Maria Helena
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Penedo:a inesquecível travessia do Rio São Francisco
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BRASIL EM PAUTA

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

Nosso Brasil é imenso e viajar por aqui é muito caro. Sempre foi. Sinto dizer que conheço pouco meu país.

Conheço mal o Rio Grande do Sul; bem Minas Gerais; São Paulo eu diria que para uma paulistana conheço muito mal; conheço razoavelmente bem Pernambuco; e muito bem o Estado do Rio e sua capital, já que vivo aqui há 73 anos!

Já fiz duas viagens de carro muito interessantes: Recife – Brasília – Rio – Recife, com paradas mais ou menos longas na ida e na volta; e surpresas e emoções que guardo no coração, sendo que a mais forte foi a travessia do São Francisco em Penedo.

A outra foi uma viagem Rio – Curitiba – Porto Alegre – Lages – São Paulo – Rio. Aí o ponto alto foi a travessia do rio das Antas. Maravilha.

Visitei todas as capitais do nordeste – turista, pouco posso falar sobre elas, além de dizer que nossas paisagens são, quase todas, deslumbrantes. Um banho de mar em Natal ou em Maceió é experiência inesquecível.

Das cidades eu não falaria com tanto encantamento. Como sempre, por aqui, tal qual o Rio, o que Deus fez é deslumbrante, já o que o homem fez… é quase sempre ou muito feio ou muito maltratado, abandonado, o que acaba escondendo a beleza, sobretudo nossas relíquias mais antigas.

Conheci bem Brasília. Fui até lá muitas vezes quando tinha grandes amigos morando lá. Mas a última vez foi em 1992, por isso não posso usar o verbo no presente…

Mas tive a felicidade de conviver com pessoas de quase todos os estados. No Rio, isso era moleza, eramos a capital, afinal. Em minha adolescência e juventude eu fui uma ilha cercada de gaúchos por todos os lados. Meu primeiro namorado – e tudo que isso significa, vocês sabem…- era gaúcho.

Em Recife, onde morei quase 4 anos, conheci nordestinos de todos os tamanhos e feitios.

Nós somos um povo simpático, entusiasmado, inteligente e criativo. Certamente devemos isso ao melting pot que é a nossa origem. Se tivessemos sido bem administrados, seríamos a potência que o Lula diz que somos. Infelizmente, o analfabetismo e a falta de instrução não colaboram com a natureza.

Por isso quando ouço ou leio uma agressão gratuita, ou uma piada tosca, ou uma referência apatetada como essa tolice dita por dona Dilma, eu me ofendo.

Que diabos ela quis dizer com essa declaração: para tirar os brasileiros da miséria e nos fazer um país forte, ela só não saiu vestida de baiana?

Venho aqui perguntar aos baianos: o que foi que ela quis dizer com isso?

Com muita curiosidade, envio um abraço.

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa é articulista e cronista do cotidiano Brasileiro. Um dos melhores e mais contundentes textos do País, ela mora no Rio de Janeiro. Escreve a sua primeira colaboração para o Bahia em Pauta, que esperamos se multiplique (VHS).

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Comentários

rosane santana on 7 Março, 2013 at 15:21 #

É a convivência com o criador, eterna fonte de besteirol e estupidez num país de incultos e analfabetos! Triste latinoamérica! Até quando?


Mariana on 7 Março, 2013 at 17:08 #

Que belo texto, de fácil leitura e inteligente conclusão!
É sempre assim que a maioria dos “sulistas” (desculpe pelo seu primeiro amor) tratam os nordestinos, está nas entranhas da maioria deles que são superiores aos nordestinos…e aí numa hora dessa sai lá do inconsciente (meio consciente) uma comparação de péssimo gosto como esta.
Se forem aos melhores hospitais do “sul maravlilha” e em qualquer outro lugar desse nosso país, lá vão encontrar muitos e muitos baianos trabalhadores e “cabeção”, dando show em cima de todos eles…
Não levemos em conta esta comparação de mau gosto e fiquemos com seu texto, Maria Helena, de deliciosa leitura.


Ivan de Carvalho on 7 Março, 2013 at 17:42 #

Ela não quis dizer nada. Foi um acidente neurológico: aquele “neurônio solitário” descoberto por Augusto Nunes não conseguiu, desta vez, interagir com ele mesmo. Aí o neurônio rodou a baiana.


vitor on 7 Março, 2013 at 17:58 #

Meria Helena

Seu artigo é completo. Uma beleza só. Que texto!

Além de falar de uma experiência de viagem que para mim foi também marcante e inigualável: a travessia de balsa do Rio Sâo Francisco e a chegada à incrivelmente bela e histórica cidade de Penedo, em Alagoas, que deixou o Imperador embasbacado.

Dios mio! Por mais tempo que viva, jamais esquecerei.

Enorme abraço baiano de agradecimento.

Vitor Hugo


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