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OPINIÃO POLÍTICA

Melhor que a ponte

Ivan de Carvalho

Enquanto a imaterial ou virtual Ponte João Ubaldo Ribeiro, ligando Salvador a Itaparica, começa a consumir, com os R$ 40 milhões do contrato para elaboração do projeto de viabilidade econômica, os R$ 7 bilhões que são anunciados como o custo total do empreendimento – um custo que, na estimativa do ex-deputado Joaci Góes, com ampla experiência empresarial na área de construção civil, pode ser quase o dobro – a população de Senhor do Bonfim, município situado no nordeste baiano e com 74 mil habitantes, está sendo abastecida por carros-pipas.

Nas proximidades, passam pelo mesmo vexame Jaguarari, Itiúba (onde o grande açude de Jacurici está apenas com sete por cento de seu volume normal de água, o que atende apenas aos sapos, pois até mesmo os pescadores jovens emigraram para as margens do lago de Sobradinho).

Os três municípios citados e mais Filadélfia e Ponto Novo estão, todos eles, usando a água da barragem de Ponto Novo, que já está escasseando, daí haver sido interrompido o fornecimento para irrigação – coisa que bem antes já acontecera com o Açude de Jacurici, em Itiúba.

O governo do Estado, reconheça-se, gastou dezenas de milhões de reais para implantar adutoras do manancial de Ponto Novo para o próprio Ponto Novo, Filadélfia, Itiúba, Senhor do Bonfim e Juguarari, mas essa rede está inacabada, razão pela qual, na emergência, foi agora autorizada, sem licitação, as obras de conclusão dessa rede de distribuição de água.

Não há razão aparente para se apontar erro nessas providências, salvo, talvez, o de não já haver sido concluída a rede de adutoras, já que a seca é um fenômeno reconhecidamente reincidente e a seca atual está aí há alguns anos, a mais inclemente de muitas décadas, como proclamam as próprias autoridades.

Há, no entanto, outra questão. Trata-se do Projeto Eixo Sul, que vem sendo defendido, entre outros, pelo deputado Luciano Simões, líder do bloco PMDB-DEM na Assembléia Legislativa. Uma vez executado, levará água do São Francisco para a maior parte da região semiáridas da Bahia e ainda servirá amplamente o semiárido de Sergipe.

O deputado chama a atenção para o excelente custo-benefício da obra. Seu orçamento é de R$ 3. 800 milhões, realmente muito baixo quando se tem em conta os resultados planejados. Trata-se de “obras de segurança hídrica de uso intermitente, integradas com disponibilidade local e voltadas a potencializar as mesmas no contexto do uso racional das águas e a minimização de custos”, explica o deputado do PMDB.

Colocando em termos leigos, isso significa principalmente que só serão acionadas as bombas e retirada água do rio São Francisco quando e para onde isso for necessário. Isso minimiza os custos quanto a retirada de água do manancial doador, o Velho Chico. E os benefícios alcançarão uma população de 4 milhões de pessoas, o que não é coisa que se deva deixar prá lá.

O sistema é bem simples. Bombas retiram água do São Francisco e ela é levada às nascentes dos rios Macururé, Itapicuru, Vaza-Barris, Jacurici e Jacuípe, deixando-se que a força de gravidade faça o trabalho de perenizar todos eles. Se um ou dois desses rios estiver precisando de água e os outros não, será bombeada água apenas para onde ela for necessária. Poupança de água, energia, equipamento e mão de obra.

A opinião do repórter é que este sistema é muito mais importante (e custa muito menos) que – dada a devida venia do escritor – a Ponte João Ubaldo Ribeiro

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