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OPINIÃO POLÍTICA

Economia e política

Ivan de Carvalho

Agora é oficial. O IBGE cravou em 0,9 por cento o crescimento do Produto Interno Bruto em 2012. Não chegou sequer a um por cento, estimativa que esteve aí em voga paralelamente à de 0,9 por cento, finalmente confirmada. Desempenho pior do que este, na última década, iniciada em 2012, só tivemos em 2009, quando a marola da crise global deflagrada nos Estados Unidos atingiu o país em cheio.

Olhando o quadro retrospectivamente, constata-se que em 2009 não se tratava de uma marolinha, como o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vendo aproximarem-se as eleições presidenciais (e gerais) de 2010 quis fazer crer aos brasileiros. E em grande parte, conseguiu mesmo engambelá-los.

Vale assinalar, em apoio ao que está escrito acima, que em 2008 o crescimento do PIB brasileiro alcançou 5,2 por cento, o que já representava uma moderada queda dos 6,1 por cento de 2007. Deste ano para 2008 houve uma redução do crescimento de quase um por cento (0,9 por cento) no PIB. Mas de 2008 para 2009 ocorreu uma queda no vazio, à semelhança do trapezista que tenta um salto sem rede e fracassa, esborrachando-se. Essa queda espetacular foi de 5,2 por cento para – 0,3 por cento.

Foi então que aconteceu um milagre moderno. Esse “crescimento” negativo do PIB de -0,3 por cento em 2009 transformou-se em 2010 em um crescimento positivo de 7,5 por cento, um salto realmente espantoso, limítrofe do sobrenatural. Mas, em verdade, não há mistério – 2010, último ano do governo Lula, sobre ser o ano em que este personagem sem precursores à altura na história pátria, quiçá mundial, foi também o ano em que Luiz Magno desdobrava-se para eleger um poste (uma posta?) para presidente (presidenta?) da República.

Aí o governo viajou na maionese e fez a economia viajar na maionese para assegurar que também o eleitorado viajasse na maionese. E este não se fez de rogado, como era bastante previsível. “É a economia, estúpido”, disse alguém há uns anos lá nos Estados Unidos, com aplicabilidade também no Brasil, conforme constatado. Aqui, Acredita-se, ressalvadas exceções, que só de pão, circo, cerveja e automóvel vive o homem.

Então veio 2011, Lula Magno fora da presidência e “um poste a iluminar o país”, bem como ausência da perspectiva de eleições presidenciais e gerais a curto prazo. O crescimento do PIB – por causa desses e outros fatores nossos e de fatores alienígenas, destacadamente a crise financeira e econômica internacional atingindo em cheio a União Européia e retraindo o crescimento na Ásia, especialmente Índia e China – despencou de 7,5 por cento para 2,7 por cento. Merreca.

Mesmo produzindo essa merreca, o governo ainda manteve a pose. Mas 2012 foi implacável. O governo, todo prosa, especialmente pelo seu panglossiano ministro da Fazenda, andou prevendo crescimento do Produto Interno Bruto de quatro a cinco por cento. A economia real viria desmontar a economia virtual governista – o IBGE, que é um órgão da estrutura governamental, anuncia um crescimento de 0,9 por cento do PIB. Quanto ao que agora se chama PIB per capita, em outros tempos chamada de renda per capita – que é o PIB dividido pelo número de pessoas residentes no país – cresceu esquálido 0,1 por cento no ano passado. Atentem bem – um décimo por cento. Essa renda per capita em 2012 foi de R$ 22.402,00, um décimo por cento maior que a do ano anterior.

Para 2013, o governo se mostra disposto a gastar, numa preparação para o ano totalmente político-eleitoral de 2014, quando o PT tentará (com grandes chances, mas sem as certezas tão difíceis de se ter em política). Ocorre que para sair daquele pibinho inferior a um por cento o governo tem, além de gastar, que estimular o consumo para que a produção também cresça. Mas a inflação em 2012, segundo o IBGE, foi menos que os 6,5 por cento de 2011, mas revelou resistência, atingindo 5,84 por cento – IPCA, considerado o “índice oficial” –, nos limites da meta, mas acima de seu ponto médio. Gastança com inflação resistente não é boa coisa, salvo se o objetivo prioritário ou exclusivo for manter o poder nas eleições de 2014

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