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OPINIÃO POLÍTICA

Campos complica sucessão

Ivan de Carvalho

A presidente Dilma Rousseff, desde antes do carnaval, começou a mover-se para dar partida à sua campanha à reeleição. Dificilmente surgiria uma situação em que o PT lhe negasse a legenda para reinventar a idéia de levar novamente Lula à presidência já em 2014. Até porque o ex-presidente e o PT tomaram no ano passado umas trombadas (julgamento do Mensalão, Rosegate, para citar duas) das quais, notoriamente, ainda não se recuperaram.

A presidente Dilma Rousseff está com excelentes índices de aprovação, segundo pesquisas de opinião pública, e o Bolsa Família e outros programas sociais a sustentam, mas está claro que ela enfrenta dificuldades. Estas são graves na área da economia, onde o pibinho de 1 por cento ou menos em 2012 se destaca junto com a inflação de janeiro, a maior dos últimos dez anos, considerada “preocupante” pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, ainda que o ministro Guido Mantega faça dela pouco caso. O que também é grave, passando a idéia de irresponsabilidade no

Ministério da Fazenda.
Há outros problemas muito relevantes na economia e esta – insuflada pela crise financeira e econômica internacional – pode tornar-se rapidamente o calcanhar de Aquiles do governo Dilma Rousseff.

Independente disso, há uma percepção de que o eleitorado, de alguma maneira, está em busca do novo (casos evidentes mais recentes da votação de Marina Silva para presidente e até, para focarmos um caso local, da eleição de ACM Neto em Salvador), depois de 10 anos (até agora, porque logo serão 12) de governo federal do PT.

É claro que o PT detém hoje um imenso poderio político-eleitoral, ampliado por aliados, uns seguros, outros a depender das perspectivas de manutenção ou perda do poder. O PC do B, por exemplo, é um aliado seguro, por vocação, vício ou falta de opção. O PR, que atualmente se declara independente, ainda não sabe se volta a ser aliado ou vai para a oposição (depende do tratamento que receba do governo). O PMDB tende a ser tão seguro quanto exigente. Mas a presidente está ganhando o apoio formal do PSD de Gilberto Kassab. Ocorre que o PSB – este o dado mais novo e mais importante – dispõe-se a ser aliado em 2013, mas adversário em 2014.

Às dificuldades de Dilma Rousseff com a economia, soma-se essa idéia de que uma parte muito grande do eleitorado busca “o novo”. Surfando nela, Marina Silva – que pelo PV, onde já não está, conseguiu 20 por cento dos votos para presidente em 2010, forçando a realização do segundo turno nas eleições – começa a organizar um partido para novamente disputar a presidência.

O líder da oposição no Senado, Aécio Neves, busca articular um discurso de candidato a presidente que possa embutir a idéia do “novo” – embora seu partido, o PSDB, já haja governado o país durante oito anos e representado a principal vertente oposicionista em três eleições presidenciais perdidas, sem contar a candidatura de Mário Covas. A esta idéia, Aécio Neves quer acrescentar a de uma gestão eficiente, que chama de “choque de gestão”, expressão nem tão nova, que já usou ao concorrer ao governo de Minas Gerais e ao exercê-lo.

Não é só pela idéia do “novo”, mas é muito por ela que está entrando com muita disposição na sucessão presidencial o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos. Lula chegou a falar em colocá-lo como candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff e deslocar Michel Temer, do PMDB, para candidato de uma coalizão ao governo de São Paulo. Isso mostra que Lula está apavorado com a idéia de Campos – com seu PSB –, ao invés de apoiar o PT nas eleições presidenciais, tornar-se um adversário. A sugestão de Lula desagradou o PMDB, Temer, o PSB e Eduardo Campos, além do PT paulista. Foi tiro no pé. Diz o noticiário de ontem que Campos está aguardando um encontro com Lula para dizer-lhe que não está disponível para vice porque é candidato a presidente.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 14 Fevereiro, 2013 at 7:20 #

Caro Ivan

A pedra no caminho já fez efeito, segundo informa o Blog do Josias de Souza, Dona Dilma quebrou, literalmente, o dedão do pé na Bahia.


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