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CRÔNICA/ REDES

Marina e o balanço da rede

Janio Ferreira Soares

“É no balanço, é no balanço da rede, é no balanço, que eu vou me balançar”. Não sei se Gilberto Gil cantava essa maravilha de forró do Trio Nordestino nas reuniões informais quando ele e Marina Silva eram ministros de Lula. Mas sei que, talvez pela semelhança de ideias a respeito das produções agrícolas, pecuárias e outras ondas greens, o jeito de falar da ex-senadora anda cada vez mais parecido com o do velho e bom tropicalista, cujas interjeições entremeadas por leves estalos labiais e linguais no céu da boca – também bastante comum no linguajar de outros doces dinossauros baianos -, estão ameaçadas de extinção pela incessante chuva de meteoritos imbecibilizantes que não param de penetrar na atmosfera cultural, esportiva e política da Bahia.

Mas voltando ao balanço, depois de obter quase 20 milhões de votos na última eleição presidencial, Marina Silva está criando um partido que se chamará Rede e que já chega rangendo polêmicas. A principal delas é a de que a legenda não deseja receber doações eleitorais de empresas “sujas” (fabricantes de bebidas alcoólicas, cigarros, armas e agrotóxicos), embora as aceite de empreiteiras. E aí eu fico imaginando como será feito o teste para saber se o dinheiro é “limpo” ou não. Será algo parecido com as propagandas de sabão em pó, só que usando um sabão em pedra fabricado com sebo de bois alimentados com palmas orgânicas e soda cáustica desidratada? Divaguemos.

Programa eleitoral na TV, Marina e Heloísa Helena lavam roupa na beira do São Francisco quando, do nada, surgem Ivete, Brown e a turma da cerveja que eles divulgam com caixas térmicas cheias de reais. Após o susto, elas esfregam um maço de notas e aí começa a escorrer um geladíssimo líquido amarelo. Depois de prová-lo, Heloísa Helena olha para Marina, lambe um bigodinho de espuma sobre os beiços e diz: “trata-se de uma doação estupidamente devassa!”. Os tambores silenciam. Ainda não se sabe como será o teste quando os tratores das empreiteiras chegarem com seus dólares empoeirados.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura, Turismo e Esportes de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio Sâo Francisco

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Comentários

luís augusto on 3 Março, 2013 at 22:53 #

Um monumento à crítica, à história, ao bom humor, ao texto, o trabalho de Jânio é acompanhado há muito tempo em A Tarde. No presente artigo, ele extrapolou.


Olivia on 4 Março, 2013 at 19:28 #

Janinho está se superando, pode ser lugar comum, mas é isso que penso. Genial.


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