com a mídia argentina.

Um erro palmar foi considerar o Brasil o centro do mundo em uma cobertura jornalística de tamanha transcendência e relevância. E com tantos e tão grandiosos interesses em jogo (de cunho religioso, político, cultural, econômico e de comportamento).

Além dos interesses específicos das grandes empresas e corporações de jornais, rádios e televisões e da mídia em geral.

Diante de tamanha magnitude, cheira a equívoco crasso, por exemplo, a aposta de praticamente todas as fichas da cobertura não na isenta apuração dos fatos e dos bastidores (trabalho essencial em um conclave do Vaticano), mas na campanha escancarada de um nome  “eleito previamente” pela vontade de boa parte da mídia nacional: o do cardeal de São Paulo, D. Odilo Scherer, ou do italiano cardeal Scola, o melífluo articulador da Cúria Romana.

Outro equívoco foi o enfoque com o tom de disputa futebolística dado à cobertura da escolha do novo Papa. O destaque exagerado, folclórico mesmo, aos “torcedores” enrolados na bandeira nacional ou vestidos com a camisa do Vasco, confundidos com católicos de verdade reunidos na Praça de São Pedro à espera da fumaça branca na chaminé do Vaticano.

Daí, provavelmente, decorreram os sustos, as indecisões, a decepção estampada no rosto, a busca apressada de novas fontes para seguir o trabalho jornalístico, já que ficaria feio simplesmente jogar a toalha quando ficou evidente que o escolhido do conclave não era nem o brasileiro Scherer, nem o italiano Scola, mas sim o portenho de Flores, torcedor jesuíta do San Lorenzo, Jorge Bergoglio, agora o Papa Francisco de todos os católicos.

Que diferença em comparação com a cobertura dos ditos “fanfarrões e arrogantes” da imprensa argentina!. Modéstia franciscana nas redações e nas ruas, a começar pela frente da Catedral de Buenos Aires, no centro da capital federal, a poucos metros de distância da Casa Rosada.

Simplicidade e reflexão nos dois ambientes, mostram as imagens . Sem torcidas organizadas, sem ostentações.

O influente jornal Clarin sintetiza no título sobre o eleito: “Um conservador moderado que nunca tirou o corpo da discussão política”. E no texto: “Ontem, na Basílica de São Pedro diante de milhares de fiéis, o Papa Francisco pediu que rezem por ele.”

Um a zero para os argentinos. Pelo menos!

Vitor Hugo Soares. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

mar
16

“SAIGON”, PRECIOSA JOIA MUSICAL GRAVADA POR TIM MAIA NO ALBUM PÉROLAS (2000) SOM LIVRE

SAUDADES!!!

(Vitor Hugo Soares)

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OPINIÃO POLÍTICA

O papa e seus sinais

Ivan de Carvalho

“Francisco, Francisco, reconstrói a minha Igreja”. Este foi o chamado que, segundo a tradição, um jovem que viveu seus 44 anos de 1182 a 1226, filho de um rico comerciante de Assis, ouviu certo dia. Havia na localidade uma igrejinha em ruínas, então Giovanni de Pietro de Bernardone entendeu que de Jesus ouvira uma exortação para reconstruí-la. Deixou a namorada que amava, Clara – depois Santa Clara – e passou a pedir tijolos e outros materiais para reconstruir a pequena igreja, bem como alimentação.

Na missão que se determinou a cumprir, atraiu e juntou-se a gente simples, pobre, de outro status social que não o seu. Isto desagradou à orgulhosa família a que pertencia e lhe foi dado um ultimato – enquadrava-se às exigências do segmento social a que pertencia ou seria repudiado e deserdado.

Não pertencia mais. Pertencera. Tirou, no ato, a roupa que vestia, única coisa que ainda conservava de sua vivência anterior e retirou-se, totalmente determinado a realizar a humilde obra da qual, imaginava, seu Senhor lhe incumbira. Completou-a. Mas nesse meio tempo foi entendendo e acabou por alcançar o conhecimento exato de que apenas se exercitava – a Igreja que devia reconstruir era a outra, a Igreja Católica.

Voltou-se para uma vida religiosa de completa pobreza, fundou a ordem mendicante dos Frades Menores, mais conhecidos como franciscanos, à semelhança dele, que se tornou conhecido como Francisco de Assis. Induziu uma profunda reforma no cristianismo do seu tempo. Recebeu os estigmas de Cristo e foi canonizado apenas dois anos após sua morte. A ONU, mesmo não tendo parte com isso, o considerou oficialmente o “Homem do Milênio” – o segundo milênio, claro.

O cardeal Jorge Mario Bergoglio não é da ordem dos Frades Menores, mas, embora da Companhia de Jesus, parece ser, de certa forma, também franciscano. Está emitindo sinais disso desde que, como Jorge Mario Bergoglio, cardeal arcebispo de Buenos Aires, preferia sistematicamente o transporte público, especialmente o metrô, ao automóvel com motorista, pedia às freiras da arquidiocese que fossem às ruas evangelizar e coisas assim. Pediu aos bispos e fiéis argentinos que não vão à solenidade de sua entronização no papado. Que dêem o dinheiro da viagem aos pobres.

Mais: apoiou o governo de Cristina Kirchner quando a presidente se opôs ao aborto e fez decidida oposição em relação ao casamento homossexual e outros pontos. Suas posições são claras, firmes, decididas como às daquele Francisco cujo nome adotou. O papa Francisco provavelmente aprendeu na Bíblia: “Porque não és frio, nem és quente, mas és morno, te vomitarei da minha boca”. Lavou e beijou os pés de um grupo de portadores de Aids, numa imitação de serviço e humildade de Jesus, que lavou e enxugou e beijou os pés dos apóstolos, e de Francisco, que cuidava de leprosos e os banhava, além de ter a coragem de beijá-los.

Na igreja romana em que celebrara, fora do Vaticano, uma missa pelo conclave que o elegeria papa, ao cardeal Bergoglio lhe foi perguntado pelo clérigo acompanhante como iriam para uma das reuniões preparatórias no Vaticano. “Como como vamos? Caminhando!” E ante o espanto do acompanhante, comentou: “Não se preocupe, em Roma você pode por uma banana na cabeça e ninguém vai dizer nada”.

Eleito papa, apresentou-se aos fiéis da sacada da Basílica de São Pedro com um pedido inesperado, embora absolutamente sensato e indicador de simplicidade. Pediu que os fiéis apinhados na Praça de São Pedro orassem por ele e curvou-se com humildade para receber a benção de seu rebanho, que somente depois, com o reforço recebido, abençoou. Belo gesto.

E, também já como papa, fez questão de ir ao hotel onde estivera hospedado em Roma à espera do conclave e acertar as contas. Pode parecer a alguns uma jogada de marketing, mas tendo em vista os antecedentes, eu diria que não é isto – e sim um sinal de que haverá continuidade na maneira de ser do cardeal jesuíta que virou papa Francisco. O que não é garantia de que o novo papa dará surgimento, em consequência disso, a uma igreja reformada. Pode não haver tempo – e um reformador muito maior se apresentar. Quem funda tem tudo para reformar.

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