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Postado em 18-02-2013
Arquivado em (Artigos) por vitor em 18-02-2013 11:38

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OPINIÃO

ÉTICA:A CONVERSA E A PRÁTICA

Marinaldo Mira

Cinco anos depois de renunciar ao cargo, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) torna a ser eleito presidente do Senado, a mais importante Casa Legislativa do país. Em 4 de dezembro de 2007, Calheiros renunciou para evitar a cassação, diante de denúncias de uso de “laranjas” em sociedade de empresas e de lobistas para pagar despesas pessoais.

Agora, início de fevereiro de 2013, o mesmo homem público diz que “a ética é obrigação de todos”. Sem dúvida, neste aspecto, o senador tem razão. Ética é obrigação de todos. Nós, inclusive e, principalmente, os políticos, homens públicos, como ele, que, depois de eleitos pelo voto (não se sabe de que forma obtiveram esse voto), administram ou manipulam dinheiro público, legislam sobre leis que interessam ao cidadão e às empresas.

A dúvida que todos nós temos é a seguinte: o que será a ética para o senador e tantos outros políticos, homens que ocupam cargos públicos, recebem vultosos salários pagos pelo dinheiro público, gerado pelo recolhimento de impostos dos pobres mortais contribuintes, das pequenas, médias e grandes empresas?

O que será a ética para os políticos? Notadamente aqueles que respondem a processos por uma relação enorme de crimes, com processos nos tribunais diversos deste país, mas com direito a recorrer dessa ou daquela sentença, buscando sempre uma brecha na legislação oficializada por eles e tirar proveito, ganhar tempo e, quem sabe, safar-se?

O cidadão comum, até aquele que não teve acesso à educação básica, nem ao curso fundamental, mas que tem um pouco de conhecimento, sabe, ou tem noção do que sejam regras sobre valores morais do indivíduo, um grupo ou uma sociedade de forma geral.

O homem comum livre diferencia o bem do mal, o justo do injusto, tem deveres morais, na hora de agir e o faz em função de valores que livremente escolheu. Esse homem é consciente, por exemplo, que não deve avançar com seu carro quando o sinal estiver vermelho, nem ocupar a vaga de idosos nos estacionamentos da vida, furar a fila, seja ela qual for, até para ir ao sanitário nos dias de Carnaval ou abrir uma correspondência do vizinho. E aquele patrão que explora e humilha seu empregado? Ou pior, subornar um funcionário público para se beneficiar?

Embora seja disciplina em quase todos os cursos superiores no país, a ética é normalmente esquecida por boa parte da população e, por causa disso, o país vive uma crise aguda de falta dela, a tal ética. Movimentos existentes em defesa dela, comissões que lutam em busca da preservação da ética, enfrentam desafios quase insuperáveis.

Os deveres morais, as leis estão aí. Todos conhecem, mas, na prática, pelo visto, essas leis ou normas existem, na opinião de alguns, para serem desrespeitadas. Essa é uma triste e lamentável constatação.
(siga marinaldomira no twitter)

Marinaldo Mira, jornalista, ex-editor de A Tarde, exemplo de caráter, elegância e competência no jornalismo baiano, em sua primeira colaboração para o Bahia em Pauta, que o site blog espera sejam seguidas de muitas outras (Vitor Hugo Soares, editor)

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Comentários

Antonio Sacramento on 19 Fevereiro, 2013 at 23:02 #

Marinaldo,
mais uma vez, parabéns. Artigos como este faz com que acreditemos na existência de uma imprensa livre, independente e limpa. Jogue duro!!!!


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