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OPINIÃO POLÍTICA

Mais uma vez a sucessão

Ivan de Carvalho

Pode parecer e talvez seja mesmo uma falta de bom senso escrever frequentemente sobre as eleições para a sucessão estadual de 2014 com quase dois anos de antecedência. No entanto, alguns dos políticos envolvidos interessados correram com tanta sede ao pote que ficou inviável ignorar a maratona.

Como se sabe, o candidato declarado por si mesmo é o deputado Marcelo Nilo, no exercício do quarto mandato consecutivo de presidente da Assembléia Legislativa.

Não fiz uma pesquisa histórica, mas quase com certeza dá para afirmar que, nunca antes na Bahia, alguém conseguiu a proeza de eleger-se quatro vezes seguidas para presidir o Poder Legislativo, totalizando período de oito anos. Dependendo de uma confirmação por pesquisa não muito trabalhosa, talvez um recorde histórico haja sido alcançado.

Por isto, quando Nilo insiste, contrariando o que parece ser a conjuntura política, que é candidato à chefia do Executivo estadual e condiciona isto apenas ao apoio do governador Jaques Wagner, não se deve excluir de plano a hipótese. Nilo está em intensa atividade para viabilizar politicamente esse objetivo e busca, no limite de suas possibilidades, tornar-se conhecido do eleitorado, pois sabe, como já disse, que no momento certo precisará aparecer nas pesquisas eleitorais com índices expressivos. Esta seria a base fundamental para colocar-se como alternativa consistente para o governo.

Todo mundo sabe que, já agora, o PSB não esconde a disposição de lançar candidato próprio (melhor seria dizer, candidata própria) ao governo. A candidata seria a senadora Lídice da Mata e ela já disse que o PSB, que preside na Bahia, pretende apresentar candidatura ao governo, mesmo que seu desejo reservado fosse o de integrar-se à aliança eleitoral governista.

É que o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos – seja candidato à sucessão de Dilma Rousseff, quando precisaria de um palanque expressivo na Bahia para sua campanha, seja candidato a presidente somente em 2018, o que tornaria necessário plantar mais firmemente desde 2014 o PSB nos Estados – está pressionando a senadora baiana para ser candidata. Não sei se o jogo é tão imperioso, mas há quem diga que é “ou vai ou racha”.

Claro que na área governista há, para o governo, outro nome que todo mundo vê, sobre quem todo mundo fala e que as pesquisas insistem em colocar sempre em primeiro lugar na área governista (porque no conjunto, após eleito prefeito, o democrata ACM Neto aparece em primeiro) – o do vice-governador e presidente estadual do PSD, Otto Alencar, que se declara pretendente a uma candidatura de senador.

Até aí já deu para ver que a maratona está animada e ainda faltam – no núcleo da área governista, o PT – quatro aspirantes. Rui Costa, deputado, chefe da Casa Civil e nome da preferência pessoal do governador Wagner; José Sérgio Gabrielli, secretário do Planejamento, muito amigo de Lula e nome da preferência do comando nacional do PT, mas não se dirá o mesmo da presidente Dilma Rousseff; Walter Pinheiro, líder do PT no Senado e que, tendo concorrido a prefeito de Salvador em 2008 e a senador em 2010, tornou-se conhecido o suficiente para figurar em terceiro lugar nas pesquisas (segundo na área governista).

Neste ponto é que o petista Luiz Caetano, ex-prefeito de Camaçari que elegeu o sucessor na prefeitura e foi apoio decisivo da eleição de sua sucessora na presidência da União dos Municípios da Bahia (UPB) saiu em campo como um cavaleiro do Apocalipse. Sábado fez reunião plenária do PT de Camaçari com o mesmo objetivo óbvio que, no dia seguinte, reuniu-se com petistas que presidem as Câmaras Municipais de cinco municípios da Região Metropolitana de Salvador. Ia reunir-se ontem à noite em um restaurante da orla com os presidentes de seis micropartidos (PT do B, PSDC, PEN, PSL, PRP e PSL). Um pedido do governador conseguiu suspender a reunião e está prevista uma conversa, talvez difícil, entre ele e Caetano.

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