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Uma recordação

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

Criada na Igreja Católica, creio em Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Só não recebi dois dos sacramentos, os óbvios no meu caso.

Sigo, com algumas derrapadas, os 10 mandamentos que são, para mim, a mais importante das Constituições.

Estudei nos EUA e no college onde me matriculei, aos 16 anos, na ficha perguntavam “Religião”. E eu, bem brasileira, respondi “Católica”.

À tardinha de minha 2ª segunda-feira por lá recebo a visita do padre da Igreja Católica da cidadezinha onde eu estava. Muito gentil, ele viera me convidar para as reuniões vesperais que organizava na sacristia da Igreja às quintas-feiras e que, segundo ele, eram uma espécie de sarau: tinha música, leitura de poemas e de textos variados e um pequeno lanche.

E muito sinceramente acrescentou: “Você disse ser católica. Não costuma ir à missa dominical?”. Fiquei muito sem graça, mas respondi que muito raramente. Ele sorriu e renovou o convite para as reuniões.

Foi uma bela lição para essa mania que temos de nos dizer católicos sem lembrar que para isso, é preciso cumprir os preceitos da Igreja… Daquela época em diante, sempre me digo cristã: católica.

Não cheguei ao ponto de nunca acrescentar católica…

Casei no religioso. Batizei meu filho. Na Primeira Comunhão de meu filho a emoção que tomou conta de mim foi tão forte que eu chorava de chamar a atenção dos outros, a ponto de minha mãe se preocupar. Não só com o “auê”, como com minha saúde…

Mas essa não foi minha maior emoção relacionada à Igreja Católica.

Em 1960, eu conheci Roma. Ir a Roma e não ver o Papa é não ir a Roma. Mas era verão e João XXIII estava em Castel Gandolfo. Nosso grupo, cerca de 80 pessoas, a maioria argentinos, tinha algum pistolão pois além de conseguirmos uma audiência na casa de verão dos papas, ainda tivemos o privilégio de assistir uma missa rezada pela Papa, de quem recebi a comunhão.

Não vou nem tentar descrever a emoção que se apossou de mim. Não ia conseguir repassar para vocês a intensidade do que senti.

E olhem, eu teria um motivo para não ficar tão emocionada, crítica como sou por temperamento: a entrada dele na capela em sua Sede Gestatória, que muito me chocou. Uma coisa era ver as fotos dos papas sendo carregados em seu trono. Outra era ver isso ao vivo.
Os outros motivos viriam depois, bem depois. Alguns pontos do Concílio Vaticano II com os quais não concordo. Mas quem sou eu para dizer com o que e com o que não concordo em matérias de Religião?

PS – Foto copiada no Google, o Papa está em São Pedro; infelizmente, não tenho nenhuma foto tirada por mim. Acho até que não podíamos fotografar…

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, cronista e articulista de opinião, mora no Rio de Janeiro, de onde escreve para o Bahia em Pauta.

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Comentários

Bia "Eagle Mind" on 13 Março, 2013 at 19:25 #

Eu gosto muito do que você escreve!
Um beijo
Bia


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