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O adeus ao Ziriguidum e a Bento 16

Janio Ferreira Soares

Zeca Pagodinho, desiludido com o atual Carnaval, pegou mulher e filhos e se isolou em seu sítio, onde uma banda tocou antigas marchinhas em meio a confetes, serpentinas e muito chope, que ninguém é de ferro. Enquanto isso, milhares de “jovens” brincavam nas ruas do Rio de Janeiro ao som das mesmas marchinhas que ele ouviu durante seu retiro momesco. Já seus filhos, se não fugiram, devem ter ficado ligados nas redes sociais, morrendo de vontade de estar no meio da muvuca com os amigos.

João Jorge, presidente do Olodum, disse que o Carnaval da Bahia virou uma festa de um artista só (Ivete Sangalo) e que, a continuar assim, já era. Enquanto isso, nas ruas da velha São Salvador milhares de “jovens” pulavam e beijavam como se não houvesse amanhã.

Nação Zumbi e outros artistas pernambucanos que ficaram de fora do Carnaval, andaram se queixando de que a folia de Recife anda diferente. Enquanto isso, milhares de “jovens” se acabavam no Galo da Madrugada e no Marco Zero, onde a fuzarca foi de Caetano a Milton Nascimento, passando por Titãs, Lenine e muito frevo.

Fiz questão de aspear “jovens” nos parágrafos acima para deixar bem claro que são eles os verdadeiros responsáveis pelo Carnaval continuar sendo a maior festa do País, independente da qualidade musical, das estruturas dos blocos e da eterna reclamação de uma turma que pensa que o que faz a folia são as marchinhas, as mortalhas e as serpentinas, quando na verdade o que faz a diferença é a testosterona que à época habitava seus corpos cinturados de mentes fresquinhas, nem aí para contas a pagar, colesteróis e toques retais.

Mas agora que acabou a folia, o assunto é outro. É que junto com Ziriguidum e Largadinho, Bento 16 também está dando adeus aos holofotes. Sem dizer a que veio, há rumores de que um brasileiro poderá substituí-lo. Com Lula fora do páreo (ele jamais diria numa celebração “mea maxima culpa”), sobra Sarney, que, dizem, já enviou Geddel (disfarçado de Capuchinho) e uma tropa de cardeais do PMDB ao Vaticano. Oremos.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura, Turismo e Esportes de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco

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Comentários

Carlos Volney on 16 Fevereiro, 2013 at 23:11 #

Grande, muito grande, Janio!!
Brilhante, como sempre, seu artigo. Conseguir articular o momento quase singular que vivemos é deveras – que lingua a nossa, como diria o inesquecível Armando Oliveira – apropriado quando compara Ziriguidum com o inapropriado Bento XVI. De minha parte, nenhum dois dois fará qualquer falta. Já vão tarde!!!


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